Sem aeroporto nem TGV, era preciso ganhar a eleição noutro lado

Os custos com a electricidade mais do que triplicaram em muitas das escolas intervencionadas pela Parque Escolar. Na sua resposta ao relatório da auditoria levada a cabo pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF), a empresa justificou a situação com as novas regras de eficiência energética, aprovadas em 2006.

No seu relatório, a IGF conclui, contudo, que foram também utilizadas “soluções técnicas com custo ou qualidade excessivos, face à finalidade da obra”. Entre os exemplos apontados figuram a “aplicação de iluminação decorativa”, “utilização exagerada de equipamentos de halogéneo”, “instalação de potências eléctricas demasiado elevadas”, “duplicação de sistemas móveis de audiovisuais”, “dependência excessiva da ventilação mecânica”, e “uso massivo de estores eléctricos”.

Ao nível da construção, foram também utilizados materiais com custo excessivo. [… A IGF] lembra ainda que se registou uma degradação rápida de vários dos materiais utilizados. [Público]

A eficiência energética levar à triplicação dos custos de electricidade é um bocado ineficiente. Mas nós fechamos os olhos perante a areia que nos atiram, não há problema. Tenho ouvido repetidamente falar nas janelas que não foram feitas para abrir. A excessiva ventilação mecânica e a factura eléctrica, mais do que a iluminação decorativa, explicam muito.

Caro e efémero. Mas a tempo de dar obra para a eleição que se avizinhava. E o que importa é ganhar, não é?

PS: Poderá alguém pedir um comentário ao sr. Albino Almeida, que ainda há um ano e picos reagia mais rápido do que a sombra?

Comments

  1. António Fernando Nabais says:
  2. marai celeste ramos says:

    Tanta fanfarronhada quando ao país da frente no uso de energias alternativas, que pena não se ter de facto feito escolas, mesmo de construção e equipamento de luxo porque todos os meninos tudo merecem, ao menos no espaço escolar. já que muitos estudam ainda em barracs préfabricadas, e afinal, gasta-se muito mais energia e vá-se lá saber porquê e quem recebe mais um bocado do meu IRS – e até se muda de governo e governantes n«mas não de eficiência a que poposamente se chada de autosustentável quandfo e só quendo convém, mesmo que não seja pois que mais e mais tudo se torna insustentável memo para mim que ainda perco tempo a perceber e não consigo pois que se calhar até estarei, como muitos, a embrutecer

  3. Vasco Nobre says:

    Os regulamentos para a eficiência energética dos edifícios, sobretuda para os edifícios climatizados são o resultado de uma série de interesses instalados junto a que faz estas normas, tanto a nível das directivas europeias como na sua transposição para a legislação nacional.

    Veja-se que em relação ao delírio que os regulamentos constituem a ADENE continua a viver numa realidade paralela, publicando estudos em que afirmam ter promovido poupanças salvíficas nos consumos energéticos dos edifícios e outras maravilhas.

    A ADENE é em si uma quimera, com poderes delegados pelo Estado e participada por este e por privados, entre os quais a EDP, para poupar energia.

    Deve ser

    A Parque Escolar, com todos os seus defeitos, parece vir a ser o bode expiatório.
    Vai ser imolada para salvar uma série de outros tachos noutras empresas, agências, institutos, etc..

    Isto se não se confirmar que apenas mudam as moscas.

  4. Zé Carioca says:

    João Sintra Nunes (presidente) é engenheiro. Antes de ingressar na Parque Escolar era director-geral da Rave, Rede de Alta Velocidade, a empresa responsável pelo TGV. Foi também presidente da comissão executiva da Invesfer, no tempo da célebre modernização da linha Lisboa-Porto e foi objecto de um relatório fortemente crítico do Tribunal de Contas, uma vez que se detectou, entre outros factos negativos, uma derrapagem dos custos de mais de 80 por cento.

    Afinal o homem é mesmo especialista…em derrapagens. Seria interessante saber quais os “banqueiros” financiadores de mais esta desgraça!

  5. Zé Carioca says:

    Gerardo Menezes (vogal) é engenheiro civil. Antes de transitar para a Parque Escolar, era director técnico da empresa Sed Nova, com sede em Braga, dedicada à gestão de projectos de investimento imobiliário.
    Gerardo Menezes Em 22 de Outubro de 2007 renunciou ao cargo de vogal das empresas Britalar Sociedade de Construções S.A. e Britalar II Investimentos S.A.
    Nos últimos meses, a Parque Escolar adjudicou as obras em três escolas da Zona Centro a um consórcio constituído por duas empresas de construção civil de Braga, entre elas, a Britalar, que foi durante seis anos dirigida por Gerardo Menezes.
    O valor global dos contratos ascende a 35 milhões de euros.
    Desempenha actualmente o cargo de presidente da mesa da concelhia de Braga do CDS-PP
    Olha, olha … coincidências!!!!

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