25 Poemas de Abril (VI)

Como lobos de súbito
irrompem na planície citadina
carregados de morte

Seu nome é violência
Trazem nas mãos mortíferos sinais
e de órbitas vazias

caminham em silêncio
envoltos na terrível solidão
do crime encomendado

Marginam as esquinas
escondem o rosto sob aço liso
dos negros capacetes

e anónimos ocultos
pela espessa cortina de ódio e névoa
como robots avançam

A morte engatilhada
espera o momento de partir Agora
Cumpra-se o ritual

Uma voz grita Viva
a liberdade O coro lhe responde
pontuados de tiros

Canalhas Temos fome
Arranquemos as pedras da calçada
Ó meu amor resiste

Resiste os olhos secos
Sem lágrimas Sem medo Só talhada
no sílex da ira

Pronta a dar corpo ao sonho
e entanto testemunha do martírio
companheira e amante

De mãos dadas cantando
abrimos flores às balas assassinas
merecemos a vida

Daniel Filipe

Comments


  1. Como lobos de contos de fadas
    miragens nos homens vemos
    gentes de mentes estragadas
    onde vampiros romenos
    irrompem na planície citadina
    cheia de casórios urbanos
    que parece plana e divina
    na cabeça de teus manos
    carregados de morte
    é a sorte de ser forte

    Seu nome é violência
    Rara e felix evidência
    Violenta indecência

    Trazem nas mãos mortíferos sinais
    que entesam pelos pinhais
    e de órbitas vazias
    pois são cegos
    tateiam os regos
    e fazem razzias
    eróticas e frias

    caminham em silêncio
    tal como o velho mêncio
    esta tava difícil ó povo
    envoltos na terrível solidão
    ao estarem juntos de novo
    a cada solitário cabrão
    do crime encomendado
    saiu um fado fadado

    o phoder de phoder o povo
    é um phoder todo novo
    mesmo quando o phoder pintor
    se atreve a mudá de cor

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