Foto da II Guerra Mundial

Frente de Leninegrado. Na imagem, um grupo de oficiais alemães e portugueses observam um capturado ou destruído tanque russo do tipo KV1. Eram normais estas visitas de elementos de exércitos de países neutrais, às frentes de combate do Eixo e dos Aliados e neste caso, conhecemos bem um dos oficiais portugueses. Em último plano, à esquerda e entre dois militares da Wehrmacht, vestindo um sobretudo e de bivaque escuro na cabeça, está aquele que mais tarde seria o Marechal Spínola. Na foto não conseguimos vislumbrar o famoso monóculo. Terá adoptado a moda nessa visita à Frente Leste?

Comments

  1. Bruno says:

    Eu sempre disse que esse indivíduo era um traidor da pátria… E fazem dele um herói nacional e nos livros parece que ele fez tudo… Enfim…

    • Nuno Castelo-Branco says:

      Bem, caro Bruno, parece-me que não foi bem assim. Naquela época, Portugal fez a política que era possível, não se imiscuindo na guerra. Contrariou quando pôde e sempre que o soube fazer. Adiou a questão dos Açores, obteve o reconhecimento USA da necessidade da devolução de Timor após o fim da guerra, foi amolecendo a posição alemã. Nem tudo foi negativo e Spínola deve ter feito esta visita de forma rotineira, tal como outras missões foram enviadas a países aliados. Aliás, 1943 assistiria à chegada de uma enorme remessa de equipamento militar: tivemos os primeiros tanques (os Valentine), artilharia anti-aérea, excelentes caças Sptifire (numa impressionante quantidade), equip. de transmissões, motorização da infantaria, etc. Em suma, o exército modernizou-se e isto no seguimento das compras feitas anteriormente à Alemanha. Como curiosidade, notemos o facto de a nossa artilharia se ter servido dos canhões excelentes Krupp – posteriormente adaptados às munições NATO – até há bem poucos anos. Por outro lado, A.S. de Spínola não era propriamente um “general de aviário” como alguns que por aí andam e falam em demasia. Esteve nas frentes de combate, conviveu com os soldados e aproximou-se das populações dos territórios onde era Comandante-chefe. Em suma, era um militar notável. Quanto à foto, creio que a moda do monóculo deve ter sido adoptada por essa altura, dado ser um tanto ou quanto comum entre os oficiais prussianos. Os russos que o digam, reciclados ou não dos tempos da extinta URSS, ainda hoje “desmaiam” de gozo à vista de qualquer tradição da velha Prússia.

      • Maquiavel says:

        O que ele fez em 1941 é mais ou menos indiferente. Foi para o mandaram, que devia ser um mero capitäo, embora com a mesma idade os Capitäes de Abril tivessem feito muito mais. Mas adiante.

        A traiçäo de Spínola deu-se a 11 de Março de 1975 quando ia metendo o país em guerra civil. Já a 28 de Setembro de 1974 tinha mostrado as garras, aí mostrou as presas. Depois, como qualquer cobarde igual a ele, fugiu à debandada e alojou-se na ditatorial Espanha franquista, onde depois estavam danadinhos para invadir Portugal e acabar com a “festa democrática” que tinha sido instalada. Traiu a Pátria e a Democracia, afinal abrindo caminho ao PREC.

        Um traidor a todos os níveis, que depois foi vangloriado pelos mesmos que ignoraram Salgueiro Maia. E hoje em dia a contínua lavagem de imagem continua, veja-se o discurso de Cavaco (quem mais) quando abriram a “Av. Spínola” em Lisboa, que poderia até servir ao Tenente-Coronel Maia, mas näo ao Marechal Spínola.

        Conheço muitos soldados que tiveram o “prazer” de privar com ele na Guiné, e por isso ganharam-lhe um asco que nem podem ouvir falar do nome dele. Pelo menos um deles quando à 01:00 de 26/04/74 lhe viu a fronha à frente da JSN pensou “afinal… no fim de contas, é mais do mesmo”. Infelizmente a História deu-lhe razäo.

        Espera… um “militar notável”? Mais lavagem de imagem! Pois se onde ele tinha maior presença operacional directa, sendo até governador, perdeu a guerra totalmente: a Guiné-Bissau, cuja independência já tinha até sido reconhecida internacionalmente desde 24 de Setembro de 1973!

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