Um desenho escolar, sem parque de estacionamento

Parece que Nuno Crato mentiu, inflacionando, os desvios financeiros da Parque Escolar. Irrelevante: depois de Maria de Lurdes Rodrigues e sucessora um ministro da educação que não minta até podia ser demitido do cargo. Não se tornou tradição: faz parte da função.

Quanto ao essencial da coisa parque escolar a essência nem são os desvios e a forma esquisita como foram distribuídas as empreitadas e escolhidos os arquitectos, mais trafulhice menos trafulhice isso é rotina. Quando se passa a propriedade das escolas portuguesas para uma empresa pública há um único é óbvio objectivo: privatizar, tal como se pretendia com as estradas.

O plano de Maria de Lurdes Rodrigues sempre foi esse: um modelo de gestão empresarial, uma classe profissional domesticada e barata, uma primeira experiência de municipalização e seguia-se a progressiva privatização pura e dura, ou pensam que as câmaras tinham dinheiro para pagar as rendas à PE?

Prova dos nove: o que faz hoje Maria de Lurdes Rodrigues, depois de meio-perdida a batalha? Alguma vez presidirá à FLAD alguém que não veja na empresa e no mercado a religião de todos os dias?

O que fizeram os municípios quando ficaram com as AEC´s? não as entregaram a empresas de vão de escada?

Nuno Crato seguirá a estratégia que mais lhe convém ao diabolizar a PE. O passo seguinte é entregá-la a um empreendedor qualquer. Fizeram-lhe o trabalho de casa, só não sucederá se não tiver tempo. Sempre foi assim. O PS prepara o terreno, PSD/CDS a seguir privatizam. Claro como água.

Já que empreguei aqui a palavra rotina, temos outra: Daniel Oliveira continua coerente na defesa da municipalização do ensino, proposta da sua corrente política no último evento nacional do BE em que participei. Fica-lhe bem. E deixa estar Paulo Guinote, de retrógrado para baixo foram chamados todos os professores que a tal nos opusemos. Todos menos um, o Arsélio Martins, já em estágio para professor do ano. Agora chamar esquerdista a quem não o é tem o dano colateral de insultar que tem orgulho em o ser.

Comments


  1. Eu escrevi “esquerdismo de classe média”, pá!
    Olha lá que esquerdista sou eu!!!

    O DO é um burguês!!!

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