Acordo Ortográfico: Vasco Graça Moura em entrevista a “O Globo”

Não nutro simpatia por Vasco Graça Moura, porque sempre me provocou repulsa a defesa cega de homens ditos providenciais ou a vivência da política como mera paixão clubística, pecados, quanto a mim, cometidos pelo poeta e tradutor nos anos oitenta, como defensor feroz que foi do cavaquismo, um dos muitos períodos negativos da democracia portuguesa.

Nada disso me impediu de lhe reconhecer mérito como praticante e estudioso da língua e da literatura portuguesas. Nesta entrevista, Vasco Graça Moura tem o condão de sintetizar as principais críticas que merece o Acordo Ortográfico, usando, com propriedade, argumentos linguísticos e jurídicos. A ler, portanto, sem leviandade e sem preconceitos.

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    Esta é exactamente a minha opinião sobre VGM! O texto, no seu conteúdo, podia ter sido escrito por mim, embora saia a ganhar por ser da autoria de Fernando Nabais.


  2. De uma moura encantada seduz-nos mais o canto das sereias, logo, a vida é curta para perder tempo com o mau poeta mas excelente político. bfds


  3. Alguém me explique porque é que no NA se escreve “cor-de-rosa” mas “cor de laranja”, isso era o que eu gostava que me explicassem.

  4. maria celeste ramos says:

    excepções à portuguesa – politicamente imposto

  5. Tiro ao Alvo says:

    O prof. Nabais descreveu aqui que os “anos oitenta”, como sendo o tempo do “cavaquismo, um dos muitos períodos negativos da democracia portuguesa” e eu acho que foi pouco rigoroso e injusto.
    No seu dizer, a democracia portuguesa teve “muitos períodos negativos”, não referindo quais os períodos que considera positivos, coisa que eu gostava de conhecer…
    Digo isto por que, naquele período, se quisermos ser rigorosos, Portugal conheceu um grande desenvolvimento em muitas áreas, registando-se, então, um razoável crescimento no nosso nível de vida, nunca mais superado, antes pelo contrário. Por outro lado, todas as eleições foram consideradas justas e o homem saiu do governo pelo seu pé, coisa que só se repetiu com o Guterres, para “fugir do pântano”…
    Eu sei que durante os governos “cavaquistas” também se cometeram erros, alguns bem grandes, mas a questão é esta: e os outros?
    Concluindo, parece-me que, a par da louvável defesa da posição do Vasco Graça Moura, o prof. cometeu uma injustiça ao classificar, da forma que o fez, os governos de Cavaco Silva, um bocado a despropósito, pareceu-me..

  6. António Fernando Nabais says:

    #5
    Se quer que lhe diga, não há nenhum período na Democracia portuguesa que considere positivo, embora prefira uma democracia defeituosa a qualquer ditadura. Cavaco Silva governou debaixo do chapéu da abundância dos dinheiros europeus, encheu o país de betão, participou na destruição das pescas e da agricultura e deu início à obsessão com o sucesso estatístico que viria a ser prosseguida por José Sócrates, especialmente no âmbito da Educação. Cavaco Silva é uma figura menor que fará parte da História, contribuindo para confirmar Portugal como um país menor, à semelhança da maioria dos nossos governantes e dos nossos políticos, de uma maneira geral. A referência a este homem abominável (para mim) serviu, neste texto, para explicar que posso discordar de Vasco Graça Moura em quase tudo o que escreve ou afirma, mas concordo, em absoluto, com o que diz sobre o Acordo Ortográfico. Já agora, a ausência de reflexão sobre o AO da parte dos políticos, Cavaco incluído, é mais um sinal de menoridade.

  7. Tiro ao Alvo says:

    Diz você que o “Cavaco Silva governou debaixo do chapéu da abundância dos dinheiros europeus”, mas, fique a saber que essa abundância foi muito maior nos governos subsequentes, inclusive no curto governo de Santana Lopes. Sobre esta questão, deve, pois, corrigir a sua posição, dispensando-me, para isso, de lhe indicar as fontes correctas, que não faltam.
    Depois, sobre essa sua posição de considerar que qualquer período da Democracia portuguesa como não positivo, nem sei o que pensar. Até parece que preferia uma Ditadura à Democracia…
    Por outro lado, ao dizer que “Cavaco Silva é uma figura menor que fará parte da História, contribuindo para confirmar Portugal como um país menor, à semelhança da maioria dos nossos governantes e dos nossos políticos, de uma maneira geral”, é uma posição tão radical que nem sei como a classificar. Fica como a sua posição, que vale o que vale.
    Por fim, ao considerar o Cavaco um “homem abominável “, não lhe parece que está a ultrapassar tudo o que é razoável? Não lhe parece que isso é uma falta de respeito, da sua parte, para aqueles que o elegeram, várias vezes, por maioria absoluta?

  8. António Fernando Nabais says:

    #7
    Cavaco esteve dez anos no poder e governou em tempo de vacas gordas. Não deixou nada de assinalável para lá de algum betão mal amanhado. É um um homem sem visão, um provinciano deslumbrado com a possibilidade de ser visto como “bom aluno”. Santana Lopes ainda consegue ser mais pequeno.
    A sua conclusão de que pareço preferir ditaduras a democracias só pode nascer do seu velho hábito de não ler aquilo que se escreve. Vou citar o meu último comentário, a ver se é desta: “(…) embora prefira uma democracia defeituosa a qualquer ditadura.” Percebeu ou quer que lhe faça um desenho?
    A minha posição é “tão radical” que não sabe “como a classificar”? Ó homem, e “radical” não é uma classificação? Seja como for, é a “sua posição, que vale o vale”. É como a minha.
    Finalmente, era o que me faltava ser obrigado a ter consideração pessoal ou intelectual por alguém só por ter sido eleito por maioria. A quantidade de gente abominável que eu seria obrigado a respeitar não tinha fim, o que incluiria gente como José Sócrates ou Passos Coelho ou Durão Barroso. Se se sente desrespeitado por isso, paciência. Mal tenha oportunidade, vote noutros parecidos com ele.

  9. Tiro ao Alvo says:

    Acredite, Nabais, que eu sei ler e que li (e entendi) o parágrafo que referiu, onde escreveu que preferia uma Democracia defeituosa a uma qualquer ditadura; mas também entendi que, para além de Cavaco, abomina Sócrates, Santana Lopes, Durão Barroso e Passos Coelho, sendo de presumir que tolera o Mário Soares e o Guterres. E assim sendo, o que nos resta? Um naipe de políticos que admiram os governos de Cuba e da Coreia do Norte e que toleram os governos da China e da Venezuela. Neste capítulo, fiquei esclarecido.
    Depois, diz que não é “obrigado a ter consideração pessoal ou intelectual (?) por alguém só por ter sido eleito por maioria”. Eu também acho que não é obrigado a ter consideração, mas parece-me que devia respeitar essas pessoas, assim como todos aqueles que as elegeram. Mas essa é a minha opinião. Que vale o que vale.

  10. António Fernando Nabais says:

    #9
    Se sabe ler e entendeu, não se percebe por que razão escreveu de maneira a que parecesse que não leu ou que não entendeu.
    Mário Soares e Guterres são homens intelectualmente superiores a qualquer um dos outros grunhos (que, na minha opinião, são grunhos porque o são e não porque sejam de direita, uma vez que Marcelo Rebelo de Sousa, Pacheco Pereira, Freitas do Amaral ou, até, Paulo Portas, gente que detesto politicamente, são de outro calibre). De qualquer modo, Mário Soares foi um péssimo primeiro-ministro e Guterres, em quem votei uma vez, ou foi um cobarde ou alguém que não soube conviver com um aparelho partidário mesquinho. Da segunda vez, não votei nele, porque voto sempre contra as maiorias absolutas.
    No meu primeiro comentário, critiquei governantes e políticos, o que quer dizer que não deixo ninguém de fora das críticas. É verdade que há muita gente, à esquerda, que defende regimes indefensáveis, como qualquer um dos que refere, mas é na esquerda que encontro as críticas mais informadas ao desatino que tomou conta dos partidos do poder, cheios de cavaquinhos medíocres, cópias perfeitas do original que está em Belém. Será que ficou esclarecido?
    Finalmente, não respeito Cavaco, nunca respeitei e já não vou a tempo. Respeito muita gente que votou nele e não respeito muitos outros que não votaram nele. Convivo muito bem com tudo isso.

  11. J.Silva says:

    Eu tb pensei que que os argumentos filológicos e jurídicos valessem, mas, tratando-se de quem se trata, procurei informar-me melhor:
    Pf veja aqui:
    http://emportuguezgrande.blogspot.pt/2012/03/28.html

  12. Illusive Man says:

    #11, Acho piada os acordistas mandarem vir com o pessoal anti-Ao, que são xenófobos, velhos-do-Restelo, blá blá mas do que dizer desse blog acordista e os seus comentários asquerosos mais papistas que o papa, onde não se pode escrever comentários com a escrita “desatualizada” (quem está a ser o xenófobo aqui?) como se a ortografia fosse um gadget tecnológico ou um programa de software que já não corre nos sistemas operativos mais recentes, nesse caso o que dizer do inglês, francês e as suas ortografias “desatualizadas” há mais de 300 anos, ou então do mandarim clássico, escrito quase sem alterações há mais de 5000 anos e falado por 5x mais o total de falantes de português no mundo

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