Assim vai triunfando o acordo ortográfico

Morreu Vasco Graça Moura, um intelectual renascentista no século XXI

Exactamente: o desastre

O desastre do novo acordo ortográfico“.

Vasco Graça Moura

vasco
Em Portugal, é habitual fazer homenagens aos mortos. A quem se tecem grandes elogios. Mesmo os seus adversários, nesse momento só têm palavras bonitas para deixar.
Não foi o caso de Vasco Graça Moura. Foi homenageado ainda em vida, com direito à presença de ex-presidentes da República e do presidente da Comissão Europeia. O tom foi o mesmo de sempre nestas circunstâncias e muitos falaram como se ele já tivesse morrido. Artur Santos Silva chegou mesmo a falar no passado.
Para ser sincero, devo dizer que não gosto de Vasco Graça Moura. Nunca gostei. Sobretudo naqueles anos áureos do cavaquismo, durante os quais era mais Papista do que o próprio Papa, prestou um mau serviço à democracia portuguesa. Quanto à obra literária, não a conheço o suficiente para poder pronunciar-me. Como ser humano, obviamente lamento muito.

Nota: Reconheço que este post, escrito nesta altura, não será muito simpático. Mas esperem só até ouvirem Mário Soares, daqui a uns tempos, a fazer o seu elogio.

Acordo Ortográfico: Vasco Graça Moura em entrevista a “O Globo”

Não nutro simpatia por Vasco Graça Moura, porque sempre me provocou repulsa a defesa cega de homens ditos providenciais ou a vivência da política como mera paixão clubística, pecados, quanto a mim, cometidos pelo poeta e tradutor nos anos oitenta, como defensor feroz que foi do cavaquismo, um dos muitos períodos negativos da democracia portuguesa.

Nada disso me impediu de lhe reconhecer mérito como praticante e estudioso da língua e da literatura portuguesas. Nesta entrevista, Vasco Graça Moura tem o condão de sintetizar as principais críticas que merece o Acordo Ortográfico, usando, com propriedade, argumentos linguísticos e jurídicos. A ler, portanto, sem leviandade e sem preconceitos.

Vasco Graça Moura Nepalês

Esta coisa de receber os títulos no telemóvel às vezes pode gerar confusões ou coincidências. Por momentos cheguei a pensar que o Vasco Graça Moura tinha ido para o Nepal.

Contra o Acordo Ortográfico: uma espécie de conclusão

Muitas outras questões mereceriam, ainda, uma análise demorada, como a passagem dos nomes dos meses de próprios a comuns, sem qualquer argumentação, ou a supressão disparatada de acentos em determinados ditongos, mas não é possível nem necessário esgotar aqui todos os problemas levantados pelo AO90. Para além disso, quem quiser, verdadeiramente, informar-se sobre muitas outras questões que não abordei, facilmente encontrará nas páginas indicadas no primeiro texto desta série material suficiente.

As questões legais relacionadas com o AO90 são importantes, como ficou demonstrado. De qualquer modo, mesmo que a situação legal estivesse assegurada, o Acordo continuaria a ser negativo. [Read more…]

Ainda Graça Moura e o Acordo Ortográfico

Ainda que, para mim, as questões legais percam importância face ao direito de nos indignarmos, quando acreditamos que existem erros ou injustiças graves, é importante ler a resposta de João Roque Dias a Joana Amaral Dias, que criticou a decisão tomada por Vasco Graça Moura, tal como também fez aqui o nosso Pedro Correia.

Vasco Graça Moura, o Acordo Ortográfico e um país de lunáticos

Vasco Graça Moura, novo presidente do Centro Cultural de Belém, mandou retirar todos os conversores ortográficos dos computadores do CCB e determinou que fosse utilizada a antiga ortografia. Se Graça Moura, o poeta e escritor, pode ter uma posição pessoal sobre o assunto, é duvidoso que Graça Moura, o funcionário, possa impor essa visão aos trabalhadores subordinados apostados em cumprir a lei.

Este aspecto, assim comentado, ignora no entanto a fundamentação exposta por VGM:

“o Acordo Ortográfico não está nem pode estar em vigor”, já que, diz, na ordem jurídica portuguesa, “a vigência de uma convenção internacional depende, antes de mais, da sua entrada em vigor na ordem jurídica internacional”. Refere-se ao facto de Angola e Moçambique ainda não terem ratificado o AO, de que são subscritores, recusando os efeitos do “segundo protocolo modificativo”, assinado em 2004, que prevê que o AO entre em vigor desde que três países o ratifiquem. O ex-eurodeputado do PSD lembra ainda que o próprio AO exige que, antes da sua entrada em vigor, os Estados signatários assegurem a elaboração de “um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa”, algo que, alega, nunca foi feito. E defende que o acordo “viola os artigos da Constituição que protegem a língua portuguesa, não apenas como factor de identidade nacional mas também enquanto valor cultural em si mesmo”.

Não sei se, à luz do direito, assim é, mas, segundo o mesmo artigo do jornal Público, esta discussão surge “num momento em que crescem, dentro do próprio PSD, as vozes que se opõem ao acordo”.

Ora, aqui é que a porca torce o rabo: [Read more…]