Tendo em conta o passado próximo, as desconfianças enunciadas pelo Paulo Guinote fazem sentido. No entanto, a atitude hoje assumida por várias entidades, exigindo ser recebidas em conjunto, teve o condão de obrigar Nuno Crato a definir-se.
Em primeiro lugar, mostrou-se manhoso, um político a sério, no sentido maquiavélico do termo, ansioso por conseguir dividir os adversários, lançando-os uns contra os outros. Depois, fez uma declaração que, parecendo explicar a sua atitude, serviu, na realidade, para manifestar o desejo de desunião: “Uma coisa são problemas salariais e falamos com os sindicatos; outra são as preocupações dos pais, e falamos com os pais; outra são as dos directores, como é o caso da organização de trabalho das escolas.”
A verdade é que, do ponto de vista de quem se preocupa com Educação, todas estas questões têm de interessar a todos. Um pai consciente deseja professores justamente remunerados; todos os professores e directores deverão ser sensíveis às preocupações dos pais; a organização de trabalho das escolas não diz respeito apenas aos dirigentes escolares, como é evidente. Note-se, entretanto, a armadilha insidiosamente estendida aos sindicatos e aos professores, reduzidos a uma gente materialista, preocupada, apenas, com o dinheirinho.
Nuno Crato definiu-se. É chegado o momento de todas as entidades e todas as pessoas ligadas à Educação fazerem o mesmo e, a propósito, não é demais lembrar que as manifestações e as vigílias são importantes, mas não são suficientes. Por isso, em minha própria representação, estarei, amanhã, às 17h, em frente à DREN.
Adenda: eu escrevi “amanhã, às 17, em frente à DREN”? Não é amanhã, é hoje. Até logo.




Comunidade educativa? mas o Albino ou o Nogueira fazem parte de alguma comunidade educativa? incluir estes dois profissionais da “confusão educativa” na comunidade educativa, é insultar aqueles que efectivamente fazem parte dessa comunidade.
O repúdio pelas políticas deste governo é transversal à sociedade portuguesa.
O custe o que custar está a custar muito, mas vai mobilizando cada vez mais descontentamento.
E a luta não vai parar.
Olhando para as crescentes manifestações de desagrado, mesmo de militantes e apoiantes dos partidos da maioria, agravadas pela derrapagem contínua da política orçamental e pelo descrédito de alguns ministros, bem podem continuar a fingir que vamos por bom caminho … a menos que o bom caminho seja a aumento das lutas e a derrota destas políticas.
As desconfianças (do link) mencionadas no texto são direccionadas para as organizações e não para o MEC. Numa altura em que esta posição é de aplaudir e fazer com que vingue, lançam-se desconfianças. Mas não em relação ao MEC que não quer reuniões conjuntas mas sim em separado.
E pergunto porquê.
E aí eu é que fico desconfiado.
E, já agora, e referindo o mesmo link, do que eu desconfio é de posições de luta como a de uma greve (que afinal não é uma greve) no início do ano letivo a ser implementada pelos directores das escolas que não entregariam os horários. Segue-se que os professores não dariamo aulas, mas ocupariamo os alunos em actividades lúdicas.
Ou seja, propõe-se uma coisa que não é bem, bem uma greve, mas que faz com que os professores percam dias de vencimento…..enquanto trabalham na escola.
Bonito!
E eu que nem sou uma pessoa compulsivamente desconfiada, desconfio.
*dariam aulas, mas ocupariam os alunos
Desculpem, cada vez vejo pior.
Mas desconfio, sim senhor.
O problema é que ainda há resistências quanto ao obrigar-se Nuno Crato a definir-se.
Para quem tanto aplaudiu e acreditou que vinham aí boas medidas para a escola, custa admitir que este ministro tem vindo a fazer um péssimo trabalho em toda a linha.
Nuno Crato já se definiu há bastante tempo.
Resta que outros se definam também para que alguma coisa resulte contra a destruição da escola pública, um dos sectores onde houve grandes melhorias, apesar de tudo o que sabemos que não tem resultado.
Será preciso voltar ao tempo em que os pais faziam grandes sacrifícios para porem os filhos a estudar, com a agravante de que os pais de hoje têm de orientar os filhos nos cursos que escolhem para não serem desempregados da geração “mais bem qualificada”, porque o boom do crédito acabou, e ele nunca mais será tão barato que permita aos Estados serem “ricos” e proporcionarem grandes serviços às populações (a não ser que haja alguma revolução industrial ou tecnológica).