Luta de classes

Uma andaluza expedição à Robin dos Bosques, expropriar pequenas e simbólicas quantidades de comida para distribuir por quem passa fome, é um crime de lesa majestade. A propriedade é sagrada.

Já fugir aos impostos e ser apanhado, faz do detentor de uma grande fortuna uma infeliz vítima do estado. O capital é deus.

É esta a burguesia que temos, sempre disponível para uma, aliás justíssima, recuperação de Karl Marx.

Azulejos portugueses em Buenos Aires

Como chego a um livro?

Neste caso, foi através do Ípsilon (suplemento do Público, 3/8). Últimas Notícias do Sul é o mais recente livro de um dos meus escritores preferidos, o chileno Luis Sepúlveda.

O que tem isto a ver com azulejos portugueses?

Um só livro leva-nos a muitos lugares… Embora Sepúlveda e o seu amigo argentino, o fotógrafo Daniel Mordzinski, tenham feito uma viagem ao Sul do mundo, a partir do paralelo 42º, a verdade é que na Argentina, mais concretamente em Buenos Aires, podemos encontrar algo português, como é o caso dos azulejos!

No segundo capítulo, retrata essa cidade “a mais vital da América Latina” e também o “lugar onde se encontram os irmãos”.

A páginas tantas, Sepúlveda vai à estação do Retiro, onde os

delicados azulejos da nave central falavam de longas viagens (…) os emigrantes chegados de todos os confins para construir uma obra monumental chamada Argentina. (…) Nos painéis, exibiam-se mapas ferroviários, uma reprodução do catálogo da firma inglesa que forneceu as loiças de Málaga e os azulejos portugueses.

A estação do Retiro está prestes a comemorar os 100 anos e há algo nela que é nosso. É uma alegria e um prazer enorme encontrar Portugal no estrangeiro e nos livros de autores estrangeiros!

Quem quer ser milionário

Afinal, basta recolher donativos em festas e jantares do partido.

Em apenas quatro dias foram feitos 105 depósitos, todos em notas, de montantes sempre inferiores a 12.500 euros, quantia a partir da qual era obrigatória a comunicação às autoridades de combate à corrupção.

O engraçado nisto é haver quem pretenda acreditar que é por se fazerem leis que as coisas mudam.

Secretário de Estado ou escriturário de Estado?

Santana Castilho*

1. A 19 de Julho, as escolas ficaram a conhecer um conjunto de orientações do secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar para, ao abrigo de 11 medidas indicativas, atribuírem carga lectiva aos cerca de 15 mil professores dos quadros, que a não tinham. Particularmente por declarações públicas de Nuno Crato, que repetiu e voltou a repetir que todos os professores eram necessários ao sistema de ensino, as apreensões dos visados diminuíram. Mas as coisas revelaram-se diferentes daquilo que passou para a opinião pública. Com efeito, dias volvidos, os directores receberam a “interpretação” que as direcções regionais de educação fizeram das orientações do governante. E onde, nas orientações, estava que a atribuição da componente lectiva devia simplesmente ser comunicada às direcções regionais, as ditas interpretaram, e como tal instruíram, que a atribuição da componente lectiva estava sujeita a prévia autorização daquelas. As facilidades badaladas em público foram semeadas de constrangimentos em privado. O que começou por ser decisão dos directores, afinal carecia do visto dos burocratas regionais. Secretário de Estado, afinal, é escriturário de Estado. Boa malha para santificar Crato e diabolizar os directores. O discurso da autonomia segue dentro de momentos. [Read more…]

A grave doença de estar sempre a pensar

Este é o nome de um dos capítulos de O Papalagui (1920), um livro que resume os discursos de um chefe de tribo numa ilha nos mares do Sul (Samoa).

Tenho esta «jóia» há 21 anos e «achei-a» na Rua de Cedofeita, 355, Porto (livraria S. Paulo) por mil e duzentos escudos! Hoje é muito fácil encontrá-lo. Penso que não há ano nenhum em que não abra este «documento». O Papalagui é o Branco, o Senhor, o homem europeu. Tuiavii faz-nos duras críticas depois do que viu numa viagem pela Europa. Vira-nos um «espelho» onde vemos reflectidos vícios e hábitos difíceis de largar, onde nos vemos como gente que desfruta pouco a vida. Para pensar, embora ele diga que seja uma doença grave!!

Transcrevo algumas passagens curiosas:

(…) O Papalagui não pára de pensar: «A minha cabana é mais pequena do que a palmeira; a palmeira verga-se por causa da tempestade; (…) Mas também ele próprio é objecto dos seus pensamentos: «Eu sou pequeno; o meu coração alegra-se sempre à vista de uma rapariga (…)». Mas o Papalagui pensa tanto, que o acto de pensar se tornou um hábito, uma necessidade, e até mesmo uma coacção. Vê-se obrigado a pensar continuamente. (…) Na maior parte do tempo vive apenas com a cabeça, enquanto os sentidos dormem um profundo sono. Muito embora isso não o impeça de andar normalmente, de falar e de rir (…).

Quando brilha um belo sol, logo ele pensa: «Que belo sol que está agora!» (…) é uma aberração. Qualquer Samoano sensato irá estender e aquecer o seu corpo ao sol, sem mais reflexões. E goza do sol não só com a cabeça, mas também com as mãos, com os pés, com as coxas, com o ventre, em resumo, com o corpo todo. Deixa a sua pele e os seus membros pensarem por si próprios (…).

Quando se pergunta a um Papalagui porque é que pensas assim tanto, ele responde: «Para não ficar estúpido!» (…) na verdade, se devia ter como sinal de inteligência encontrar alguém o seu caminho sem ter necessidade de pensar.

Enfio a carapuça…o que é que eu hei-de fazer??

Depois de terminar esta cópia, talvez vá aproveitar «este belo sol» com o corpo todo e imaginar aquela praia paradisíaca. Ups, lá estou eu a pensar outra vez…

Público e privado

Vai longa a discussão sobre a manifestação junto de políticos em férias ou, num sentido mais amplo, a confusão entre o cidadão e o político.

E se acho irónico que a direita procure colocar em causa a liberdade de um cidadão se manifestar e de mobilizar outros só porque pertence a um partido ou a um sindicato, concordo com os que criticam o ataque à dimensão privada de um político.

Digo, por brincadeira, que as manifestações são o meu desporto favorito, mas nunca o faria junto de uma pessoa no plano pessoal, tal como sempre me recusei a participar em manifestações junto de momentos partidários, fossem elas no PS de Sócrates ou no PSD de Passos Coelho.

Entendo no entanto, que o actual governo está a brincar com o fogo e por isso será cada vez mais complicado gerir estas margens de cidadania.

O alvo de uma luta deve e tem que ser o poder executivo e, ou o poder legislativo. O cidadão Passos Coelho ou o partido PSD não devem ser o alvo. Mas isto tem que valer para um lado e para o outro – não podem querer ser cidadãos e depois ignorar as lutas e os  protestos quando estes respeitam “as regras.”

Quando temos Ministros que se recusam a receber organizações, sindicatos e movimentos, estão mesmo a pedi-las…

Belver


Foi assim.

Portugueses sonham (com o Euromilhões)

A glória só chega àqueles que com ela sonharam.

Charles De Gaulle (1890-1970), general e estadista francês.

Mais uma da Madame Blavastky

Garante hoje o DN ter sido descoberta mais uma “pirâmide”, desta vez tão colossal que é três vezes maior que aquela que um dia foi erguida por ordem do faraó Queops. Fantástico, pois ainda por cima, esta novidade tem apenas três lados! Cá está mais uma para o Canal de Estória, vamos a ver se aproveitam a coisa para mais um a dose de programas. Pirâmides há muitas, mas a que hoje se notícia e a outra que um dia como tal se designou na Bósnia, são mesmo únicas. Aliás, as obras da mãe natureza são todinhas extraterrestres…

A Bicicleta Vermelha

No Ramal de Braga.

Mosteiro da Batalha

Para comemorar Aljubarrota, o rei D. João I decidiu construir, a cerca de 3 km do local da batalha, um mosteiro consagrado a Nossa Senhora da Vitória – a vitória contra os castelhanos. Mosteiro da Batalha acabou por ser a designação mais conhecida, ao ponto de dar o nome à vila onde se implantou.
Para além do breve documentário apresentado, é possível fazer uma Visita Virtual ao Mosteiro e a todas as suas salas. Excepcional e muito funcional para sala de aula.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Unidade 4.3. – Crises e Revolução no séc. XIV

Diálogos na Manta Rota

Querida, encolhi o PIB

Mas aumentei o desemprego.

Novidades no Pontal

O PSD convidou o primeiro-ministro doutro país para discursar.

Parabéns

A mulher com quem partilhei os últimos 20 anos está de parabéns.

Tenho usado muito do tempo, que deveria ser dela, no Aventar.

Hoje vou retribuir, usando o Aventar, por uns minutos, só para ela.

É favor sair por uns momentos. Obrigado.