Queixa feita ao provedor do DN

Caro provedor,

Fui leitor e comprador do DN desde que o José Manuel Fernandes liquidou o “Público”. Até hoje. Um jornal que se permite publicar um retrato biográfico/perfil de Hugo Chávez sob o título, na versão on-line, de “Chávez: um caudillo dos tempos modernos” e, na versão  impressa, de “o caudilho do pós-guerra fria que criou a nova Venezuela”, da autoria de Albano Matos, indicia uma falta de seriedade, rigor e isenção com a qual não posso, atento o estatuto editorial do jornal, conviver. Pois uma coisa é opinar acerca da figura de Hugo Chávez ou reportar o modo como alguma opinião pública e publicada o via ou vê, outra é,  desrespeitando não só os valores jornalísticos acima referidos, como o povo que nele livremente votou e por isso a própria democracia, associá-lo a um ditador fascista que se perpetuou no poder pela subjugação violenta.

Sabendo que outros leitores do DN partilham esta opinião (atentos os comentários on-line recolhidos pela dita peça jornalística) e porque não deixarei de manter acesso a recortes de imprensa na área dos media, passando a ler o DN apenas por dever de ofício, gostaria de obter a sua opinião sobre o que entendo ser um atropelo deontológico significativo que põe em causa a integridade do jornal, visto que nos permite pensar que  outros assuntos não serão por ele tratados com a equidistância que se exige.

Grato desde já

E com os melhores cumprimentos

João Pedro Figueiredo

Comments

  1. André S. says:

    Parece que alguém ficou chateado por não ouvir aquilo que queria ouvir, mesmo sendo verdade, e rejeita qualquer mensagem que se desvia um milimetro dos preconceitos que criou. E esse preconceito está tão entranhado que o leva ao extremo de rejeitar todo o mundo que poderá contrastar com essas ideias, por muito infundadas e mal-concebidas que sejam.

    Uma coisa é sermos bombardeados por propaganda. Outra coisa é exigirmos sermos bombardeados por propaganda, e entrar em ressaca quando não recebemos a dose.

    • Maquiavel says:

      Como você recebeu a dose de propaganda que querias, já está mais calminho…

    • Nascimento says:

      A tua dose de cogumelos? É dessa dose que falas,não é?Já agora tu sabes o que é propaganda? A sério?E preconceito?E mensagem?Leu uns livrinhos? Foi?Ai,ai….

  2. balde-de-cal says:

    não vivo nas favelas de Caracas, as maiores do mundo, apesar do ‘pitrol’

    • Nascimento says:

      Podes sempre ir para lá ,cultivar as terras Indigenas,a sério pá.AGORA, ( na era da DITADURA CHAVISTA) , ao fim de 180 anos de Historia, mais 2 milhoes de hectares entregues e com pedidos de desculpa, por todo o sofrimento infligido aos povos Indigenas, foi unico, e foi o arranque …não lês?
      És bem vindo.Vá, vai até lá….e já agora, se quiseres tambem tens AGORA , acesso ás Universidades, sem precisares de fazeres parte da ÉLITE DE CARACAS.Não sabias meu “democrata”?? O seu acesso era, antes de Chaves , COMO É ACTUALMENTE NO CHILE!!! Só jogas Playqualquermerda, e brincas nos blogues,por isso olhas para o dedo e julgas que é a Lua….a questão meu tótó, é esta, PORQUE É QUE HÁ BARRACAS, E HÁ QUANTAS DEZENAS DE ANOS?E ISTO APESAR DE SEMPRE TER HAVIDO PITRÓL???Hem?Tá lá?LOL, imbecil.

    • Maquiavel says:

      Armindo, só lhe tenho a agradecer de nos trazer esta genial peça!
      Realmente, o El Jueves (que sai às Quartas), é dos meus “jornais” preferidos em Espanha!


  3. O que o meu amigo acabou de fazer tem um nome: ser bufo. E o que pretende que o provedor faça também tem um nome: censura.Todos os que vivem na miséria das favelas em Caracas, com certeza, não partilham das suas ideias românticas sobre o novo “Ché”. Até parece que já todos se esqueceram das loucuras como o do cancro inoculado pelos EUA, inventadas apenas para os ignorantes deste lado do Atlântico, e os Venezuelanos que ele insistiu em manter na ignorância aplaudirem. Tenham dó!

    • Olavo says:

      Parece que acusar os lideres de outros países do mundo de estarem por detrás de uma conspiração provocadora de cancro é um comportamento muito racional e ponderado. Fechar o cadáver do defunto canceroso num caixote de cristal para os pobrezinhos irem ao beija-mão também é uma coisa de gente de bom senso. Tudo está bem com uma normalidade dessas.

      Ao menos quem está por detrás dessas iniciativas normais, de encaixotar cadáveres para a populaça idolatrar, são aqueles que defendem a extrema igualdade entre pessoas. Imagine-se só se em vez disso essa gente defendesse que havia pessoas que valiam mais que as outras.


  4. Eia! Tanta conversa de favelas! E nenhuma conversa sobre, por exemplo, democracia directa e assembleias populares e universidades do povo. Pergunto-me porque será. e pergunto-me porque será que quem mais se afanou em ‘denunciar’ o ‘ditador Chavez’ foi a classe média, sobretudo a emigrada – e por ‘problemas’ como por exemplo certos exercícios de redistribuição vertical. Que iremos ver agora quem é que vai pagar a dívida – se a classe média, se os pobres: porque ninguém acredita que a comunidade internacional, feliz com a morte deste ‘ditador da esquerda’, resolva perdoar a dívida acumulada desde as décadas de 1970-80, e com a qual as instituicoes financeiras globais tinham a Venezuela de Chavez agarrada pelos ditos cujos… ou acreditam?
    Tanta ignorância também. Por exemplo: ‘ser bufo’, ó caríssimo aí acima, não é apresentar uma queixa pela falta de isenção de um ‘jornal’. Chama-se a isso, penso, ainda, o livre exercício da liberdade de expressão democrática. Ao resultado da queixa chamar-se-ia, se ele acontecesse, um exercício de preservação da isenção jornalística. Será assim tão fora do alcance de certas pessoas? Mas enfim, a ignorância é um estado voluntário. E eu tenho um problemazinho, nada de maior, diga-se, com a ignorância, e muito sobretudo se aliada (como infelizmente parece sempre vir, e não será generalização fácil da minha parte) ao sectarismo de direita.
    (E já agora um desabafo: arre, que já cansa! O que esta malta que fala assim gratuitamente em bufos precisava era de ter vivido uns aninhos debaixo de Salazar – curava-os a todos, logo, logo, loguinho! E ensinava-lhes o que é ‘um bufo’, e a que cheira a censura, por falta de dicionário que lhes valha.)

    • Nascimento says:

      Atão nã vê que o rapazola sabe o que é viver nas favelas,ele inté faz montes de imquéritos lá praqueles situs porra.E o que o rapazola pecebe daquilo…atão nã se tá mesmo a ver, que as favelas foi OBRA do Chaves….tadido.Ele é só “preocupações”…é assim mais…pois


  5. LFP: bufa é a sua tiazinha e censura é a sua cega arrogância, que o impede de ver para além do preconceito. Mas vou ser pedagógico, em vez de vazar os intestinos pelos dedos…

    Não estou a defender o que as pessoas como você odeiam em chavéz mas sim a deontologia jornalística. Uma coisa é dar opinião, como você acaba de fazer (uma opinião desinformada, pois passa como cão por vinha vindimada pelos indicadores de desenvolvimento), outra é manipular, chamando caudilho a quem foi esmagadoramente eleito em processos democráticos validados por observadores independentes de diversas organizações internacionais.

    Se o artiguelho do DN integrasse uma coluna de opinião, nada haveria a apontar. Como não integra, deveria pautar-se pela isenção, valor fundamental da profissão que aqui foi abalroado. O Público, cuja diretora fez um depoimento oral miserável sobre a figura (vejam o site), porque assente em historietas de propaganda anti-chavista (conheço bem uma das que ela invoca, a do fecho das televisões, e posso assegurar que é falsa), não se atreveu, na matéria publicada, a cometer a desinformação que no DN repudio.

  6. lidia drummond says:

    Deixem o morto ser enterrado com dignidade, pois se fez algum mal fez muita coisa. boa. E é doenIiote começarem a malhar num ser humano que acabou de morrer depois de grande sofimento Chma-sa a isso per
    iodo de Nojo. Como as eleições são dentro de 30 dias, nessa altura, já as nossas emoções estão mais calmas e nessa altura podem vociferar à vontade. Para mim tanto faz embora acha-se o homem muito divertido e cool sempre com a resposta na ponta da língua. O resto é porca da POLITICA

  7. xico says:

    João Figueiredo,
    Foi a palavra caudilho que o abespinhou? É porque se foi, tome uma dose de dicionário ao deitar que isso passa.

  8. jpfigueiredo says:

    Caro xico, tá giro o seu comentário, mas avaliar pelo dicionário a história e os seus revisionismos tentados é um conselho fraquito, não acha? É que o artiguelho do DN em causa pauta-se do princípio ao fim por uma comparação entre Chávez e o fascista Franco que, não tendo ponta por onde se lhe pegue, é sintomática da ignorância e leviandade com que se escreve hoje nos jornais. A palavra usada apenas denota um acinte ideológico de pacotilha que neste caso é desmontado às escâncaras pela evolução das condições de vida dos mais desprotegidos na Venezuela de Chavéz. Mas ser malévolo a coberto de um estatuto que ainda merece respeito, o de jornalista, já é filhadaputice que não se tolera.

    • xico says:

      Não li o artigo. O seu protesto pareceu-me centrar-se exclusivamente na palavra caudilho, daí o comentário, falha minha. É que caudilho está londe de poder ser considerado insulto. Quanto ao resto, terá concerteza razão, mas teria de ler o artigo para poder opinar.

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