Resistir, der por onde der, ao Tsunami 2013

Cavaco tem tido os seus deslizes que o afastam preocupantemente da realidade. Não lhe caberia, logo a ele, colocar o dedo culpado na grande ferida nacional em que redundou a nossa desindutrialização e desactivação pesqueira dos anos noventa. Foi por sua mão. Dói. Mas se o problema de desconexão com a História, com responsabilidades passadas, e, logo, com a própria realidade, fosse adstrito a Cavaco, menos mal. Há, porém, mais tartamudo nefelibata no resto da esfera representativa convencional, a qual anda pela hora da morte. Por exemplo, o deputado comunista, Jorge Machado, quando se atira contra o roubo consignado no OE2013, dizendo esta mesma palavra grosseira e grotesca «Roubo», apanha logo pela frente o deputado do CDS-PP, Nuno Magalhães, o qual convoca a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, contra a suposta autorização de um vocabulário chulo por parte dos deputados, uma vez que na casa da democracia não se deveria autorizar hipérboles e desbragamentos de café, tasco e confeitaria [termos a que Louçã estava exclusivamente autorizado e os quais elevou a mito ciceroniano] argumentário perante o qual Assunção Esteves se limita a mostrar que pode ser seráfica, mas não é perfeita, pois, admitiu, estava distraída. Era uma cassete. Não reparou. Pelo que se limitou a chamar a atenção para a necessidade de evitar esse tal vocabulário rasteiro e básico, regressando à distracção ou lazer tagarela da presidência da Assembleia nos seus colóquios intestinos. De loucos.

Nós, portugueses, temos direito a catarse. O máximo de catarse, mas reconheçamos que o Parlamento não está habilitado a no-la dar em doses de convincente qualidade. Não há, na verdade, vocábulo chulo que traduza a nossa realidade quotidiana e os efeitos na nossa vida concreta de demasiada gula e demasiados erros políticos: já observaram o organigrama da Autarquia Bracarense? Fica tudo em família. Se nos sentimos roubados, não é só agora por causa do funcionário comunitário-BCE Gaspar, mas por causa da braguilha insaciável de demasiados Governos, uns mais que outros, a brincar com o nosso futuro cientes de que a memória das massas é fraca e frequentemente injusta. Do mesmo modo, se nos sentimos furtados, não é só agora por causa de Gaspar mas por causa da braguilha insaciável de Governos que brincaram com o nosso futuro, cientes de que a memória das massas é fraca e frequentemente injusta e logo se veria.

Na, verdade, poucos povos enxergo eu mais desapropriados, surripiados, extorquidos, rapinados, saqueados, esbulhados, gatunados, pilhados, subtraídos, palmados, larapiados, bifados, pifados, gamados, assaltados, salteados, tirados, limpos, despojados, confiscados, desapossados, apropriados, espoliados, ripados, amarfanhados, arrepanhados, empalmados. Foder-nos o bolso foi uma tarefa ardorosa  e competente levada a cabo diligentemente, orçamento após orçamento, passou uma década, passou outra. Acabou-se a brincadeira. Hoje a dureza e a impessoalidade dos cortes mostram-nos a verdadeira face do nosso estatuto de traídos, iludidos, intrujados, sodomizados de optimismo e modernização envenenada, venham lá com que converseta justificativa vierem de Wall Street para cima. Estúpido tenho sido eu em imputar boa parte do ónus deste naufrágio a um só homem e à sua clique de vorazes e imorais, a qual preparou o seu banquete em conluio com a Banca e os comensais habituais de todos os Orçamentos. Concentro demasiado as culpas num só, não se cansam muitos de mo apontar. Começarei a convencer-me dessa minha errónea obstinação a partir do momento que muitos e muitas a não substituam por outra com outros nomes.

Estamos neste redil. Vejamos no que dá. O que pudermos fazer por nós, façamo-lo. Por mim, quero resistir, der por onde der, ao Tsunami de 2013. Na expectativa de evitar esta crucifixão nacional, durante mais de seis anos espanquei e sangrei o meu bode expiatório preferido, o qual, vai-se a ver, agiu como um verdadeiro cabrão ainda mais frio e calculista que todas as previsões. Não me imitem o desperdício de munições, talento e energia vital, concentrando o vosso fogo noutros alvos demasiado óbvios, mas a jusante de uma longa cadeia de causa-efeito para a qual quase todos se borrifaram solenemente.

Comments

  1. patriotaeliberal says:

    Se te cingires mais no que se passa actualmente e no que pode acontecer a curto e médio prazo, talvez consigas sair dessa tua esquizofrenia e bipolaridade que só te faz mal à saúde e à visão das coisas e que se resume a este dilema simplificado que não interessa nem ao menino Jesus e não aquece nem arrefece, antes pelo contrário e que é este: qual dos dois é pior, mas mesmo pior – Sócrates ou Passos Coelho?

    Estás quase, quase, a chegar ao problema. Tem calma.

    • palavrossavrvs says:

      Olhe, amigo, escreva o que quiser. Comente o que quiser. E, na próxima oportunidade, visto que há muito mais vida e infinitamente mais blogue para além de mim, desampare-me a loja. Não mereço que se me devote com tanto denodo.

      Frankly, my dear Patriota, I don’t give a damn!

      • patriotaeliberal says:

        Então e o “não-unanimismo”?
        E o “amor à diferença” de que falas tão constantemente?
        E a “pluralidade” de pontos de vista?

        Não se pratica? É só retórica?
        Comentarei sempre que me apetecer.
        Este espaço é público e plural.

        E, depois, gosto do Aventar. E gosto de ti, pronto.

        Quando deixar de comentar, ou é por censura tua (!!!) ou porque arranjei trabalho.

        Espero que seja porque arranjei trabalho, obviamente.

        • palavrossavrvs says:

          Com essa, o P&L convenceu-me e recuperou o meu coração sincero. Evidentemente que jamais censuraria um comentário do meu amigo. Em dias como o de hoje, a minha paciência anda muito em baixo e a minha tolerância, que costuma ser solar e infinita, também.

          Sou eu. Não é o amigo P&L.

  2. patriotaeliberal says:

    E mais, se estás com intenção de resistir ao tsunami 2013 com este big issue de qual destas personagens é pior, mas mesmo pior do que o outro, só vais esbracejar no oceano e não sais do mesmo sítio. Já não bastam estes a quererem levar-me para o abismo e ainda vens tu, com estes posts obsessivos, a querer empurrar-me também para o tsunami.
    Nem tsunami nem abismos!

  3. Carlos Silva says:

    Esta personagem é a maior merda como presidente da República e todo o lixo de políticos do PS, PSD e CDS.

    Portugal é o país com as maiores desigualdades sociais na zona Euro devido à corrupção do Estado. Não podemos continuar a tolerar isto. Todos roubam o estado (a corja dos políticos), e claro para manter as mordomias dos parasitas aumenta-se os impostos como o IVA, o IMI, o IRS. Assim não, quem trabalha é que governa a escumalha.

    Como se pode admitir que um ex-presidente da república tenha as mesmas mordomias que o actual, ou seja, que gaste por ano cerca de 300.000€. Mas qual País é que pode comportar isto?

    E eles querem cortar no Estado Social.

    Andam a Brincar connosco. Não podemos deixar isto tudo Igual.

  4. Zé maria says:

    Confusão danada este texto. Extenso, redundante, pretencioso e chato. Muito chato
    Ocorre dizer que encheste um penico de mijo e resolveste botar lá a escritura. Uma porcaria liquida…
    O carcamano de Boliqueime caladinho como os ratoos lá nos vais enrabando e os escribas como tu não passam “disto”. Dasssss

    • palavrossavrvs says:

      Ó Zé Maria, borrifa-te para mim. Verás que te sentes muito melhor. Eu também me borrifo para a tua opinião saída directamente da ETAR de Estarreja.

  5. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Esta conversa está cada vez melhor (????????????????)

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