Mais amor, por favor!

Quem não repara nas inscrições que se encontram, muitas vezes, nas paredes e portas das casas de banho públicas? Uma porcaria. Com lápis, esferográfica, marcadores e objectos cortantes há muita gente que parece ter necessidade de «desabafar» com as paredes e portas de uma casa de banho.

Hoje reparei na única inscrição que uma porta de madeira deixava exibir. A lápis, uma menina ou uma adolescente acabara de deixar a sua frase anónima, como são todas as mensagens que se registam nestes locais: MAIS AMOR, por favor!

Gostei desta em particular! Limpa, lúcida. Letras maiúsculas e letras minúsculas que indiciam tons de voz diferentes. Pede «mais amor» com gentileza. Ela será gentil, educada, e sabe o que pede. Pede o mais importante numa porta da casa de banho que eu utilizei. A senhora da limpeza também reparará nela, na inscrição. Mas a senhora da limpeza, é sua função, compreendo, farta de limpar casas de banho e «porcaria» dos outros, fará desaparecer esta mensagem bonita. Até porque foi escrita a lápis e será fácil… Ou, intencionalmente, a deixará «esquecida» por mais uns dias? Amanhã vou espreitar.

Agrada-me imaginar «quem terá sido»? Sim, porque no edifício onde foi, é bem possível que eu conheça. Por que o terá feito? Fê-lo por si mesma ou por outra (s)?

A rapariga, de pé, terá esticado o seu braço direito (ou esquerdo) para escrever o seu apelo. Um apelo ou um desejo de amor. Não é no amor que todos pensamos e em qualquer lugar?

Comments

  1. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Pois é – amor por si só pela vida das plantas e animais e pessoas – como o do universo – e não custa nada – é só perceber que se aloja dentrpo do coração e da alma e da cabeça que — vai traindo essa dádiva de todos – como no sorrido de uma b«crança que esquecemos

  2. Pois says:

    Não sei se é por estar sob a influência do post anterior (http://aventar.eu/2012/11/23/apoio-a-producao-nacional/), mas inclino-me a pensar que a autora da inscrição se esqueceu de uma vírgulo. Provavelmente queria ter deixado escrito “MAIS, AMOR, POR FAVOR”… É por isso que me afasto da especulação de que a “rapariga, de pé, terá esticado o seu braço direito (ou esquerdo) para escrever o seu apelo.” Cá para mim, ela estava de rabinho para o ar e apoiada à porta, enquanto o seu “Amor” tratava de dar mais daquilo que ele pedia.

  3. Pois says:

    Errata: “vírgula” em vez de “vírgulo” e, na última linha, “ela” em vez de “ele”. É no que dá escrever numa casa de banho pública com o portátil sobre as cruzes de uma garina.

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