Página de Diário

 

Este ano, o meu Dia da Mulher foi especial. Inscreveram-me (a minha sogra) para um jantar (de mulheres) e eu adorei.

Mesmo ali ao lado de casa há um pequenino restaurante (tipo tasca) e, não sei como, sentaram-se 95 mulheres em longos bancos ao longo de compridas mesas. Conhecia a maioria: vizinhas, mães e avós dos colegas do meu filho que ainda anda na pré.

Enquanto esperávamos para nos sentarmos, prestei toda a atenção às conversas, a quem entrava e reparei como elas estavam maravilhosas. Mulheres da minha idade, outras mais novas e, a maioria, na casa dos sessenta. 

O dia havia-lhes sido igual em tudo menos a noite. Levaram os filhos à escola, fizeram-lhes o almoço, foram trabalhar, puseram a roupa a lavar, a secar, foram às compras e ainda arranjaram tempo para ir ao cabeleireiro.

Estavam bonitas mas, sobretudo, com um sorriso permanente nos lábios. Bonito de ver.

Estávamos felizes. “Os filhos ficaram bem: com os pais que lhes preparou o jantar” -comentavam.

A comida estava ótima, bem como o vinho.

A anfitriã preparou-nos um pequeno discurso: “obrigada a todas por terem vindo”. Referiu as diferentes freguesias e cidades vizinhas ali representadas por cada uma de nós. Batemos palmas e gritámos de euforia. E depois disse: somos mais mulheres que o ano passado, desde sapateiras a médicas.

Gravei essa: sapateiras, domésticas, médicas, professoras. Ninguém se distinguia. Éramos todas iguais: estávamos felizes, celebrando a alegria e o orgulho de termos conquistado cada coisa que temos e somos.

Mas aquela mulher acrescentou: lembremos todas aquelas que sofrem.

E eu digo ainda: que desconhecem existir o Dia da Mulher ou que o consideram coisa de mulheres de outro mundo.

Comments

  1. marai celeste ramos says:

    Pois é – fui ouvindo ao longo de anos a algumas “meninas” como eu que até preferiam ser “homem”, o que estranhei embora percebesse porquê – Que difícil foi ir andando até onde fui capaz de ir e a “sociedade” me permitiu já que havia situações “tabu” em estilo Schengen sociocultural e profissional – E não sendo feminista nem de longe, não deixei de fazer o que queria e que era feudo só masculino mas lá fui, fico contente porque a mulher começa a ter o lugar que quer e lçamento as quotas, como taxista ou arqª, gestora ou estivadora, profª universitária ou condutora de TIR, escritora ou simplesmente mão porque assim opta, deputada ou outra coisa que lhe passe pela cabeça e conheci a 1ª comandante de navio comercial, e acabou a história e a deferência que nos foi dada de —“a menina vai à frente ou atrás ou acima ou abaixo” e essas tretas todas – Espero assim que a mulher vã ao LADO do homem, de mão dada – Como no^trabalho tive de dizer que não trabalhava com o meu sexo feminino mas com o que aprendera e ficaram lixados claro por não querer ser biblot nem “loira secretária”- Felizmente que o homem olha hoje de modo diferente, sem ser diferente, e espero que não seja – Podemos, cada um, ser o que queremos ser e descobrimos que podemos ser mais autênticos e felizes, que já despimos, como as cobras ou as borboletas, aqueles revestimentos com que o socio cultural nos “mimou” ?? Pois gosto dos dias que “celebram” – a mulher ou o Pai, a liberdade ou a língua, a Natal ou o que quer que seja que sejam “marcos” da evolução das sociedades – para não ESQUECERMOS de onde vimos e logo se vê para onde iremos porque só “o hoje” é certeza – Sem poder ter acesso ao trabalho peofissional e remunerado ficará sempre algo que faltará à mulher para o seu total autoconhecimento e segurança interior – Até porque não somos todas “duquesa de Alba” mas o curioso é que ainda não há salário igual para trabalho igual, porque a mulher tem, afinal, a tarefa que o homem nunca terá, de PARIR (mesmo à beira das IP), os tais que acham que o mundo é dividido e que não merecem ainda inteira paridade – lá hão-de chegar – e se calhar a mulher nem quer – não sei – e agora olho no noticiário Tv1 20H – o parlamento europeu e Gaspar a dizer não sei quê, e lá estão só homens, todos vestidos só de negro (até na gravata) ou cinzento – que mulheres terão eles e nem todos terão a Carla Bruni ?? Sarkozy está à rasca e a filha de le PEN anda muito à vista – ora gaita – vamos ver – cá estarei
    A Fitch continua a brincar com a Grécia – homens claro que se divertem, toda a vida, obcecados entre a guerra com canhões, e os tostões – é CURTO

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.