Parece que só agora os economistas e os políticos se lembraram da Felicidade. Os políticos portugueses são mais lentos, daí que tão cedo (ou nunca) ouvirão a palavra sair das suas bocas. Vitor Gaspar, que é lentíssimo, soletraria a palavra, Fe-li-ci-da-de. Felicidade seria mais um lapso… nos seus discursos.
A Economia integra muito tarde o novo vocábulo e o valor em si. Depois de muita asneira feita. Á custa de muita infelicidade e de inúmeras vidas.
Eis uma história real que já contei no DN:
Era uma vez um rei que se preocupava com a felicidade do seu povo…
O seu pequeno e fechado reino situa-se nos Himalaias, numa Terra do Dragão encravada entre a China e a Ìndia. Para além de pequeno, o Butão (assim se chama esse reino) é considerada uma das menores e menos desenvolvidas economias do mundo. Mas numa coisa é grande: a Felicidade Interna Bruta é o factor mais importante.
O mundo começa a reparar na sua inovadora forma de medir FIB em vez de PIB. No dia 20 de setembro de 2010, o primeiro-ministro deste país pequenino falou perante as Nações Unidas, na monumental e capital do mundo, a cidade de Nova Iorque. Encheu a boca com a palavra «felicidade» – que provoca alguma estranheza e arrepios a muitos políticos – e defendeu que ela devia ser considerada pela comunidade internacional como o nono Objectivo de Desenvolvimento do Milénio.
Sendo o primeiro e não o nono, a lista ficaria reduzidíssima… digo eu. Sendo o nono, é esquecido, porque figura no fim daquela.
É preciso pôr a Felicidade no topo das preocupações dos governantes.







Eu vi esse interessante programinha sobre O Butão e seu rei e habitantes – esse reino por onde anadaram os jesuitas que foram os 1ºs ocidentais a contactar não exactamente o Butão mas o Nepal que são vizinhos e até onde chove sem ser preciso rezar – um deles, jesuita, acabou por ficar lá, sepultado – e “era amigo do rei” que não se cristianizou – já era religioso
http://facedaletra.blogspot.pt/2011/10/fib-em-lugar-do-pib.html
A propósito deste post, lembro que, há uma semana ou duas, a Visão entrevistou Gabriel Leite Mota, um investigador na área da Economia da Felicidade. O que ele diz está a léguas dos especialistas que pululam os media, não só no conteúdo, como na fundamentação, mais científica e menos dogmática. A começar por tornar evidente a falta de correlação entre PIB e felicidade (e quem pensa que então há pobrezinhos mas felizes, desengane-se, leia a entrevista, uma das chaves é a distribuição da riqueza produzida, outra a justiça, enfim tudo o que a austeridade anda a dinamitar a pretexto do crescimento económico).
Por acaso, há uma entrada no aventar sobre o senhor: http://aventar.eu/tag/gabriel-leite-mota/
Os reinos têm geralmente esse desígnio. caríssima, Céu.
Não andou o Senhor, meu Deus, a pregar uma República dos Céus, mas O Reino dos Céus = suprema, absoluta, acabada FELICIDADE.
Os comentários #4 e #5 säo täo confrangedores que só däo pena.
Leiam o livro “Managing Without Growth” de Peter Victor (näo sei se há traduçäo em português), está lá escarrapachado que a felicidade nos países ricos da OCDE atingiu o pico nos anos 70 (1972 se näo me engano) e daí para cá näo subiu mais, enquanto o PIB cresceu em cada um deles pelo menos 200% desde essa altura. Pois é, consumismo só para ter mais que o vizinho näo traz a felicidade. Vidas!
Mais um excelente post. Infelizmente não vemos quase nunca falar-se de felicidade das pessoas nos jornais ou noticiários. Tenho que confessar que até a mim me causaria estranheza, se começasse a ouvir os políticos diariamente a falar da felicidade das pessoas como o objectivo principal da nação… em vez do crescimento económico, do aumento da riqueza, do empreendedorismo, da competitividade, da produtividade. Fala-se da melhoria da qualidade de vida, só que traduzida pelo aumento do poder de compra dos cidadãos de um país.