Postcards from Romania (2)

Elisabete Figueiredo

Para a Roménia viajam apenas os romenos

Sou a única portuguesa no avião. Suponho que para a Roménia, de Lisboa, viajem apenas os romenos. Não sei. Em Bucareste, 40 graus às 16h40. Apanho um táxi, depois de perguntar o preço (150 lei) para a estação central. O taxista fala em italiano, assumindo primeiro que eu sou italiana e depois que, não sendo, falo a língua.

Pergunta-me para onde vou de comboio. Brasov, respondo. Insiste que me leva por 700 lei. Respondo-lhe que não. Várias vezes. ‘Voglio andare a Brasov com il treno’ repito. Insiste, uma e outra e ainda outra vez. Repito: ‘voglio andare com il treno, mi piace viaggare sul treno’. Argumenta que o comboio é muito perigoso. Que vou ser assaltada na estação. Que o bilhete de comboio é muito caro. Digo-lhe que não vou nada ser assaltada, pergunto-lhe porque há-de dizer tais coisas sobre o seu país.

Deposita-me, com maus modos, na estação. Em vez de 150 cobra-me 200 lei. Entro na estação. Compro o bilhete. Um puto pede-me dinheiro, dou-lhe 1 leu. Peço ajuda a um casal de romenos sobre a linha do comboio.

Fumo um cigarro. Penso que não fui assaltada. Reconsidero. Fui, em 50 lei, mas pelo taxista.

(Bucareste, 7 de Agosto de 2012)

Já Acabou a Vaselina?

Em Espanha há gente chateada. Um dia fico chateado.

Postcards from Romania (1)

Elisabete Figueiredo

  A importância de falar italiano menos mal

Depois de muitas horas cheguei ao meu destino. Brasov à noite parece bonito. Ainda bem que falo italiano menos mal.

La revedere.

(Bucareste, 7 de Agosto de 2012)

Não há pachorra para idiotas

como os que gabam o corte orçamental “na despesa”. Foi o meu subsídio de férias, ó filhodaputa.

Dar de comer a quem tem fome

A ideia de descentralizar a gestão dos museus regionais foi sensata. Os museus nacionais continuarão a depender de umas gentes que em Lisboa lêem uns dossiers e que em muitos casos nunca os visitaram, mas isso é Portugal no seu normal, e o problema nem sequer está na centralização administrativa mas na falta de vontade em levantar o rabinho da capital do nosso provincianismo.

Aqui pelos meus lados acaba a Direcção Regional de Cultura do Centro, novamente entregue à mesma senhora esposa de um senhor presidente de câmara, de remodelar direcções. Parece que a ideia foi diminuir o número de directores atribuindo vários museus a cada um, nada contra dada a sua dimensão, reconduzindo quem estava com uma excepção. A excepção chama-se Zulmira Gonçalves, que será a nova responsável directa pelo Museu de Santa Joana em Aveiro e por Santa Clara-a-Velha (que é só um dos melhores espaços museológicos portugueses, e verdade se diga depois de uns séculos debaixo de água está preparado para tudo). E quem é Zulmira Gonçalves? [Read more…]

Não se poupa em «poupar»

Nestes tempos de crise, a palavra mais rodada que um táxi em Nova Iorque não é «amor» (como escreveu alguém), mas antes a palavra «poupar».

Todos os dias a palavra se pronuncia. Se não é dita, é pensada a cada acto que o português realiza. Até as crianças já perceberam que é preciso amealhar.

Pensa-se duas, três vezes, antes de escolher isto ou aquilo; entrar ou não entrar no restaurante x ou y, ou não entrar de todo; comprar na loja x ou y; opta-se pelas marcas brancas há muito e cada vez mais em produtos que antes eram de marca; as férias nunca foram tão estudadas (ainda bem que temos a internet!) nas suas diversas modalidades; etc.

Tudo se planeia sob este ponto de vista. Não é mau. Mas devia ter-se começado a fazer antes para não chegar a ser obsessivo como se está a tornar.

As voltas que se dá para poupar uns trocos.

É que já «dói» quando vemos que houve desperdício.

Pensei na vida particular de cada um, mas, claro, pense-se na vida deste país, que não poupou mais cedo.

No regresso de férias, optei pela A8: 3 faixas. Os carros contava-os pelos dedos se tivesse paciência para o fazer. Para quê tantas vias rápidas e auto-estradas?

Talvez um dia, um satélite qualquer nos forneça uma foto deste Portugal que, visto do espaço, é um emaranhado de estradas… Era melhor que fosse uma concentração de estufas de tulipas como na Holanda…

Desistir de lutar não pode ser a saída

Confesso que não esperava a desistência do Lance.

Foram muitas as horas que passei em frente à televisão a ver este mágico no Tour. Tudo o que se tinha como certo em relação ao ciclismo e ao Tour era alterado por Lance Armstrong. Queria aqui encontrar um termo de comparação, mas no desporto, não estou a ver ninguém que tenha sido tão esmagador.

Eu quero continuar a acreditar que foi ele que venceu as 7 voltas a França, sem batotice, mas o texto por ele publicado no site oficial deixa-me muitas dúvidas.

RTP

Façam-me o favor de ir foder longe.

Softocaracy. A democracia é um perigo

 José-Manuel Diogo

A democracia é realmente um mau sistema.
Os jornais de hoje contam que o assassino norueguês, confesso, mentalmente são e não arrependido, foi condenado a 21 anos de prisão e pode pedir liberdade condicional a partir do décimo.
A 22 de Julho do ano passado ele matou 77 seres humanos. Fez rebentar uma bomba num edifício e depois alvejou mortalmente 69 pessoas, mutilando muitas outras. Sempre disse porque o fazia. Consciente e de forma deliberada. Para “prevenir a islamização da Noruega”.
Os números podem ser usados de muitas maneiras. São a melhor forma de mentir. Mas esta conta é indesmentível, dividindo 21 (anos) por 77 (mortes), o preço são 99 dias (por pessoa). São pouco mais de três meses por cada tragédia, por cada luto, por cada drama familiar.
Os estados socialmente mais avançados são, paradoxalmente, os mais expostos e mais frágeis perante ruturas civilizacionais. São a porta de entradas para extremismos e xenofobias. Transportam a semente do sem próprio fim. E os tempos que vivemos são isso mesmo: de rutura.
Ele tem 31 anos, daqui a 10 ou 15, quando puder sair é ainda um homem novo. Como lidará a sociedade com a sua liberdade. Como é que a nossa sofisticada civilização se vai olhar ao espelho? [Read more…]

O cano de uma pistola pelo cu

Juan José Millás

Se percebemos bem – e não é fácil, porque somos um bocado parvos-, a economia financeira está para a economia real como o senhor feudal para o servo, o amo e o escravo, a metrópole para a colónia, o capitalista de Manchester para o operário sobre-explorado. A economia financeira é o inimigo de classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com o corpo de uma criança num bordel asiático. Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes a teres semeado. Na verdade, e sem que tu saibas da operação, pode comprar-te uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer. Se baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas – e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Estamos a falar, exemplificando, da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspectiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o carácter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país, este, vai dar ao mesmo, e diz “compro” ou  diz “vendo” com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vendem propriedades imobiliárias a fingir. [Read more…]

RTP 2 fechada

O Governo dá um tiro à RTP 2 e talvez o faça também com a Antena 3.

António Borges disse: “É um serviço que custa extraordinariamente caro para uma audiência muitíssimo limitada.”

Lembrei-me agora do fim do Acontece com o Carlos Pinto Coelho em 2003… Morais Sarmento disse algo semelhante. O programa Acontece “chegou a ser o mais antigo jornal cultural da Europa e acabou depois de uma polémica com o ministro Morais Sarmento que afirmou que seria mais compensador oferecer uma volta ao Mundo a cada espectador”. Que coisa estúpida e triste de se dizer. A mim não me foi dada nenhuma viagem!

É mais um tiro que se dá na Cultura em Portugal. Já estamos sem ministério e agora mais esta machadada.

Aquela «audiência muitíssimo limitada» torna-se cada vez mais reduzida à medida que se vão tomando decisões políticas como esta.

O Governo terá com certeza outras alternativas mais «atraentes» e com qualidade…

Privatizar é o que está a dar.

Reis de Portugal – D. Manuel I

Durante o reinado de D. Manuel I, Vasco da Gama chegou à India e Pedro Alvares Cabral ao Brasil. Um trabalho qe, em grande parte, vinha do reinado de D. João II.
Pode ver o filme aqui.
Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.

Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo

Restauros


Ecce Homo depois de uma intervenção do FMI.

ElrichEl Pais

 

Tapar os olhos ao povo

Os números conhecidos não enganam ninguém – o Governo está a falhar em toda a linha e apesar da miséria imposta a quem vive do trabalho, o país está cada vez pior. Como sempre escrevi, este não podia ser o caminho.

Admiram-se agora que o IRS tenha baixado? Claro, sem os descontos dos subsídios de férias dos funcionários públicos estavam à espera de milagres? O IVA e o IRC estão como se sabe…

Mas, o governo do licenciado Relva, não satisfeito, ainda tenta lançar umas cortinas de fumo para tapar os olhos ao povo – por um lado Pedrinho e o RSI e por outro a magia da RTP, que afinal, quem sabe ainda vai encher os bolsos de alguém.

Este triunvirato que nos governa, entre o Pedro-Gaspar-Paulo poderia ter o mesmo destino do Romano, mas com uma solução tipo António alargada a todos – seria o milagre da TROIKA!

E a salvação do povo!