Em nome da honra…

Bertolt Brecht, esse homem que marcou toda a história do Teatro, escreveu que “uma testa sem rugas é sinal de indiferença”.

A cada dia que passa, nasce-nos uma e não é da idade… Vamos ficando velhos antes do tempo, à custa de tanta injustiça e indignação.

Uma semana após o Dia da Mullher verifico, mais uma vez, que esta comemoração não tem o mesmo significado em todos os lugares, que a mulher ainda sofre imenso, que há países em que é ainda a desgraçada, a «culpada» e a «pecadora». Ainda somos o elo mais fraco. Dois dias depois do habitual «Jantar da Mulher» e das tradicionais mensagens e lembranças trocadas em todo o mundo, uma jovem marroquina suicida-se, desesperada com os maus tratos de que era alvo por parte do marido que a havia violado antes do casamento. Um casamento forçado pela tradição, por um juíz e pelos próprios pais! Depois de meses a sofrer nas mãos sujas desse que lhe deram como «marido», e após ver recusado o seu pedido ao pai para voltar a casa, a menina de 16 anos, Amina El Falili – mata-se com remédio dos ratos.

Uma menina feita mulher da pior forma possível e também a mais imunda e infeliz. Um pesadelo para qualquer mulher. Como devia sentir-se miserável Amina, para pôr fim à vida, comparando-se a esse asqueroso animal (o rato). O violador, essa besta, ficou isento de sanção ao aceitar casar-se com a vítima.

A vítima foi castigada, o culpado saiu imune e pronto para outra.

Ora se isto não nos deixa revoltados…

Comments

  1. marai celeste ramos says:

    Céu Mota – não precisa de ir tão longe para ver este horror que ainda há por cá bem escondidinho e esquecido – já não somos (e eu sou desse tempo) de “nascer casadas” com quem os pais tinham decidido – já não somos de ter o curso de “tocar piano e falar francês” (o que por acaso aprendi e até mais do que isso) nesse tempo – Ou poder fazer apenas Letras e Farmácia (o que não quiz fazer) – e sou a 1º profissional feminina de um curso universitário “feudo” impenetrável apenas de homem (mas fiz esse e um 2ª) e abri caminho e já há mais sem restrição nem com numerus clasus para abrir espaço ao “privado” – Já não somos, como mulher, impedidas de votar (só me deram direito a partir de 1975 e já a minha idade avançava – já nem sei quantos anos tinha) – Já não sou do tempo (há tão pouco tempo) em que não podia viajar sem o agrémant do pai e do irmão e do marido e do gato (mas foi em tempo em que era já crescidinha) – Nasci em tempo em que mulher sem casamento tinha filhos “ilegítimos” e não havia antibióticos nem destista – nem havia SNS (nem bom nem mau) – nasci no tempo em que o homem tinha direito a espancar a mulher (e nem me quero lembrar disso) e se vir bem, ainda temos no país essa grande brutalidade (e conheço quem tenha moorrido assim – amiga arqtª – e os filhos traumatizados com os horrores de seu pai e palavrões) – se olhar bem não somos melhores do que o pa+is desta belíssima mulher cuja fotografia envia – e sou do tempo em que a DIVIDA do estado não importa quê se dizia – o pagamento do ESTADO é infalível e como vê, é o maior ladrão e cada vez mais atrevido – e sou do tempo em que as 2 guerras mundiais e a de de espanha de 1936 deixaram o país de rastos – e sou do tempo em que um irmão (que Deus levou e mais novo do que eu) teve de ir para o “ultramar” (Angola) fazer a guerra dos canhangulos e de minas anti-pessoal – E sou do tempo em que não havia ensino obrigatório – E sou do tempo em que as mães deixavam os bébés à porta da Santa Casa – mas não havia os supermercados que deram cabo do comercio e da produção local porque não havia CEE nem UE, nem PAC nem Parlamentos europeus nem Lehmons Brothers – e havia a PIDE e o Aljube que me matou um amigo pulido valente (era eu adolescente) – e sou do tempo da Tarrafal (e nunca saberei se meu pai esteve lá pois esteve em CV e eu fui obrigada pelo chefe-homem, a ir 6 meses trabalhar sem saber porquê e fui a 1ª técnica feminina do país a ter de ir – e fui para poder dar de comer à família e não perder o emprego – e qui quem é CONDENADO de tudo o que acabo de afimar ?? Acho bonito que se condoa desta bela mulher castigada – mas olhe para mais perto mesmo ao seu lado e verá se quizer, o que acabo de escrever e que não desapareceu – e há meninos e meninas na Casa Pia ofendidos e humilhados – tem muito que fazer pelo seu país se quizer – eu já fiz e ninca deixei de fazer mas paguei um preço alto – mas está pago – nada devo a ninguém e posso mandar quem quizer à “puta que os pariu” – sempre – e já mandei alguns, aos gritos, çpara ouvirem bem e sem dúvidas de que era eu

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