Fernando Antão de Oliveira Ramos (1933-2012)

Antão Ramos

No passado Domingo, despedi-me pela última vez do meu Patrono.

Senti a solidão própria de quem perdeu uma referência viva, e a amargura consequente de não ter aproveitado mais a sua vida. O que sempre acontece quando damos as coisas e as pessoas por garantidas, olvidando, tantas vezes, a nossa precária condição existencial.

Fernando Antão de Oliveira Ramos ensinou-me tanto sobre advocacia quanto sobre a vida. No seu estilo próprio, sólido, entre o racional e o temperamental. O seu pensamento metódico e a sua capacidade de articulação de raciocínio preciso e assertivo. O seu riso ritmado pela sucessiva graça encontrada na piada repetidamente analisada. O seu olhar vivo, cativante e profundo, com que perscrutava tudo quanto mirava. A sua imponência física em homenagem à sua solidez de carácter e de pensamento, retocado com um sorriso maroto.

Aprendi muito sobre a prática política, nas suas resenhas sobre a sua actividade enquanto deputado da Assembleia da República pelo PS na sétima legislatura, ora feita num  intervalo de trabalho ora decorrente de um assunto do escritório.

O reconhecimento do seu valor intelectual, alcança-se pela alcunha que lhe foi dada enquanto membro da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias: “O Sábio”.

Tudo quanto aprendi não é possível elencar, porque há coisas que se absorvem e se interiorizam, sem ser possível, sequer, enunciar.

No passado Domingo, a despedida física passou enquanto momento, mas irá permanecer como memória. Aqui, hoje, só posso despedir-me como sempre me despedi: “Com um grande abraço amigo, deste seu eterno estagiário.”

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Maria celeste d’oliveira ramos


  2. Uma grande homenagem, um grande texto e um grande Homem. Ninguém conciliava de uma forma tão harmoniosa, a sabedoria e a generosidade. E uma das suas maiores qualidades era a de realmente ajudar tudo e todos, mesmo aqueles que nem sequer o seu olhar mereciam, sem sequer pensar em obter algo em troca. Enfim era um Homem com um coração do tamanho do universo e cheio de misericórdia e com um cérebro digno não só de “sábio” mas de génio.

  3. Carlos TROCADO FERREIRA says:

    Um Homem de Génio e sobretudo um Homem verdadeiramente insubstituível. Que descanse em paz! Conheci-o muito pouco. Tivera eu tido a possibilidade (e o privilégio) de com ele ter ter privado mais e não conseguiria alinhavar mais do que duas palavras. Tolhido pela imensidão da sua Nobreza e Carácter ficaria mudo e quedo, curvado e rendido.

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