Escola Pública e serviço público de educação – livre escolha é uma mentira

Portugal tem tido ao longo dos anos uma política algo errante em relação à Escola Pública. Errante porque a cada nova (velha!) equipa no Ministério da Educação, temos velhas mudanças.

Governos do PS e do PSD, aparentemente com mais semelhanças do que diferenças, em muitos momentos, actuam como se não houvesse uma Lei de Bases do Sistema Educativo.

No entanto, nem tudo é assim tão igual, na desgraça partidária que tem governado a Educação e nem sequer equaciono as pessoas que nos lideraram sob pena de perder o apetite.

Com todas as malfeitoria que José Sócrates e Maria de Lurdes trouxeram aos professores, culpando-os por todas as desgraças, inclusive pelo terramoto de 1755, houve algumas apostas na Escola Pública que mostram uma diferença significativa entre um partido que entende a Escola Pública como algo bem diferente do serviço público de educação. Quais?

Para o PSD e ainda mais para o CDS (ainda existe?) a rede pública de educação é um todo, onde privado e público se podem complementar numa oferta de serviço público de educação. Deduz-se que essa aposta significa ser possível entregar dinheiro aos privados para prestarem esse serviço público de educação, certo? Falam até da “liberdade de escolha“.

Mas qual liberdade? Se todos os pais escolherem o colégio x, como é que este vai fazer para escolher os seus alunos? O mesmo que faz hoje! Escolhe os que mais lhe interessam e deixa de fora os que não quer, nomeadamente os que poderiam ajudar a baixar as médias, “estragando” o negócio. Diga-se, no entanto, que seria importante encontrar mecanismos para retirar este tipo de procedimento de algumas escolas públicas que se dão ao luxo de escolher alunos.

Sem querer escrever a história que o tempo vai desenhar, lembro que há dez anos o primeiro ciclo funcionava em turnos duplos na maioria das escolas, onde quase não havia cantinas. Há dez anos não havia Inglês, nem expressões no 1º ciclo – agora temos um governo que quer exterminar as expressões. Há dez anos não havia nas escolas o parque informático que hoje temos e que este governo está, pela ausência de financiamento para manutenção, a destruir paulatinamente.

Houve erros? Claro que sim. Por alguma coisa estivemos aos milhares nas ruas!

Agora, confundir a arrogância e a vontade férrea de Sócrates e Maria de Lurdes em acabar com a FENPROF, com o processo em curso de destruição gradual da Escola Pública, vai um bom pedaço.

O post vai num caminho politicamente incorrecto junto dos professores, mas quando vejo os ataques que estão a ser feitos à Parque Escolar sinto-me incomodado. A Parque escola foi um erro ao nível da dimensão e da despesa excessiva com detalhes sem importância. Mas visitar as escolas públicas onde a Parque Escolar já terminou a sua intervenção é algo que mostra uma diferença clara – a aposta única na valorização da Escola Pública.

Não desculpo nada com este post, mas não vamos deitar fora a criança com a água do banho.

Comments

  1. Tito Lívio Santos Mota says:

    apenas um exemplo :
    no tempo do Salazar os colégios não tinham autonomia pedagógica e, portanto, apenas os exames nacionais tinham valor.
    é certo que o Salazar fez isto para evitar a criação de escolas livres republicanas ou de oposição.
    Mesmo assim elas existiram mas Salazar controlava assim os conteúdos e os exames.

    Com a liberdade, é verdade que tal medida não se justificava.
    Mas…mas…mas.
    Dar total autonomia pedagógica aos colégios nunca foi exigência de ninguém a não ser dos proprietários de tais colégios.
    Autonomia relativa sim, mas total?
    Se não vejamos :
    O facto de os meninos dos colégios chegarem ao 12° ano com notas ad-oc para passarem à frente dos alunos da escola oficial.
    Acrescente-se a possibilidade de seleção dos alunos que as escolas públicas não têm e compreende-se a falácia dos famosos “bons” resultados e dos rankings escolares tão apregoados.
    (os rankings estão para as estatísticas como as promessas dos políticos para as eleições, só acredita quem quer).
    Notas “à moda da casa” + seleção dos alunos admitidos… é caso para dizer “assim também eu”.

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