Ainda a Gestão das Escolas II – os TERA – agrupamentos

A gestão das escolas continua em cima da mesa porque o Governo se prepara para alterar (ou não!) a Legislação que a regula. No Clube de Matemática, Matias Alves declara algo que subscrevo integralmente:

“o movimento de agregação de escolas é uma má decisão política – é um erro crasso – que vai trazer graves problemas à organização do ensino e às aprendizagens dos alunos”

E o erro fundamental está na dimensão que se está a dar aos MEGA-Agrupamentos de Escola. Correcção: não são mega, são Giga, ou antes TERA – Agrupamentos. Ironicamente a palavra TERA, aqui usada como prefixo, significa monstro!

Para os menos atentos, lembro que o Ministério da Educação, antes alojado na 5 de Outubro, algures ali pela capital, tinha regionalmente, direcções agora num processo de extinção.

Ora, o que pretende fazer o Governo?

Simples: criar unidades de gestão de grande dimensão, aproximando a gestão da administração e afastando-a do terreno, com a ilusão de maior eficácia na aplicação das ideias dos políticos, sempre interessados em deixar a sua pegada ecológica no planeta. No fundo o poder central quer fazer ligação directa às escolas tirando as Direcções Regionais do caminho. As Direcções dos TERA- agrupamento serão parte da Admiinistração e não parte das escolas.

” as lideranças instrucionais e transformacionais (que a literatura reconhece como forças poderosas de mudança educacional) perdem as condições de exercício e tendem a transformar-se em mera gestão burocrática de estruturas;” (Matias Alves)

Além desta questão política está também em marcha um enorme processo de despedimentos nos diferentes profissionais que trabalham nas escolas: docentes e não docentes. E nada disto vai trazer qualquer vantagem para os alunos, antes pelo contrário.

“É certo que esta “solução” pode poupar alguns milhões de euros (em qualquer caso, está longe de estar demonstrado o ganho significativo). Mas os prejuízos educativos e pedagógicos são incalculáveis. Custa-me viver num país que tão levianamente afeta e prejudica centenas de milhares de portugueses”. (Matias Alves)

Concordo também com Matias Alves sobre a necessidade de um novo paradigma de gestão escolar, mas não me parece que seja razoável avançar pela municipalização da educação, algo que iria acontecer transferindo parte da gestão para a lógica autárquica. Continuo a pensar que a centralidade tem que ser colocada em pequenas unidades de gestão verdadeiramente ligadas à sua comunidade. Não consigo encontrar grandes argumentos para defender que as escolas do Olival, junto à Barragem de Crestuma- Lever, possam ter uma gestão comum a uma escola como a Almeida Garrett no centro da cidade de Gaia. Ainda que uma elite dirigente (ex-Directores) se junte num gabinete algures numa Câmara Municipal, não haveria muita diferença em relação a uma gestão ausente.

Tal como a aprendizagem exige envolvimento dos alunos, também o sucesso de uma Escola exige que os seus actores se tornem autores do processo educativo. O caminho não é passar dos MEGA para os TERA. Está em voltar aos bytes.

Comments

  1. marai celeste ramos says:

    Este governo é uma verdadeira teratologia

Trackbacks


  1. […] Enquanto a Educação não for um desígnio da maioria dos cidadãos, de pouco serve a contestação de alguns. Só num país civicamente comatoso é que é possível acontecer andarmos preocupados com um problema destes. […]


  2. […] on 22/03/2012 por João Paulo Reconheço que gosto de ver a preocupação de alguns com os TERA-agrupamentos. Fosse possível haver um tacho para todos e queria ver se o nível de preocupação era […]


  3. […] uma verdade que é do conhecimento de todos –  ”a recente criação dos chamados mega-agrupamentos “tem vindo a criar problemas novos onde eles não […]

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