Cursos CEF e Profissionais – é urgente uma solução

Desde há uns anos que as Escolas Públicas (tal como algumas privadas) oferecem aos seus alunos a possibilidade de fazer um curso profissionalizante, algures ali pelo terceiro ciclo. Estes Cursos de Educação e Formação (CEF) destinam-se a alunos com o 6º ano concluído, tal como refere o IEFP:

“Face ao elevado número de jovens em situação de abandono escolar e em transição para a vida ativa, os cursos de Educação e Formação para jovens visam a recuperação dos défices de qualificação, escolar e profissional, destes públicos, através da aquisição de competências escolares, técnicas, sociais e relacionais, que lhes permitam ingressar num mercado de trabalho cada vez mais exigente e competitivo.”

 

Este texto parece saído dos discursos do Paulinho das Feiras, mas retrata, formalmente o que é um CEF  – alunos “complicados”,  em risco de abandono que são encaminhados para um curso onde aprendem uma profissão (pasteleiro, empregado de mesa,…). Naturalmente, pelas suas dificuldades, muitos destes alunos seguiam, depois, para um curso profissional ao nível do ensino secundário.

Acontece que o comentador Nuno Crato, agora Senhor Ministro, decidiu poupar mais umas gorduras e impediu a abertura de milhares de turmas, quer de CEF, quer de profissionais.

Mas há um detalhe que torna o cenário ainda mais complicado:

A maioria dos alunos dos CEF não fizeram, por não terem que o fazer, os exames de matemática e de português do 9ºano  – iriam entrar num profissional para prosseguir a formação, logo, poderiam abdicar dos exames.

E agora?

Não fizeram os exames logo não podem ir para o ensino regular (10ºano). Mas, por outro lado, como o MEC não autoriza os cursos profissionais, também não podem fazer esse percurso.

Chegaram a um destino sem ponto de retorno, mas que também não tem saída.

É vergonhoso que isto esteja a acontecer com os alunos mais desfavorecidos, aliás, os que têm menos capacidade familiar de encontrar uma solução para o problema. E são aos milhares. Como se vai resolver isto?

Comments


  1. O que disseram na minha escola não foi que os cursos profissionais iam acabar, mas sim que deixam de ser financiados pelo POPH, ou seja, a partir de Setembro os alunos dos C. Prof. terão de pagar as suas refeições na cantina da escola, os transportes para ir para a escola e os livros como qualquer aluno do ensino regular. Mas os C. Prof. podem abrir, desde que existam no mínimo 26 aluno para se constituir turma.


  2. A definição da rede foi clara. A abrir, apenas do regular! Até porque os CEF podem ter despesas com formadores incomportáveis para os alunos. Isto é uma situação mais do que lamentável. Quase criminosa.


  3. Eu falava nos C. Prof., porque a minha escola não tem CEF. Mas concordo consigo, relativamente aos CEF.

  4. maria celeste ramos says:

    uantos mais quizerem apenas ser doutores mais serão os desempregados – recordo quando havia a Escola Comercial e a Escola Industrial, curso médio que permitia imediatamente entar na vida profissional e, se queriam, fazer exame de admissão è universidade, bem como o Regente Agrícola (Santaré e Coimbra) – Mas todos queriam ser dr e engº – Aliás como as Escolas profissionais de que fui co-fundadora da primeira EPED 1992 (Escola Profissional de Educação para o Desenvolvimento) integrada no Plano de Desenvolvimento de Setúbal – sita no Monte de Caparica – alguém entendeu acabar com a Escola (que empregava todos os alunos em geral no local onde faziam estágio profissional) – estes meus alunos estavam mais bem preparados do que na Lusófona onde, no mesmo tempo, ensinava de acordo com o que constatei e os alunos me diziam
    Hoje a mania do dr e o complexo de não ser dr nem enº e a aldrabice de Bolonha ++ etc – desfez a pirâmide dos graus escolares e não aumentos os saberes e competências – agora há desempregados e complexados – Também o numerus clausus introduziu perturbações e a vocação era em função dos “cursos” onde havia a possibilidade de melhor “salário” porque ser doutor, como dizia ontem na rua uma senhora que foi entrevistada, que há muita gente com dr atrás do nome que são BURROS – TTambém acho – não se brinca com a Saúde e o Ensino nem os profissionais nem os alunos que não podendo segir a “vocação” só seguem a “opção” – está a estrutura do Ensino muito esfrangalhada e já vi “aluna minha” do INP (Inst Nacional das Novas Profissões) a trabalhar em Caixa de Supermercado – Como estamos no rescaldo do dr. gostava de saber se não há mais formação de técnicos para reparar electrodomésticos ou “pintar paredes” ou serem mecânicos de automóvel, sendo que se deita fora o fogão e esquentador e mesmo automóvel (o meu actual tem 18 anos com 75 mil km) compra-se outro num verdadeiro consumismo e desperdício e aumento de LIXOS que nem se reciclam – E por acaso tive um Esquentador que durou 25 anos e um fogão, e que tive de deitar fora porque ao surgir o GAS NATURAL e a invasão dos “esquentadores espanhõis EDESA – uma verdadeira porcaria” já que ninguém o soube (ou quiz) transformar mudando a “cabeça” – A mentalidade herdada de países ricos do Norte que empobreceu e transformou mentalidades do sul e as classes profissionais, já que em 1980 em Hamburgo e Colónia e Bilafeld, à noite na rua, apareciam electrodomésticos que me apeteceu “trazer para casa” e a moda e grande exemplo dos “países ricos” cêdo aqui chegou e desiquilibrou tanta coisa lavando tabém a nova mentalidade e inconsciência – o consumismo bacoco
    Está a sair caro o complexo do doutor – e já ninguém quer ser “bacharel” – só doutor mesmo mas não pegam na enxada
    para cultivar batatas e fruteiras embora o pudessem fazer pois mais valorizariam os que nunca desistiram de nos alimentar (agricultores e pescadores que até podem e mesmo devem, de facto, ter a escolaridade mínina obrigatória) MAs a mania do doutor até acaba com as profissões tradicionais e necessárias e mais dignas até do que muitas outras “aldrabadas” – Até para se ser futebolista é preciso aprender a ler e escrever e comportar socio-culturamente para não se tratar por você o PR porque “isto não é tu cá tu lá” e o saber só pode contribuir para se “colocar tijolo em cima de tijolo” com maior eficiência, rapidez, e prazer de o fazer – e veja.se bem como quanto mais doutor mais ladrão como mostra o documentário SIC de há 2 dias – onde estão os eis governante do PS e PSD – sobre os que arrazaram o país cultural e conomicamente e eticamente e se “sentam numa cadeira em casa” como se sentaram na “cadeira do poder” e quantos teriam feito “as cadeiras” escolares e como onde com ou sem Bolonhae já agora, sendo ineressante como em Itália basta ser “bonita” para se alcançar o posto de “ministra” em cujo Parlamento se dá o espectáculo de andarem à “porrada” e o mundo já não pode, assim, dizer que os exemplos vem de “cima” pois que já se anda tão baixo, de cú no chão

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