Como lobos de súbito
irrompem na planície citadina
carregados de morte
Seu nome é violência
Trazem nas mãos mortíferos sinais
e de órbitas vazias
caminham em silêncio
envoltos na terrível solidão
do crime encomendado
Marginam as esquinas
escondem o rosto sob aço liso
dos negros capacetes
e anónimos ocultos
pela espessa cortina de ódio e névoa
como robots avançam
A morte engatilhada
espera o momento de partir Agora
Cumpra-se o ritual
Uma voz grita Viva
a liberdade O coro lhe responde
pontuados de tiros
Canalhas Temos fome
Arranquemos as pedras da calçada
Ó meu amor resiste
Resiste os olhos secos
Sem lágrimas Sem medo Só talhada
no sílex da ira
Pronta a dar corpo ao sonho
e entanto testemunha do martírio
companheira e amante
De mãos dadas cantando
abrimos flores às balas assassinas
merecemos a vida
Daniel Filipe






Como lobos de contos de fadas
miragens nos homens vemos
gentes de mentes estragadas
onde vampiros romenos
irrompem na planície citadina
cheia de casórios urbanos
que parece plana e divina
na cabeça de teus manos
carregados de morte
é a sorte de ser forte
Seu nome é violência
Rara e felix evidência
Violenta indecência
Trazem nas mãos mortíferos sinais
que entesam pelos pinhais
e de órbitas vazias
pois são cegos
tateiam os regos
e fazem razzias
eróticas e frias
caminham em silêncio
tal como o velho mêncio
esta tava difícil ó povo
envoltos na terrível solidão
ao estarem juntos de novo
a cada solitário cabrão
do crime encomendado
saiu um fado fadado
o phoder de phoder o povo
é um phoder todo novo
mesmo quando o phoder pintor
se atreve a mudá de cor