25 Poemas de Abril (XXI)


Vampiros

No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]

A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas

São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada

No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada

Se alguém se engana Com seu ar sisudo
E lhe franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada

José Afonso

Comments

  1. Ignacio says:

    Eles comem tudo: eis a mensagem mediática do PSOE; eles não deixarom nada: eis a do PP. Os clássicos, como conceito, homens,, mais e mulheres, menos, são clássicos e, portanto, universais, e, portanto apropiáveis por qualquer. É por isso que são clássicos, comuns a gente qualquer. Também é verdade que o uso determina; mas, por acaso pensamos é que por qualquer coisa existe um acaso? Que espécie esta da que formamos e constituimos.
    E, acabo, sabe alguém de palavra ou frase não intervida e matada? Pode alguêm considerar eles comem tudo nunha cita congresual do PSD? Pois sim. Pode alguêm considerar vámpiros no PP? pois sim. E no PSoe, tambêm.
    Mais nada, contenho-me.

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