A Lua

Fernando Pessoa
A Lua (dizem os Ingleses)

A Lua (dizem os Ingleses)
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma ideia se perde.

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De… não sei se é desejar.

Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando…
A Lua (dizem os Ingleses)
É azul de quando em quando.
14-11-1931
Poesias Inéditas (1930-1935).

Professores desempregados

No que se refere ao mundo docente, não há, neste momento, nada mais importante do que a angústia pessoal e intransmissível de todos aqueles professores que, hoje, ficaram no desemprego, especialmente quando se trata de profissionais com vários anos de serviço. Mesmo que o número desses novos desempregados correspondesse apenas a um, o drama individual de alguém que fica impedido de trabalhar é do tamanho do universo, porque não há maior universo do que cada um de nós. [Read more…]

Util para a reflexão sobre a RTP

Relatório e Contas de 2011 (PDF!)

O pior do Crato

Sinto-me sinceramente honrado por ver que tenho o mesmo gosto para títulos que o grande João Quadros, que faz uma crítica certeira  ao sinistro Crato.

Listas de colocações de Professores

– No site da DGAE

– No site do SPGL

– No site do SPN

– No Arlindovsky

Francisco Alamán Castro, coronel del Ejército español:

¿La independencia de Catalula? Por encima de mi cadáver” – militares…

31 de Agosto ou recomeçar de novo

Recomeçar de novo… sempre gostei desta frase.

O realizador Joachim Trier (1974) coloca-a em questão no seu filme Oslo, 31 de Agosto que deve estar a estrear por estes dias: esta é a história de um homem novo, 34 anos, que se pergunta se ainda é possível recomeçar de novo.

J.T. pergunta ainda: «Tínhamos obrigação de ser felizes. Porque é que não somos?»

Porque é que não somos felizes, não obstante termos vidas confortáveis?

As críticas são muitas boas. Talvez seja uma boa sugestão para Sair de casa!

Agora que acabaram as férias e voltamos ao trabalho, recomeçamos de novo, de certa forma.

Mas há outros recomeços importantes a implementar… É positivo termos este sentimento de que nos são dadas outras oportunidades…

E outra coisa: «a obrigação de sermos felizes»…

Vítor Gaspar lança o IUCB

O Inimigo Público (hoje), suplemento do Público, tem muita piadas. Não resisto a transcrever esta, já que rir é o melhor remédio:

O Ministério das Finanças está atento às novas modas urbanas e vai começar a submeter os condutores de bicicletas a um saque fiscal idêntico ao dos condutores de automóveis. Vítor Gaspar vai avançar para o Imposto Único de Circulação para Bicicletas, havendo penalizações mais pesadas para modelos mais luxuosos de bicicletas, como as Mountain Bike, as BTT e as bicicletas pasteleiras dos endinheirados hipsters. “É obrigatória a instalação de um dispositivo que custa 150 euros e que vai contar as calorias gastas. Vamos cobrar 5 euros por cada 100 calorias , valor que estará indexado à cotação da caloria nos mercados internacionais. Vamos cobrar portagens, estacionamento e vamos cobrar licenças especiais de uso de bicicletas dobráveis, licença de uso de capacete, licença de uso de suporte para garrafa de água, licença de uso de campainha, licença de uso de selim, licença de travão e de cavalinho. Quem usar bicicletas de fibra de carbono ou de titânio paga uma taxa extra. Vamos penhorar as chupetas a todas as crianças que tenham a licença de uso de rodas de apoio caducada”, informou Vítor Gaspar. JH

P.S. – temos que estar preparados para tudo. Qualquer dia até se cobra imposto por circular a pé pela rua…

Postcards from Romania (28)

Elisabete Figueiredo

As conversas são como música. Mesmo numa língua estranha, se souberes apenas sentir, acabarás por entender

Piata Karolina, 15h45. Estou sentada num banco, a escrever num caderno e a observar as pessoas e os pardais. À minha frente há uma fonte. Uma senhora de lenço na cabeça aproxima-se da fonte, olha-me e pergunta-me, em romeno, se a água da fonte é boa para beber. Respondo-lhe na linguagem universal dos gestos, encolhendo os ombros, com os braços dobrados e as mãos abertas, para fora, com as palmas viradas para cima: não sei.

Enche um pouco a garrafa que traz consigo, bebe e exclama que a água está quente e faz uma careta. Eu rio-me e repito ‘calda’. Em romeno. Podia ser italiano. Mas é romeno. A senhora senta-se devagar ao meu lado no banco e continua a falar em romeno. Tento dizer-lhe que não compreendo bem, que não falo romeno, mas, como não falo – justamente – romeno, devo fazer uma expressão que,  seja como for, ela entende. Ainda assim, pergunta-me ‘Anglia?’. Não.  Portugal. ‘Portugalia?’ Que é muito longe, diz. Digo com as mãos, mais ou menos. Pergunta-me como vim, de autocarro ou avião? Avião, respondo. Se é muito caro? Nem por isso, digo. [Read more…]

“Porque os bois têm cornos e há coisas que temos de chamar pelos nomes!”

Este post “caiu” na minha caixa de comentários. Vem do blogue agoradigoeu e merece a vossa total atenção. Obrigado por teres escrito este texto assim, sem mais nem menos! Mesmo!

Fica então o post “Porque os bois têm cornos e há coisas que temos de chamar pelos nomes“:

“As pessoas mais próximas perguntam-me o que tenho. Porque estou assim. Mas eu não sei o que significa o assim. Sei que não me apetece falar. Sei que o meu coração bate com mais força. Sei que não estou triste, mas também não me sinto feliz. Ansiosa. Sim, sinto-me ansiosa.

Desistir da minha carreira de professora foi sentir a perda do que nunca foi meu. Não sei se o mais difícil foi desistir ou se foi sentir a desilusão. A desilusão de ter percebido que uma pessoa pode fazer tudo, mas o tudo não foi(é) suficiente. E eu tenho aquele génio difícil! Aquele que se desilude aos bocadinhos… aos bocadinhos e em silêncio! E a desilusão não foi com os meus alunos, nem com os meus colegas ou com meus superiores hierárquicos. Desses sempre recebi o reconhecimento e a motivação para continuar. A desilusão foi mais profunda. A desilusão, essa senhora que me tolda os dias, essa foi com o meu país.

Deixei de me sentir uma cidadã portuguesa que é considerada válida e útil, a um país que investiu na minha educação. Esta merda de sucessivos governos (não encontrei uma expressão mais nobre, porque os bois têm cornos e há coisas que temos de chamar pelos nomes) deram-me 11 contratos de trabalho para assinar, com inicio a 1 de Setembro e término a 31 de Agosto, do ano seguinte. Em determinado artigo do contrato podia ler-se “necessidades residuais”. À medida que os anos foram passando eu abreviava a leitura do contrato, para não vomitar em cima do dito. E o ano lectivo começava. E a magia de ter à minha frente uma plateia de adolescentes que sente poder ser tudo, é trabalhar, todos os dias, com a vontade (possibilidade) de tornar o mundo um espaço melhor para se viver. E os anos foram passando. E eu continuei a assinar os malditos contratos. Fogueira com eles! Desculpem-me aqueles que, de boca cheia, dizem que os que saem para o estrangeiro, estão a abandonar o seu país. A esses digo, apenas, que deixei de querer pertencer à classe dos resíduos. A antecâmara em que se vislumbra a possibilidade de reutilização ou de reciclagem, é aquela onde eu não quero estar! O estado não pode dar emprego a todos os professores, dizem os que não têm nada de inteligente para dizer, emprenham pelos ouvidos, as bestas! Eu admitia que passados 10 anos me dissessem que o meu posto de trabalho foi extinto. Por cortes orçamentais, por redução de alunos, porque se deixou de considerar o ensino das ciências importante, o que seja. Mas não esqueço que o meu país não me tratou com a dignidade que merecia, nos 10 anos em que desempenhei (com classificação excelente) as minhas funções. E só me ocorre cuspir (acaso soubesse) nesses pulhas sem rosto e raras vezes com nome. [Read more…]

Hóquei em Campo: Portugal já trabalha para a Liga Mundial

Armindo de Vasconcelos

A selecção nacional de hóquei inicia hoje, sob o comando de Hugo Gonçalves, os trabalhos de preparação para uma participação condigna na Liga Mundial de Hóquei. A ronda que se realiza em Portugal começa a 25 de Setembro, em Lousada, e o seleccionado português vai defrontar a Itália, Gibraltar, Escócia e Marrocos. Apuram-se para a fase seguinte os dois primeiros classificados.

Aquando do lançamento desta nova prova, o catalão Leandro Negre, Presidente da Federação Internacional, afirmou um grande orgulho da modalidade por esta conquista de novos espaços, “um sonho durante muito tempo, mas que agora se torna realidade”.

A prova vai disputar-se ao longo dos próximos dois anos, e qualificará para a World Cup e para os Jogos Olímpicos. Vai envolver um número nunca visto de nações participantes. Só a primeira ronda engloba 11 torneios, com 60 equipas, numa prova que será de estreia internacional para 19 países. Leandro Negre, no discurso de apresentação, diria ainda que “nunca uma competição de hóquei comportou tão grande número de países e atletas”, anunciando que “cerca de 2 000 atletas farão parte do processo de apuramento para os jogos do Rio de Janeiro”.

Segundo o departamento de estatística da FIH, aqueles 2 000 atletas irão acumular cerca de 6 000 internacionalizações e terão, então, a oportunidade de, pela primeira vez, acederem à conquista de pontos no ranking mundial individual.

Portugal tem, assim, um novo momento para se afirmar internacionalmente.

Comissões indevidas

Bancos alteraram cartões multibanco para obterem mais comissõesCapa do Dia

A solução óbvia para a RTP

A indemnização compensatória à RTP decorre da decisão do governo, em 2003 (governo PSD/CDS PP, com Durão Barroso como primeiro ministro), de retirar a publicidade do canal 2 e de ter diminuído a do canal 1. A RTP em 2003 tinha uma passivo enormíssimo (1.370,6 milhões de euros; cf. relatório e contas de 2003) mas esta decisão cortou qualquer possibilidade de reequilibrar a empresa sem ser à conta dos contribuintes.

Mas a indemnização compensatória não é a única fonte de receita com origem nos contribuintes: a Contribuição Audiovisual é também uma taxa, funcionando como imposto, a ter em conta. O gráfico seguinte mostra a evolução das receitas provenientes de fundos públicos.

RTP – evolução das receitas provenientes de fundos públicos entre 2001 e 2011

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Um terço do dia já passou e nada

A angústia de milhares de famílias continua.

Eu confesso que votei na pior das maldades – o MEC vai deixar o dia correr e deixar esvaziar a cobertura mediática que o desemprego terá na comunicação social. Além disso, deixar para o último momento do último dia do mês de agosto era coisa para acontecer no tempo em que não havia computadores. Como se vê, agora é tudo muito mais rápido!

No Aventar, está tudo pronto para ajudar uns e outros – os que conseguem trabalho e os que vão ter que seguir outro caminho, mas o que é verdade é que até meio da manhã, nada e palpita-me que a manhã já vai longa em muitas casas.

Será este o Dia D? Seria bom se OS professores ficassem a saber hoje onde vão trabalhar – palpita-me, e já é o segundo – que só ALGUNS, poucos, ficarão a saber.

Continuo a acordar surpreendido com a atitude ingénua do MEC de fazer sair uma notícia de que vai vincular 8 mil professores aos quadros – desta vez é no Diário de Notícias e, neste dia, vem mesmo a calhar.

Como confessa o Governo, com 5 mil docentes dos quadros sem horário, como é que pode haver abertura para efectivar 8 mil?

Monti, de fato

«O RIGOR? ONDE ESTÁ O RIGOR?»

– Pedro Santana Lopes, 23/11/2007

Dei-me ao trabalho de avisar Pedro Santana Lopes. O jornal Sol teve a amabilidade de publicar o aviso na edição imediatamente seguinte à do “‘facto’ é igual a fato (de roupa)”. Poucas semanas depois, voltei  à carga. Esta é a terceira (e última) vez que me dou a tal trabalho.

Os meus agradecimentos a Glória Saraiva pela chamada de atenção (em Nota no Facebook de Madalena Homem Cardoso) para este lamentável e persistente… fato.

Civilizações Perdidas: Maias, Aztecas e Incas

O programa de História do 8.º ano passa praticamente ao lado da viagem de Cristóvão Colombo à América, disponível na net e já publicado nesta rubrica.
Mas dá alguma atenção, embora pouca, às civilizações pré-colombianas: Maias, Aztecas e Incas.

O Arredas Já Começou

Em Tregosa, Barcelos.

Postcards from Romania (27)

Elisabete Figuieredo

Fazer ginástica diante de deus ou, talvez, dançar

A Catedral Ortodoxa de Cluj é o lugar mais pacífico do mundo. Hoje, quero dizer. Amanhã encontrarei outro, seguramente. Nenhum turista, além de mim. Só pessoas que rezam, em silêncio entre os milhares e milhares de frescos, a escuridão, pequenas capelas que parecem grutas, algumas velas. Ouvem-se cânticos, para além do silêncio. Se escutarmos bem, se pusermos todos os sentidos no escutar, tenho a certeza que compreenderemos estas pessoas. [Read more…]

Postcards from Romania (26)

Elisabete Figueiredo

 O esmagador mistério da fé torna-se maior quando visitamos igrejas

A manhã vai dedicada às igrejas. Apesar de agnóstica ou lá o que sou, sempre gostei de igrejas e tenho visitado milhares em toda a parte. Sinagogas, igrejas católicas romanas, ortodoxas, reformistas, franciscanas, evangélicas… Mesquitas não, por dificuldades, à falta de melhor expressão, técnicas. Numa manhã visitei 5 igrejas de religiões diferentes. Em todas elas o mesmo deus, creio, a existir. A mesma fé, o mesmo mistério, a mesma submissão voluntária dos Homens a qualquer coisa que talvez entendam. Eu não. Mas tenho inveja, sei-o bem, destas pessoas que têm esta fé. Talvez aceitem melhor tudo. A vida. O que acontece. A morte. [Read more…]