Acordo Ortográfico: e quando um brasileiro procurar a recepção de um hotel…

 

Graças à uniformização ortográfica alegadamente proporcionada pelo chamado acordo ortográfico (AO90), será cada vez mais provável que os turistas brasileiros, ao procurarem a recepção de um hotel em Portugal, deparem com a “receção do hotel“.  Efectivamente, por obra e graça do AO90, a palavra em causa passa a ter grafias diferentes: a primeira mantém-se no Brasil, a segunda é novidade em Portugal.

Imagine-se que o turista em causa sabe que Portugal já adoptou o AO90. Imagine-se, ainda, que o mesmo turista, à semelhança de muitas pessoas, iludido por publicidade enganosa, ficou a pensar que portugueses e brasileiros utilizavam, agora, a mesma grafia para todas as palavras. O surpreendido turista poderá imaginar que o hotel ainda não adoptou a nova ortografia ou poderá chegar à conclusão de que, afinal, o chamado acordo ortográfico será, com certeza, ortográfico, mas dificilmente será um acordo.

É claro que a cereja no bolo desta confusão estará visível na chapa que a recepcionista poderá ostentar na lapela: aí poderá ler-se “Fulana. Rececionista“.

Comments

  1. Angela Dutra de Menezes says:

    Aqui no Brasil, hotéis têm RECEPÇÂO.

    Ao menos no português brasileiro, a palavra RECEÇÃO não existe


    • Nem mais. E não existe em português europeu. Ou não devia existir. Só mostra a estupidez do acordo: ao menos que se adoptasse o português do Brasil em Portugal 🙂 Sempre fazia mais sentido…

  2. maria celeste ramos says:

    Que se lixem os brasileiros – que tratem da amazónia antes que derreta como a gronelândia – pelo menos os indios que ainda não lixaram já andam xatiados demais

  3. Rui Miguel Duarte says:

    Resposta à pergunta de António Fernando Nabais: um brasileiro encontrará a… recessão de um hotel. Pois “receção” e “recessão” serão, para um brasileiro, pronunciadas identicamente.

Trackbacks


  1. […] via Acordo Ortográfico: e quando um brasileiro procurar a recepção de um hotel… – Aventar. […]


  2. […] Alguns defensores do chamado acordo mostraram um tímido contentamento, festejando a ilusão de que, agora sim, passa a haver sintonia ortográfica entre Brasil e Portugal. Convém re-re-relembrar que a par de algumas aproximações ortográficas, o AO90 mantém muitas diferenças preexistentes e, re-re-re-pasme-se!, cria diferenças anteriormente inexistentes, obrigando, por exemplo, a que os hotéis portugueses deixem de ter recepção. […]

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