Por que razão os professores não são ouvidos?

Segundo ouvi dizer, o ministro da Saúde poderá reunir com os médicos, um dia depois de estes terem participado numa greve que durou 48 horas e contou com uma elevada taxa de adesão. Para além disso, ao que parece, esta greve foi um êxito de relações públicas, uma vez que os médicos terão contado com a compreensão de muitos cidadãos.

Os professores, face àquilo que se passa na Educação, continuam a não ser ouvidos, porque, desde 2005, entre manifestações, greves e tomadas de posição da classe docente, as políticas educativas têm vindo de mal a pior.

Ontem, houve uma manifestação de professores em Lisboa. Diante do desastre em que vive a Escola Pública, faria algum sentido que o número de participantes tivesse sido muito maior. Na minha opinião, a indignação deveria estender-se, até, a todos aqueles que se preocupam com a Educação, área muito mais ampla do que todos os reais problemas laborais dos professores.

O debate sobre a aparente afonia dos professores ou a provável surdez da sociedade já começou há algum tempo, mas está estranhamente parado, devido a muitas e variadas desconfianças. Para bem da Educação, seria importante que a discussão recomeçasse e que houvesse abertura para que se percebessem as causas da desmobilização ou para que se pensasse na possibilidade de recorrer a novas formas de luta ou para que se descobrissem novas maneiras de explicar à opinião pública os problemas da Educação.

Os professores querem falar? Quem quer ouvi-los?

Fotografia: Sandra Bernardo

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Os governantes terão certamente “dores de cabeça” (e outras de situações inconfessáveis) e precisam dos médicos para nem dormirem tanto na AR como se nota quase dia a dia – Mas se não sabem ler nem escrever e sobretudo nem interpretar, para que lhes servem os professores, que nem sabemos quem foram e se metem os seus meninos em colégios privados e depois em Bolonha ??

  2. Nightwish says:

    A menos que os professores façam coisas como fazer greve em dias de exames nacionais, bem podem esperar sentados.

  3. Francisco Cardoso says:

    Talvez a banalização do instrumento da greve? Ou que tal greve dos professores no lugar de greve dos sindicatos dos professores? E porque Escola Pública e não Ensino Público, ou será esta a única que oferece um ensino público aos cidadãos?


  4. Não são ouvidos porque tiraram o curso errado, mas ainda vão a tempo de trocar créditos numa universidade qualquer. bfds

  5. Miguel Costa says:

    Deixo uma palavra cheia de significado: corporativismo.
    Os médicos sofrem disto elevado ao seu máximo expoente. Já os professores, tirando honrosas excepções, vivem num permanente saco de gatos.
    Esta resultante de forças tem como resultado final o trabalho (definição física do mesmo) nulo. Desta forma, quer o ministério que rege o sector, quer a opinião pública, retiram credibilidade às legitimas chamadas de atenção desta classe profissional.
    Por outro lado, e fazendo a comparação com a restante população, os professores têm um horário completo, no local de trabalho, de 22 horas ao contrário dos restantes que têm 40 horas. Isto, só por si, já é considerado uma enorme regalia por parte da restante população, que nem se apercebe do trabalho prévio e posterior que existe para desempenhar a função durante as 22 horas.

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