Guerra civil

Os búlgaros tomaram a rua com vassouras nas mãos e o Governo caiu. Preços da electricidade privatizada (entregue a grupos estrangeiros) despoletaram a subida de tom. Propostas cidadãs de alteração à Constituição e de escrutínio activo do sistema representativo estão agora em cima da mesa do povo búlgaro. “Nós temos dignidade e honra. Foi o povo que nos deu o poder” disse o primeiro-ministro búlgaro, acrescentando que não participará “num Governo quando a polícia bate no povo e as ameaças de protestos substituem o debate político”. Um clima de guerra civil (olhado com altaneira indiferença pela generalidade dos actuais governantes) espalha-se pela Europa das desigualdades.

Em Madrid, as imagens da repressão policial sobre os cidadãos que se manifestavam contra a austeridade e o desmantelamento do Estado social espanhol chocam e intimidam os portugueses, nas vésperas daquela que será sem dúvida a maior manifestação desde 1974. Vai ser preciso ter calma, ter cabeça, ter razão e jamais perdê-la, ter coragem para sair à rua no dia 2 de Março próximo sem medo.

Essas imagens de Madrid são insuportáveis. Nada dá a um Estado o direito de agir assim sobre as pessoas – os consumidores, os eleitores, o povo que compra e que vota, a gente em nome de quem se governa. Nada decidido por esses cidadãos dá aos governantes, em nome da defesa da estabilidade política (como se houvesse tal coisa nestas circunstâncias excepcionais), ou em nome do contratado com outros países e interesses, o direito aos governantes de mandar a polícia agredir com selvajaria os cidadãos que se manifestam contra uma política de austeridade sem fundo nem objectivo outro que não seja o de, governando pela força, liquidá-los.

Os nacionalismos vão começar a subir de tom na Europa, preparem-se. Se a História se repete é porque ninguém aprende nada. Será possível que, tantos anos volvidos, a marcha da Humanidade não nos leve a lugares históricos novos? Irra que é de mais.

Comments

  1. Olá…

    “Nós temos dignidade e honra.” Por cá, estes Valores já há muito que não são visíveis nos comportamentos dos “políticos”… Esperar que agora surjam assim como que do nada… É o equivalente a esperar que um meteoróide não falhe o alvo (como o último!)

    “Nada dá a um Estado o direito de agir assim sobre as pessoas”… Por acaso até há… A subserviência e a formatação social…

    E tens razão… Realmente o Povo Tuga é sinónimo de “não aprendeu NADA”… Pois ao fim de 38 anos de votações em eleições legislativas (e não só) não foi capaz de entender que PS=PSD=CDS!
    E pelo que vejo nas fantásticas sondagens… Continua como BURRO a não aprender nada com a História… Logo continua apenas a deambular entre Pastos! E de quando em vez a levar umas vergastadas dos Bacanos e do seu Fiel Amigo
    😉

  2. eduardo soares says:

    Este texto é de uma importância extrema !!! Congratulo-me e apresento a minha admiração à autora que é exemplar na apresentação dos assuntos, eles mesmos de grande pertinência e exemplares.
    Uma curiosidade: o seu nome é grego, Sara ?

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  1. […] e a contestação prossegue… privatizar monopólios naturais e serviços públicos é algo já testado e que dá sempre péssimo resultado. Em Espanha novas manifestações massivas. Em Itália veremos quantos votos o programa da Troika […]

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