Ó ‘Vampiro’ Azevedo, regressemos às mercearias,drogarias…

custos de hora de trabalho em Portugal_2011

Fonte: Observatório das Desigualdades

Poucos, raríssimos, trabalhadores usufruem de doações do tipo e dimensão daquela que Belmiro de Azevedo beneficiou do patrão Afonso Pinto de Magalhães. Com esse generoso prémio, Azevedo, até então engenheiro director de madeiras e contraplacados, transformou-se no 16.º accionista da Sonae, de que tem sido destacado presidente.

Azevedo, antes e depois de acérrimas lutas judiciais com a família Pinto de Magalhães, e graças a hábeis jogadas, Golpada em Grandes Negócios, tornou-se líder da Sonae, diversificando o grupo empresarial e colhendo benefícios do lançamento e expansão de cadeias de supermercados, hipermercados e centros comerciais.

A Sonae Indústria, ponto de partida no conjunto do grupo, é agora membro menor. Porém, tem de se esclarecer, a desregulação e condições leoninas impostas pela distribuição moderna a produtores nacionais foram de tal modo penosas, que muitos deles se viram obrigados a falências e insolvências – só para dar uma ideia dos dislates permitidos ao ‘Continente’, parte do qual já se chamou ‘Modelo’ e ‘Modelo Bonjour’ (O ‘Pingo Doce’ é o outro sugador), na abertura do ‘Continente’ do Colombo, em Lisboa, a um produtor de legumes entalados (feijão e grão) foram exigidos e pagos 25.000 contos por um metro de linear, para o que se chama ‘colocar o produto em linha’ (à venda) na loja.

Gaia, que de uns tempos a esta parte se transformou na capital da reflexão, convidou o Eng.º Azevedo para abordar temas de carácter político e social no tal ‘Clube dos Pensadores’, onde Miguel Relvas, antes tinha entoado, atabalhoadamente, o ‘Grândola Vila Morena’. Azevedo, produto de reflexões geniais e profundas, saiu-se com esta:

“Se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém”.

Azevedo sabe perfeitamente que, em termos de ‘custo da hora laboral’, Portugal ocupa o 18.º lugar com 12,1 € por hora, num conjunto de 28 países (27 da UE e Noruega). Mas, se à semelhança de Coelho e do António Borges, o engenheiro insistir na receita, então proponho que disputemos o último lugar ocupado pela Bulgária (3,5 € / hora).

Mas não ficamos por aqui. Como o Belmiro se metamorfoseou em ‘Vampiro’, acabam-se os supermercados, hipermercados, centros comerciais e outros luxos proporcionados pela chamada ‘distribuição moderna’. Regressar em força aos tempos das mercearias, drogarias, tascas, retrosarias e lojas que vendam desde a camisola de ‘malha interlock’ ao fatinho de feltro ou poliéster, sem esquecer a batinha de chita e o chinelo de trança.

Pois é, caro ‘Vampiro’, você está a salvo, mas nós vamos todos para o fundo… ‘Por favor não me morda o pescoço’.

Comments

  1. Nuno says:

    “peste grisalha” não se referiria o senhor deputado a senhores como o tio Belmiro não?

  2. Carlos Fonseca says:

    Não entendo a dúvida.


  3. Carlos Fonseca, parabéns! Excelente artigo. Penso que ainda ficou algo por dizer sobre a demanda que este fulano (ainda) mantem com a família Pinto de Magalhães, e ao que consta pouco abonatória do figurão.
    Estas denuncias são uma preciosidade informativa e um serviço de cidadania. Muito obrigado.

    • Carlos Fonseca says:

      Caro Zé Maria, na minha óptica, os deveres de cidadania obrigam a este tipo de intervenção. Conheço alguns pormenores dos comportamentos moral e materialmente reprováveis pelas empresas de Belmiro Azevedo. Por outro lado, desempenhei funções profissionais que integravam a negociação com esses monstros, chamados Sonae (Continente) ou Jerónimo Martins (Pingo Doce). As leis que (não) regulam a distribuição moderna são demasiado permissivas. Diversos pequenos fabricantes portugueses acabaram por ficar endividados e falidos. Foram espoliados por esses merceeiros e outros que tais. Uma vergonha!

  4. João Santos says:

    BOICOTE AOS PRODUTOS DO GRUPO SONAE JÁ!!

  5. nightwishpt says:

    Pois, a 3.50€ à hora não dá para supermercados nem shoppings…

  6. Guilherme J C Lopes says:

    É verdade, os pobres sempre tiveram dificuldades mas não como agora, o tempo a que o camarada se refer ia-se a dita merciaria, drogaria casa de ferragens e pedia-se ao ti Manel se podia pagar no fim da semana e o ti Manel cedia e agora tudo a pronto porque a crédito fica mais caro

    • Carlos Fonseca says:

      Se não é empregado da Sonae ou do Pingo Doce, imprima o seu comentário e apresente-o como CV.
      Há alguma mentira no que escrevi?

  7. joao riqueto says:

    Muito bem Carlos Fonseca. Essa casta de “empresários” a que o sr Belmiro pertence, é a principal responsável da situação económica em que país chegou. E sem acabar com eles, não vamos a lado nenhum.

  8. Fernando Torres says:

    Este senhor comparado com o Ulrich de um determinado banco, está a milhas!

    O Vimeiro ainda vai ser local de peregrinação em Portugal!


  9. 6 €uros foi quanto o Belmiro não me mamou hoje. E acho que não já mamou o que tinha a mamar

Trackbacks


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