O silêncio e o medo deles

O 2M não foi apenas uma manifestação e o pânico na área do governo, mais do que evidente, é a prova da importância do  2M.020320132359

E são muitos os sinais, mas já lá vou.

Tenho ido a muitas manifestações, vou a quase todas e continuarei a ir sempre que sentir que a minha presença é importante. E esta foi muito diferente das outras!

Foi diferente, pelo SILÊNCIO!

De forma surpreendente, ou talvez não, houve muitos momentos de silêncio. Chorei no momento em que a Manifestação arrancou da Batalha ao som de Zeca Afonso – foi um momento mágico, de emoção, de energia, de vontade de mudar. Ao longo do percurso – quase duas horas entre a Batalha e a Avenida dos Aliados – senti a dor nos olhos de quem saiu à rua. Foi, neste aspeto, uma manifestação diferente de todas as outras.

Foi diferente, também, porque os rostos não eram, nem os de sempre, nem tão pouco os mais novos – havia um traço comum em muitas e muitas pessoas que estiveram no Porto: a idade. Talvez pelo roubo (injusto, como todos os roubos!) nas reformas, talvez porque querem continuar o sonho iniciado no 25 de abril, talvez pelos filhos ou pelos netos…

Claro que estiveram muitos milhares nas ruas em todo o país.

Não sei se tinha mais ou menos gente que no dia A ou no dia B. Esse é um ponto que ignoro e que só é usado quando o pânico dos governantes é total. É claramente um sinal de alarme a tocar no Governo. Aliás, Sócrates e Maria de Lurdes tentaram sempre desvalorizar as Manifestações dos professores e tiveram o fim que todos sabemos.

Percebo que o PSD, das mais diversas formas, tente dizer que a matemática mostra que não cabem, na Praça X, mais do que… Continuem a fazer contas… Até à próxima.

Claro que também surge sempre o argumento de quem não percebe nada disto – a Democracia é muito mais do que votar de 4 em 4 anos e seria bom perguntar aos teus camaradas laranja o que fizeram eles em março de 2011 ou então poderás perguntar aos Professores, militantes do PSD, que desceram uma e outra vez a Avenida comigo quando havia a ordem laranja para atacar Sócrates a todo o custo. “Obviamente, demitam-se”, foi o mote da Manif no Porto e isso uniu toda a gente – claro que o governo tem a legitimidade do voto para ir até ao fim do mandato. Mas, é claro também, que o povo não aguenta mais este governo que vai, MESMO, cair antes do fim marcado na agenda.

Uma outra linha tenta o politicamente correto – Paulo Rangel, na TSF, acaba de dizer que o governo não precisava desta manifestação para entender o país, até porque já se notava, antes dela, uma mudança no discurso do poder. Pois é, meu caro Paulo, a questão é mesmo essa – o discurso começou a mudar devido a quê? Qual foi o único motivo para que o corte dos 4 mil milhões não tenha sido apresentado em fevereiro?

E por último, dizer que estou em total desacordo com o Fernando quando tenta apontar para Passos Coelho, como o Salvador. Subscrevo, por isso, o apontamento do António Nabais. Meu caro Fernando, quando a equipa não rende, o problema pode ser de todos os jogadores (e é!). Mas, o treinador é o responsável.

Como é que podes pensar que a solução está em Passos Coelho, quando ele mantém Relvas no governo?

Comments

  1. Teresa Veloso says:

    É engraçado…..aparecer este texto hoje e agora. Porque eu hoje ia a conduzir na A3, e aproveito estas viagens diárias para os meus momentos de reflexão a sós. E vinha a pensar que TU, JP , estavas diferente nesta manifestação. Senti-te diferente, sabes, senti-te como se tivesses passado da fase de adolescente responsável ( porque acho que foste sempre um adorável adolescente irreverente mas responsável ) para a fase de Adulto. Mais grave….senti-te um adulto preocupado (muito ) e até um pouco triste…. e é isso que me preocupa, e é isso que temos de combater. Não podemos perder a alegria….esse é o nosso trunfo, não podemos deixar que nos roubem até as coisas que não pagam impostos! Estiveste bem JP, e todos precisamos da tua força e da tua alegria. E todos precisam da nossa força colectiva e da nossa luta, Mas….por favor….NÃO PERCAMOS O NOSSO SORRISO, pelos nossos filhos!

    • João Paulo says:

      Sim, senti-me menos alegre… Sinto que não estamos num momento qualquer. Não é uma coisa qualquer, nem tão pouco uma coisa menor… Pois… o sorriso, esse continua, caso contrário não teríamos avançado para a maré da Educação, nem tão pouco me daria ao trabalho de escrever no Aventar. Ainda acredito que isto vai, com ou sem sorrisos 🙂
      PS: continua as viagens na A3 :)h ehehehehhe

      • teresa veloso says:

        A curto prazo vou saltar da A3, para a linha do Minho…..por razões de saúde ainda não o fiz, tendo em conta a situação climatérica….mas lá terá que ser…..porque nínguem aguenta pagar 500 € de portagens e combustíveis para vir trabalhar…..ainda por cima estando no horizonte a criação de mais uma portagem na dita cuja A3 !!!


  2. Depois deste texto, só posso CALAR; …um SILÊNCIO que significa “apenas” absoluta CONCORDÂNCIA!!! Depois da minha participação nas primeiras ELEIÇÕES LIVRES no “Portugal do meu tempo”, no Sábado foi a minha segunda “estreia”… não no “meu” Porto, onde gostaria de ter estado, mas em Viana do Castelo, Distrito onde optamos por viver os nossos últimos anos!!! EU ESTIVE EM VIANA DO CASTELO… eu “desfilei” em Viana… e senti isso !!!
    Álvaro Oliveira

    • João Paulo says:

      Obrigado pelo comentário, mas calar, NUNCA! Agora que a bola mudou de lado, calar, NUNCA!
      JP

  3. Teresa Veloso says:

    Também não discuto, nem é isso que está em causa, se eramos 1.000 ou 100.000. Eramos muitos e com muita força! Senti a falta dos Estudantes Universitários que deveriam ter estado com a mesma alma, que estão no cortejo da queima das fitas…..porque os Estudantes tem uma força enormeeeeeeeeeeeeeee, não senti a falta de muitos que em 15 de Setembro se andaram a mostrar, porque era giro e era queque ir a uma manif. Esses desta vez não estiveram, mas não fizeram falta…porque esses apoiam as políticas actuais


  4. Quero lá saber quantos fomos. O medo mudou de lado.


  5. esta semana ainda virá a desilusão.

    • João Paulo says:

      Desilusão? Mas… alguém, no 2M, tem ilusões com este governo? Não me parece, logo, não é necessário a existência de desilusões.

    • Teresa Coutinho says:

      não pode haver desilusão porque já ninguém anda iludido; isso foi na campanha eleitoral…agora só podemos ter esperança num futuro diferente… nem que seja no próximo acto eleitoral. Isso ninguém nos tira.

  6. Ana Feiteira says:

    Vi, também, um rosto carregado, o que não é habitual ver em ti. No entanto, penso, tal como tu, que “o medo mudou de lado” e tenho esperança de que este (des)governo vá embora antes que acabe a legislatura.

    • João Paulo says:

      A tua mensagem foi o melhor daquela tarde – foi quando percebi que tinha valido a pena o 2M! Obrigado

  7. Observador says:

    Estive também presente no Porto (Pr. da Batalha e Avenida), e quero deixar aqui outro testemunho: a postura provocatatória de muitos policias presentes.
    Para quê uma carrinha atravessada em 31 de Janeiro, cheia de escudos à vista?
    Qual a necessidade das bocas da policia quando os carros começaram a passar junto ao hotel das Cardosas? (cuidado que podem começar a chover pedras…)
    Porquê todo o aparato de polícias desde a Rot. da Boavista até à Praça?

  8. Professora rebelde says:

    Olá, colegas de luta!!!
    Talvez que os rostos tensos não sejam unicamente por conta deste governo…O meu não era. O meu refer-se á falta de perspetiva. Quer queiramos, quer não, somos um país onde se pode dizer que o rotativismo impera…Os governos oscilaram sempre entre o ps e o psd. Que futuro teremos se este governo cair? Isso um ps que não governará melhor e porque a minha memória é ainda boa, continuará na linha de perseguição dos profs, Não, ainda não me esqueci o que a maldita Milu nos chamou, não me esqueci daquilo que ela nos fez e muito menos do seu sorriso cínico, nem do Sócrates, que fique em paris ad eternun, se bem que um dia voltará como se fosse D. sebastião o desejado e será venerado por aqueles que t~em não só memória curta, como tb por aqueles que querem “mamar” e estão ansiosos por uma brecha para o fazer. Enoja-me cada dia mais esta porca de política!!!
    Vivam os professores!!!
    PS- no local onde me manifestei, Leiria, eramos a classe mais representada.

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