Hóquei em Campo: Maré alta dos portugueses continua

Armindo de Vasconcelos

Bernardo Fernandes é, desde o passado dia 1, o coordenador da formação de um dos clubes históricos do hóquei holandês, o Venlose HC, da cidade de Venlo, que faz hoje 84 anos. Há menos de um ano na Holanda, este português de Cascais é, aos 26 anos, a mais recente jóia da coroa do hóquei português.

Chegado a Venlo em Outubro de 2011, para realizar um estágio de quatro meses no âmbito do seu projecto pessoal, iniciou-se a treinar e a jogar no Venlose HC.

Começou, de seguida, a treinar uma equipa feminina de sub-18, passou para os sub-16 e sub-18 masculinos e terminou a época como treinador assistente da primeira equipa feminina.

É então que surge o convite parra coordenar a formação, “ um desafio muito grande se atendermos ao facto de durante a temporada ter de coordenar os treinos, workshops, clinics, entre outras coisas, de 32 equipas na formação, nos quais estão envolvidos aproximadamente 40 treinadores”. E continuará como treinador assistente da primeira equipa feminina.

Dada a proximidade de Venlo com a Alemanha, nos últimos 15 anos o Venlo contratou imensos jogadores de topo alemães, quer para as suas equipas masculinas quer femininas. A par dos grandes resultados desportivos, descurou-se, no entanto, a qualidade ao nível da formação, “sendo esse panorama que o clube está a tentar inverter actualmente”.

Socorrendo-se das boas relações com dois monstros da formação holandesa, os clubes Den Bosch e Oranje Zwart, haverá uma certa influência destas duas escolas de sucesso neste plano do português, que passa pelo “maior investimento nas bases, os melhores e mais qualificados treinadores estarão nos escalões mais jovens”. “Todas as equipas de formação terão metodologia standard para estrutura de treinos, cantos curtos, aquecimento para jogos e jogos” e “implementação de um treino semanal extra (opening training) com 50% de carga física / 50% de treino específico e cantos curtos (neste tipo de treino, será um treinador por cada 5 jogadores)”; “todos os treinos de sub-10 terão um treinador principal e dois assistentes, que são jogadores jovens dos quadros do clube”; “apoio e aconselhamento pedagógico para jogadores, pais e treinadores até sub-15 / mental coaching a partir dos sub-15”; “plano físico a partir dos 13 anos, sem utilização de máquinas convencionais”.

Fica claro, só por esta amostragem, que os portugueses, quando enquadrados por condições de trabalho de excelência, rapidamente sobressaem. Pelo resumo que aqui deixamos, fica desde logo patente que só o Venlose tem mais treinadores credenciados do que o nosso país.

O que seria, então, o nosso hóquei se, de uma vez por todas, se começasse a trabalhar bem, sem clubites exacerbadas, pondo o desenvolvimento sustentado da modalidade como patamar único da formação, e não essas experienciazinhas de quem luta e, alegadamente, forma para ser campeão numa realidade de subdesenvolvimento.

Algumas excepções já nos levaram a um título europeu, temos de tirar dividendos desta visibilidade cada vez maior do hóquei português na Europa e deixarmo-nos de brincar àsstickadas.

Neste primeiro ano, retribuir a confiança que o clube depositou em mim, construindo alicerces para um plano de formação sustentável a longo prazo e, desta forma, corresponder às expectativas… a longo prazo, continuar a qualificar-me de forma a ser um treinador cada vez mais preparado e actualizado e, quem sabe, construir uma carreira a nível internacional e colaborar com as selecções nacionais de Portugal”. Bernardo Fernandes dixit!

Fonte: fphoquei.pt

Foto: fphoquei.pt

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