Já sei quem é a Margarida Rebelo Pinto

Perguntei porque nos últimos tempos estava a levar com tal nome feed do Facebook . Já me explicaram tudo. Trata-se de uma senhora anorética que detesta árvores e se dedica a matá-las no formato papel pintado em forma de letras. Ao desalinhar umas palavras no pasquim do arquitecto homocoiso, e tendo levado com sol na moleirinha, debitou em 2010 umas idiotices desengraçadas sobre as senhoras que não são anoréticas. As senhoras que não são anoréticas e os senhores que gostam de senhoras em geral dedicaram-se a facebookar este Verão sobre o assunto. A maior coça que jamais alguém levou por aquelas paragens, deixando o estado comatoso em que ficou a EDP a Kilowatts de distância. Tantas levou que pelos vistos rendeu-se:

Espero que tenha tido bom proveito. E já agora que deixe de contribuir para a eucaliptização pátria, já basta a Cristas (que por acaso não é anorética, até é capaz de ser gordinha, mas eu sou muito mau a servir de balança às pessoas).

Tipo bónus, segue o texto de uma gordinha bem alimentada: [Read more…]

Coisa feia, a inveja.

Este era o slogan publicitário do Peugeot 307. Devem estar lembrados…

Às vezes sentimo-nos ameaçados pela inveja dos outros tal como o carrinho de pano cosido à mão e cravado de alfinetes do cartaz da marca francesa.  

Alberoni, o conhecido sociólogo italiano, escreve também sobre este tema. Recorro a ele para perceber melhor isto da inveja que «é um sentimento universal»:

As mulheres invejam-se entre si e os homens a mesma coisa. A inveja surge quando nos apercebemos que somos ultrapassados por alguém que estava ao nosso mesmo nível. (…) surge quando não conseguimos competir com ele. Nesse momento temos à nossa frente dois caminhos. Ou aceitamos o seu sucesso (…) ou então começamos a desejar o seu fracasso. Na inveja, renunciamos a agir, renunciamos até à meta. O invejoso, perante as dificuldades da competição, procura destruir o seu ideal. (in O Optimismo, Bertrand, 1995, p. 111-112)

Alberoni aconselha a agir, a fazer melhor, a procurar novos caminhos e a admirar quem foi melhor.

Postcards from Romania (11)

Elisabete Figueiredo

Looking good, mudda fucker

Na descida do monte da Citadela, perco-me, naturalmente. Doesn’t look so good. Até que encontro um rapaz a concertar uma bicicleta e lhe pergunto o caminho para o centro. Diz-me que sempre para baixo. Certo. O castelinho é outra recriação romântica. Outra Walt Disneylização. O costume. Penso nesta febre moderna (ou pós-moderna. ou o raio) de tudo patrimonializar, folclorizando tudo. Aborrecem-me estes lugares. Podia estar em qualquer sítio, na verdade.

Lembro-me que não sei dizer amor em romeno. Parece-me grave e ao jantar pergunto às miúdas do café como se diz amor. Dizem-me ‘te iubesc’ e acrescentam que é o que devo dizer ao meu boyfriend. Agradeço-lhes, mas não fico satisfeita. No hotel pergunto à rapariga da receção. Diz-me que ‘te iubesc’. Eu digo-lhe amor, amor, love, amour, amore… como se diz em romeno? Não quero dizer amo-te. Quero dizer amor. Ou melhor saber dizer amor em romeno. ‘Dragoste’ ou ‘iubire’. Multumesc. Buna seara ou noapte buna.

(Henrique Gil, este postal é para ti. Ou melhor, para o André Gil. E para ti. Pronto.)

(Brasov, 9 de Agosto de 2012)

RTP: sempre a diabolização do Estado

A febre de privatizar que atacou os governantes portugueses tem, aparentemente, origem no princípio básico e respeitável de que é necessário poupar. A verdade, no entanto, é que, escavando um bocadinho, descobre-se que o desperdício do dinheiro que é preciso, agora, poupar foi da responsabilidade de muitos amigos e conhecidos desses mesmos governantes. Diante destes factos, o governante esquece-se das pessoas e ataca o Estado, considerando-o um mau gestor, porque é mais fácil culpar abstracções do que companheiros de partido. [Read more…]

Postcards from Romania (10)

Elisabete Figueiredo

Boa tarde, senhor Anselmo

Da Sinagoga, atravesso a Porta Schei e percorro uma rua longa até à Piata Unirii. Vou devagar. Às vezes chove. Mas está calor. Vou reparando em tudo, acho que em tudo, pelo menos em tudo o que é possível.

Aqui nasceu um revolucionário e é bonito, além uma roda de bicicleta espreita de uma esquina, ali uma porta vermelha engraçada. De repente vejo uma senhora de lenço na cabeça que limpa um parapeito. Que bonita, penso e olho para ela. Que me devolve o olhar, embora seguramente não o pensamento. Fico enternecida, vá-se lá saber porquê. E pergunto-lhe com gestos se posso tirar-lhe uma fotografia à janela. Olha-me surpresa e eu digo em italiano apontando para ela: è bella! Ri-se. Deve ter ganho o dia, ou talvez não. Há quanto tempo não lhe dirão que é bonita? Diz-me que sim e eu tiro a fotografia. Devíamos dizer mais vezes às pessoas que são bonitas.

Da Piata Unirii onde não está ninguém, apenas um pedinte e duas senhoras que conversam em frente ao supermercado e alguns taxistas, depois de comer bolas de queijo, uma salada e beber uma Ursus preta, decido que não me apetece andar os 3 ou 4 km até à Cidadela. Apanho um dos táxis da praça. O taxista fala francês. Falo também. Fico muitas vezes contente de saber falar algumas línguas. De as compreender. Percebe-se melhor o que há para perceber do mundo. [Read more…]

A Constituição é uma chatice

Agora por causa da RTP, ontem porque o Tribunal Constitucional funcionou, a direita volta a carga com as suas pieguices sobre a Constituição.

No intervalo passam à leitura selectiva (mais um que leu o artº  38º só até onde lhe interessou, esquecendo-se do nº 6), ou fingem não perceber .

Até compreendo que prefiram a de 1933, mas isso tem bom remédio: mesmo com os limites à sua própria revisão, dois terços dos deputados chegam perfeitamente para arrasar de vez com aquilo. Ah, não têm os tais dois terços e o PS ainda não optou pelo suicídio final… que chatice.

À boa maneira estalinista, há sempre outra opção: demitir o povo e eleger outro. Ou então emigrem.

Eu casualmente conheci Pacheco…

Eu casualmente conheci Pacheco. Tenho presente, como num resumo, a sua figura e a sua vida. Pacheco não deu ao País nem uma obra, nem uma fundação, nem um livro, nem uma ideia. Pacheco era entre nós superior e ilustre ùnicamente porque «tinha um imenso talento». Todavia, meu caro sr. Mollinet, este talento, que duas gerações tão soberbamente aclamaram, nunca deu, da sua força, uma manifestação positiva, expressa, visível! O talento imenso de Pacheco ficou sempre calado, recolhido, nas profundidades de Pacheco! Constantemente ele atravessou a vida por sobre eminências sociais: deputado, director-geral, ministro, governador de bancos, conselheiro de Estado, par, presidente do Conselho –– Pacheco tudo foi, tudo teve, neste País que, de longe e a seus pés, o contemplava, assombrado do seu imenso talento. Mas nunca, nestas situações, por proveito seu ou urgência do Estado, Pacheco teve necessidade de deixar sair, para se afirmar e operar fora, aquele imenso talento que o sufocava.

Eça, A Correspondência de Fradique Mendes (Carta VIII), Lisboa, Ed. “Livros do Brasil”, 1999 (de acordo com a 1.ª Edição, 1900), pp.161-2.

Ora custou-nos 3,7 mil milhões

Venda-se a RTP por 100 milhões de euros. Cheira bem, cheira a BPN.

Gordura é formosura ou não?

 

Parece que a tendência é de aumentar as curvas.

“Publicações  mudam rumo e adicionam volume às figuras de capa.”

Durante dezenas de anos, as revistas de moda “usaram e abusaram de programas de edição de imagem” de forma a «emagrecer» manequins e estrelas de Hollywood.

Mas as coisas estão a mudar, após décadas de idolatria ao culto da magreza. “Cada vez mais, as revistas querem mulheres curvilíneas, volumosas e mais gordas nas suas capas”. (DN, 27/8).

Estas publicações fazem o que for preciso para vender mais. Só isso.

Não se gera a confusão nalgumas cabeças?

3,7 mil milhões depois…

Segundo os cálculos a RTP custou aos contribuintes, de 2003 até 2011, mais de 3,7 mil milhões de euros.

Numa época em que só se fala de milhões, este número até pode passar despercebido mas não deve. A pergunta que importa fazer, agora, é: em quê?

Qual a diferença entre a RTP1 e as restantes estações de televisão? Nenhuma. O mesmo tipo de concursos, de programas da manhã, de noticiários, de indiferença a tudo o que se passa para lá de Vila Franca a Norte e Setúbal a Sul, os mesmos debates sobre bola, etc. Se assim foi e é, qual o motivo para ter de pagar tanto dinheiro dos meus impostos num putativo serviço público de televisão?

O que deveria, nesta altura, preocupar a Impresa e a Media Capital era, isso sim, a concorrência desleal da RTP1 que os copia mas gastando o dinheiro dos outros – o nosso, para ser mais preciso.

E a RTP2? Passando ao lado daqueles que mais a defendem agora são os mesmos que se deliciam com o AXN, a FOX, o Discovery Channel e o Odisseia raramente vendo a RTP2, vamos ao que interessa. Os noticiários da RTP2 são diferentes dos da SICN ou da TVI24? Os programas culturais da 2 diferenciam-se daqueles que se pode ver na cabo? Tanto num caso como noutro, não me parece. Logo, a discussão deveria ser outra: defender que a SICN, a TVI24 e mais dois ou três canais culturais da cabo possam fazer parte do pacote da TDT.

O resto é conversa da treta.

O Mel e o Acordeão

Uma das imagens que me ficará deste verão: um casal de idosos com a sua carrinha de caixa aberta estacionada no parque de uma praia de Peniche.

Estavam ali várias horas por dia tentando vender mel. Ao lado dos frascos, um acordeão. Ingenuamente pensei que ainda ouviria o homem tocar…

Aproximei-me deles, curiosa para ver o que ele estava a fazer, debruçado sobre uma mesa onde um estojo de pequenas ferramentas serviam para consertar uma harmónica. A mulher falou por ele, concentrado que estava. O instrumento tinha mais de cinquenta anos e já não funcionava bem.

Acabei por saber que o acordeão era também para vender. «Ontem vendi um», disse o velho músico.

O homem estava a vender o mel da sua vida. As coisas como estão obrigam-no a separar-se até dos seus instrumentos, com que ao longo de uma vida deram doçura e alegria à sua vida (e à vida dos outros).

Um acordeão e um frasco de mel… não é surreal como me tinha parecido à primeira vista.

Não ouvi o acordeão nem a triste harmónica. As coisas não estão para isso.

Postcards from Romania (9)

Elisabete Figueiredo

No monte Tampa, afinal, é Portugal

No monte Tampa, afinal, é também Portugal. Bem sei que não é belo postal ilustrado. Mas não interessa, ou interessa? Há nisto qualquer coisa de caseiro, digamos. Reconfortante, se quiserem, de uma maneira absolutamente absurda.

Encontro a família de romenos que fotografei ontem em Bran. Acenam-me muito. Aceno-lhes muito, de volta. Rimo-nos. Que podemos fazer mais?

O café romeno sabe a caganitas de rato. Juro. Nunca provei caganitas de rato, mas tenho a certeza, ao beber este café impossível, que é assim que sabem. Desço o monte, outra vez de teleférico. Venho eu, apenas, e o maquinista que me ensina (agradeço-lhe a distração) a pronunciar corretamente ‘multumesc’. Ensino-lhe a dizer obrigada. La revedere e vou em direção à Biserica Neagra, que é como quem diz a Igreja Negra. Sosseguem, nada tem a ver com cultos satânicos ou vampiros. Apenas com um incêndio que a deixou negra, ainda que intacta. Lá dentro um enorme órgão de tubos, desenhado por Bucholz. Gosto de órgãos de tubos e de acender velas nas igrejas. Por causa das velas, não das igrejas. Se calhar é o mesmo. Na Biserica Neagra não há velas, de modo que me sento a observar o órgão que é impressionante. 4000 tubos. Belíssimo. [Read more…]

Junto à Linha

do Minho.

Acordo ortográfico: a displicência dos professores

A classe docente vive embrutecida, especialmente desde o consulado de Maria de Lurdes Rodrigues. Devido a uma quantidade brutal de medidas lesivas da Educação e da sua condição profissional, os professores quase se limitam a reagir e a fugir em frente, ficando privados de tempo para pensar, actividade que deve constituir, evidentemente, o cerne da profissão. Assim, sabemos que há, por exemplo, demasiados professores que estarão, neste momento, angustiados face a vários factores que vieram criar uma instabilidade profissional injustificada, entre muitos outros problemas. [Read more…]

Genial

O problema da RTP está no BE e no PCP que a querem controlar. Com Barras deste nível a apoiá-lo, o governo cai sózinho.

Postcards from Romania (8)

Elisabete Figueiredo

Brasov, subindo o monte Tampa

Tenho vertigens. Muitas. Ao ponto de as cidades e os campos se porem a rodar quando me atrevo, o que é quase sempre, a subir muito alto. Uma vez subi num teleférico de esqui mais de 2000 metros. Foi em Salzburgo e posso jurar que as montanhas estavam vivas e rodopiavam… sim, uma alusão fácil ao filme ‘Música no Coração’. Whatever.

Apesar das vertigens, resolvo subir o monte Tampa de teleférico. 1000 metros ‘apenas’. O teleférico é pequeno, não caberão mais de 10 pessoas. Vamos 10 exatamente.  Começa a subir e é quase a pique que a traquitana vai.

Penso na balança que vi no dia anterior no castelo de Bran. Uma balança para pesar almas. Parece que as almas dos aprendizes de satanás, podia ler-se, são mais leves que as das outras pessoas. É curioso. Se alguma vez tivesse pensado nisto, diria que era justamente o contrário. E começo a desejar que sejamos todos aprendizes de satanás, dentro do teleférico, just in case.

Lá em cima, a vista compensa os maus pensamentos. Evito chegar-me à beira dos varandins. Gosto de sítios altos porque tudo, cá de cima, parece um mapa. Quer dizer, acho eu que é por isto. Que outra razão poderia haver para me sujeitar a tal suplício?

O teleférico conduz-nos a um bosque, caminho uns bons 20 minutos até chegar às traseiras das letras gigantes:

B R A S O V

que se veem de toda a cidade.

(Brasov, 9 de Agosto de 2012)

O Descobrimento do Brasil

Longa-metragem de 1936, realizada por Humberto Mauro a partir da carta de Pero Vaz de Caminha. Há partes interessantes sobre a viagem de Pedro Álvares Cabral e a chegada ao Brasil.
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Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.

Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo