Dúvida de Verão

Quem é a Margarida Rebelo Pinto?

Agora que eu estava a ficar com saudades do exilado em Paris

Obrigado André Azevedo Alves. Passou-me num instantinho.

Quando a premissa é falsa, quero lá saber do programa do governo

Programa do ainda “actual Governo“:

O Grupo RTP deverá ser reestruturado de maneira a obter-se a uma forte contenção de custos operacionais já em 2012 criando, assim, condições tanto para a redução significativa do esforço financeiro dos contribuintes quanto para o processo de privatização.

Sendo mentira, a parte da “redução significativa do esforço financeiro dos contribuintes“, ficaria por aqui, deixemos agora o Marques Mendes que descapitalizou a RTP acabando com a taxa de radiodifusão ou a taxa/EDP que foi inventada na curta estadia de Durão Barroso em S. Bento, tudo às ordens do tio Balsemão que agora se descobre enquanto aprendiz de feiticeiro, nem estou virado para discutir o caso privatização da RTP propriamente dito, uma toleirada de Agosto inventada à pressa para tapar o absoluto e definitivo falhanço das metas orçamentais. Mas ao procurar no tal programa de governo não pude deixar de ler um parágrafo anterior:

As mudanças em curso (v.g. a Televisão Digital Terrestre, que deverá cobrir todo o País em 2012, e as novas gerações de banda larga) exigem especial cuidado de forma a garantir que não há cidadãos excluídos particularmente por razões económicas, pelo que o Estado compromete-se combater qualquer tipo de exclusão, actuando de forma rigorosa na esfera legislativa e reguladora.

Perante factos, nem vale a pena gastar argumentos. Esta gente é tão rasca que ainda acordo com saudades do exilado parisiense um dia destes. E aí, não respondo pelos meus actos.

Fonte do gráfico.

Sobre a R.T.P.

Uma vez mais o governo português parece andar à deriva. Por um lado pretende mostrar serviço à troika, por outro tem medo da opinião pública interna e não quer efectivamente colocar em causa as vacas sagradas, neste caso a RTP, preferindo optar pela cosmética à efectiva mudança. Pela parte que me toca defendo há muito a total privatização de todos os elefantes brancos que muito dinheiro custam ao contribuinte, mas servem, tem sido assim ao longo de décadas, aos partidos políticos para colocar boys em jobs bem remunerados. A RTP é apenas mais um triste exemplo. Bem sei que na U.E. existe a tradição de manter um ou mais canais públicos de televisão, mas existe mundo desenvolvido para lá do espaço da U.E., onde as televisões e não só, mesmo privadas, são exemplos de isenção e independência face ao poder político. Nos E.U.A. por exemplo, já provocaram a demissão a um presidente e condicionaram a manutenção no poder ou eleição a inúmeros políticos.  [Read more…]

«Na cama com Deus»

Foi assim que a jornalista do Público, Susana Moreira Marques, intitulou o seu artigo sobre o escritor inglês Graham Greene (Público, 25/8), na rubrica «Os Livros também têm biografia» que sai aos sábados. Transecrevo parte o artigo:

Em 2012, as histórias que rodeiam O Fim da Aventura – um livro que falta reeditar em Portugal – estão talvez fora de moda. Graham Greene marcava o fi m de uma época – em que se conhecia o desespero e a glória, e Deus era uma questão pertinente. (…) Poucos livros incluem Deus como personagem, e quando assim acontece, normalmente não são um sucesso. Quando O Fim da Aventura saiu em 1951, Deus já estava fora de moda.

Não gostei: 1º) afirma que o livro O Fim da Aventura, daquele autor, «falta reeditar em Portugal», o que não é verdade; 2º) refere que, no tempo em que nos encontramos, as histórias que rodeiam este livro «estão talvez fora de moda» (não percebo como uma história, seja ela qual pode estar desactualizada); 3º (o ponto fulcral que me levou a escrever este post) “Quando O Fim da Aventura saiu em 1951, Deus já estava fora de moda“; 4º a jornalista julga que na altura em que foi escrito o livro, “Deus era uma questão pertinente“, ou seja, hoje já não é…

Para a jornalista, as histórias desta obra «estão talvez fora de moda» porque Deus é personagem nela.

Por sorte, Susana M. Marques transcreve um excerto do prefácio assinado por Jorge de Sena que é também quem traduz a obra: “Em que medida um católico de consciência e de prática com o talento extraordinário de Greene pode ser, para o mundo de hoje [estava-se em 1953], uma figura extremamente importante?”

Não será Deus a questão de todos os tempos, negando-o ou aceitando-o?

Deus não é uma moda. Logo não pode dizer-se que «estava» ou está fora de moda. E no entanto…

Portugal, que estado?

A identificação ideológica do actual governo é das mais claras desde o 25 de abril. Quer nas decisões, quer nas declarações são várias as marcas muito identificadoras de uma visão nunca antes vista por estas bandas.

Seria importante, num momento em que parece que tudo tem um preço de mercado, definir com clareza o que se pretende do Estado. Os incompetentes que nos gerem usam a máxima “menos estado, melhor estado”.

Mas isso significa o quê?

O serviço público de saúde deverá ser um exclusivo do serviço nacional de saúde ou os privados e a igreja devem também ter um papel?

E na Educação? A Escola Pública deve ser para todos ou ” o TODO” deve ser assegurado, em parte pelo privado? E que parte?

E na comunicação social? Deve ou não haver canais públicos e rádios públicas asseguradas pelo estado?

E na justiça ou na segurança? Que papel para o privado?

Cada um dos laranjinhas que rapidamente surgem a defender qualquer estupidez dos amigos do Relvas poderia aproveitar o desafio e responder a estas perguntas. Talvez assim se ficasse a saber melhor o que pretendem.

E não me custa nada adivinhar que o povo é capaz de não gostar do que aí vem…

Postcards from Romania (7)

Elisabete Figueiredo

Your face not Portugal

Decido parar em Rasnov, na volta, espero na paragem de autocarro com um cheiro esquisito em volta. Milho doce cozido. Ora aqui está o cheiro esquisito. Pergunto à senhora se posso tirar uma fotografia. Diz-me que sim. Talvez na esperança que eu coma uma maçaroca cozida. Pouca sorte (provavelmente a minha). Detesto milho.

Um casal de romenos com um filho está também à espera do autocarro. São turistas. Como eu. O homem procura tirar uma foto dos três. Naturalmente ofereço-me para lhes tirar a fotografia fazendo gestos. Multumesc, diz-me ele. Cu placere, respondo eu, fazendo recurso das poucas palavras que sei dizer em romeno.

Numa mistura de inglês e romeno pergunta-me de onde sou. Portugal, respondo eu. Faz um ar muito espantado, olha para mim, passa com a mão em frente da sua própria cara e diz: ‘your face not Portugal’.  Rio-me e repito: Portugal. Volta a abanar a cabeça: ‘your face not Portugal, Portugal dark’ e aponta para o próprio braço, moreníssimo, nem com 20 anos na praia eu ficaria assim. Volto a rir-me e tento responder numa mistura esquisita, ainda mais esquisita, de italiano e inglês, na esperança que se pareça ao menos vagamente com romeno, que em Portugal há pessoas de todas as cores, como na Roménia. Não percebe. Hesito entre demonstrar-lhe com o cartão de cidadão a minha nacionalidade e continuar a rir-me, não dele, mas de mim. De ser contente por não parecer Portugal.

Continuo a rir-me. Riem-se os três também e entretanto chega o autocarro.

(Bran, 8 de Agosto de 2012)