O Meu Movimento

O governo já deu início à 2ª edição de O Meu Movimento. Qualquer cidadão pode criar um movimento, baseado numa causa que considere popular. O mais votado será recebido por sua excelência o Primeiro-Ministro.

Reparo que no Top 5 estão movimentos pró-animais. Em cinco, 4 estão associados aos animais. E mais uma vez as touradas vêm à baila… Um apenas está preocupado com as PESSOAS (defende a limitação do número de alunos por turma), e está muito bem.

Crie o seu movimento. É muito fácil, eu própria o fiz na 1ª edição (mas não deu em nada, claro). Se defender as pessoas e os seus direitos, tem o meu voto!

E já agora, o que é uma causa popular para si? Que o levasse a criar um movimento «de jeito»?

Regresso ao ruído hertziano

Boa noite, meus senhores, minhas senhoras, lindas flores
Que aqui estais neste salão,
Eu p’ra todos vou cantar e a todos quero saudar,
Do fundo do coração.

Conheceis esta charamba? Se não, ide ouvi-la aqui  e lê-la aqui.

Andei uns tempos por lusas terras sem radiações e, confesso, sinto-me muito, muito, mais saudável. Mas olhem que não foi pela ausência das malvadas ondas hertzianas do wi-fi mas porque não vi televisão, não ouvi rádio, não li jornais e não tive net. E sabeis que mais? Não me fez falta nenhuma e, ao que parece, a vida continuou no seu habitual (e fadado) ritmo.

Mas voltei, voltei de lá. E descobri que anda tudo histérico com a RTP, com taxas e quejandos. Devem ser as saudades do Prós&Prós ou do Preço Certo. Disso ou de uma empresa que estoirou mais dinheiro do que os transportes públicos, é usada por todos os governos para propaganda e ainda para mais recebe um maravilhoso imposto cobrado na factura da luz, veja-se ou não a dita. Mas, é em prol da  cóltura, logo, vale a pena – é isso, não é?

Ai, ai, ai. Era para só para dar as boas noites e já me estou a esticar pela politiquice. Bem se vê que as férias já se foram.

PS: para evitar julgamentos por quem leia mais do que o que está escrito no post, desde já declaro que as notícias plantadas na comunicação social sobre a forma de vender a RTP demonstram uma enorme demência governativa.

Saia uma equivalência em Linguística Petrolífera para Miguel Relvas

aquilo que nos une a todos é a língua e a língua é o petróleo desta relação, é o que nos dá força, é o combustível desta relação e nós temos de continuar nesse caminho

Relvas dixit, em Timor.

Postcards from Romania (16)

Elisabete Figueiredo

O património que importa

… e enquanto as pessoas são o património que importa, chego a Sighisoara. Património da UNESCO. Mais uma folclorização. Podia ser pior, suponho, e é bonito de se ver, acrescento.

(Sighisoara, 10 de Agosto de 2012)

Relvas restaura o império colonial

Do Minho a Timor.

Postcards from Romania (15)

 Elisabete Figueiredo

As aldeias da Roménia

As aldeias da Roménia, já o disse, existem para além da minha imaginação. Reparem que não estamos num país inefável (como dizia o Sena), mas sim num país da União Europeia. Venho de Brasov, uma cidadezinha encantadora, se excluirmos os blocos de apartamentos dos arredores, as estações de autocarros e de comboio. Vou para Sighisoara, uma vila – diz-me o meu guia (atualizado, acabei por comprar um novo, em francês) – património mundial da UNESCO.  E no meio, esta Roménia. [Read more…]

A múmia seca de uma democracia

O jornalista José Vitor Malheiros já nos habituou aos bons textos e às pertinentes perguntas. Hoje, no Público, sublinho o que escreveu, que é quase:

1- O exercício da cidadania numa democracia não se esgota na prática do voto durante as eleições;

2- Espera-se de um cidadão responsável que, na medida das suas possibilidades e interesses, aja politicamente;

3- que participe nos debates políticos onde estão em causa os princípios que moldam a vida pública e as normas da vida em sociedade;

4- que tome posição;

5- que defenda os seus pontos de vista e os seus interesses usando os meios à sua disposição, da discussão pública no café ou no Facebook ao uso dos meios de comunicação clássicos e de outros fóruns;

6- que interpele os poderes;

7- que participe nas organizações profissionais e sindicais que lhe dizem respeito; que lute por condições que garantam maior equidade, justiça e bem-estar para si, para os seus camaradas de trabalho e para a sociedade em geral. [Read more…]

Herói nacional com 100 anos de perdão

Carteiristas: um português foi ao bolso da troika. Albert Jaeger, representante do FMI, ficou sem a carteira no eléctrico 28.

Aborto mental

No Estado do Arizona, EUA, as mulheres ficam grávidas duas semanas antes de todas as outras mulheres do planeta Terra.

Siga.

Oferta de Emprego para a Vera Pereira

Confesso que pensava já ter visto tudo, mas há sempre uma surpresa a caminho.

Então o IEFP divulga uma oferta de emprego com o nome do destinatário?

E, para melhorar a situação o IEFP comenta que foi um:

“lapso registado no procedimento” mas afirma que “a situação identificada é perfeitamente normal”

Eu, tal como a notícia de serviço público da RTP, apetece-me perguntar como é que um candidato faz para poder mudar de nome?

Comecem por visitar uma Conservatória e mudar, então, o nome para Vera Pereira. Têm é que andar depressa para ir a tempo de apanhar a oferta…

Nota (23h): parece que a coisa não é, afinal, o que parece. O diz que disse e o explica sem explicar vai já em várias versões… Até próxima informação fica a informação disponível no Jornal Público.

Pergunta muito ingénua

Marques Mendes já foi preso ou ainda anda por aí a defender a privatização da RTP ?

Pergunta para a Procuradoria Geral da República

Destruir deliberadamente um bem público para benefício de privados não é crime? ou já prescreveu?

de ocasião!

Foto da II Guerra Mundial

Frente de Leninegrado. Na imagem, um grupo de oficiais alemães e portugueses observam um capturado ou destruído tanque russo do tipo KV1. Eram normais estas visitas de elementos de exércitos de países neutrais, às frentes de combate do Eixo e dos Aliados e neste caso, conhecemos bem um dos oficiais portugueses. Em último plano, à esquerda e entre dois militares da Wehrmacht, vestindo um sobretudo e de bivaque escuro na cabeça, está aquele que mais tarde seria o Marechal Spínola. Na foto não conseguimos vislumbrar o famoso monóculo. Terá adoptado a moda nessa visita à Frente Leste?

Pergunta para Marques Ganda Nóia Mendes

Quanto custou ao país o fim da taxa de radiodifusão?

Postcards from Romania (14)

 Elisabete Figueiredo

As mãos peganhentas e o cheiro a ferrugem

Reparo numa senhora a fumar. Proibido? Penso em pedir-lhe que me deixe fotografá-la. Mas está longe e não peço e fotografo-a na mesma.

O comboio para em todas as estações e em todas elas, até menos de meio caminho, até Augustin, saem ciganos e sacos e caixas. Em todas as estações há carroças puxadas por cavalos e eles sobem para elas numa alegria sem fim. No comboio, há longos minutos, um miúdo cigano canta, desalmadamente, com a voz cheia de trinados. [Read more…]

Manuais escolares usados, onde encontrar

Pode começar por ir à página principal do Movimento pela reutilização dos livros escolares. Entre outras coisas, ficará a saber que se trata de “um movimento informal de cidadãos que promove a criação e divulgação de bancos de recolha e troca gratuita de livros escolares em todo o País.”

Caso queira saber qual dos 97 bancos existentes fica mais perto de sua casa, pode consultar esta lista.

A alforreca Borges

Postcards from Romania (13)

Elisabete Figueiredo

O comboio para Sighisoara

Nunca vi um comboio tão velho, tão ferrugento, tão sujo. Sento-me e imediatamente a minha pele se entranha no cheiro a ferrugem. Ao meu lado uma família. À minha frente senta-se uma senhora. Ponho a mala na grade. Que grade, senhores! Juro que nunca vi nada assim. Entrei noutro filme do equivalente romeno do Kusturica e desta vez, desta vez, é a sério. Mil olhos. Quem dera, para guardar tudo. Para ver tudo, para experimentar tudo aquilo.

Peço à senhora da frente se me olha pelo saco em cima do banco. Vou à plataforma fumar um cigarro. Diz que sim, com a cabeça. A viagem, diz-se, demora 3 horas. É proibido fumar no comboio. Depressa me darei conta que, também isto, não faz qualquer sentido.

Ao fumar penso que raio, por que raio não vou no rápido uma hora mais tarde. Digo de mim para mim por que raio não hei-de ir neste. Sabe-se lá se voltarei a andar num comboio assim, Foram precisos 45 anos para andar num comboio assim. Reentro. Abro a janela. Sento-me.

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António Ferreira – Respirar debaixo de água

Coimbra filmada por quem a sabe, provavelmente pela primeira vez sem um único plano-postalinho com torre ao fundo. Aliás Coimbra sem universidade, só nós, os coimbrinhas, e como a gostamos. [Read more…]

Fotografias imaginadas: Lennon e Che


John Lennon não esteve com Che Guevara

Postcards from Romania (12)

Elisabete Figueiredo

Ainda em Brasov, a caminho de Sighisoara, este postal é para o José Guimarães

Faz-me falta o meu amigo, quando me sento nas esplanadas a ver passar as pessoas. As romenas são giras, Zé. Mas teríamos material de análise para os próximos 25 anos, te asseguro.

Teria mil postais hoje. Mil. Tal como tenho, às vezes, mil olhos, sendo certo que nunca serão suficientes.

Do centro vou para a estação dos caminhos-de-ferro. Compro o bilhete para o próximo comboio, bem vejo que é regional, mas ainda assim compro o bilhete. Espero meia hora na estação. Está cheia de ciganos (politicamente correto seria dizer ‘roma people’). Homens, mulheres, crianças. Os putos, especialmente os rapazes, assumem um ar muito másculo, nas suas camisolinhas de alças. Alguns escarram para o chão. Outros carregam sacos e saquinhos, empurram carrinhos. Como os pais.

Os ciganos representam cerca de 2% da população romena. A algazarra de sacos é imensa. Compreende-se, muitos, quase todos, serão nómadas ou perto disso, andam com a casa atrás. Nada a dizer. Se eu tivesse que carregar a minha casa às costas para trás e para diante, o que faria? De repente, ao pensar nisto lembro-me do Moonlight Kingdom, do Wes Anderson, que vi em Lisboa, agora. A rapariga quando foge de casa leva uma mala. Como é uma miúda bem arranjada, de sombra colorida nos olhos, espera-se que a mala contenha roupa. Um dia ela abre-a. A mala está cheia de livros. Para mim, é a cena mais bonita do filme. [Read more…]