A Direita e sua História

Quando apareceu esta cena do neoliberalismo no jardim da Europa à beira-mar semeado soltei um razoável desprezo pela novidade em si. Se por um lado vejo as teorias políticas mais para o lado da treta e me interessam sim as práticas (o que já me causou dissabores, nomeadamente académicos, mas sou como sou e não como eventualmente gostaria de ser), por outro encaro em consequência esquerda e direita num quase contínuo histórico e as ideologias modernaças com o mesmo desinteresse de um desfile de moda.

A prática confirma: a nossa direita que na anterior geração foi fascista (ou com ele conviveu em paz, respeito e harmonia) descende dos talassas de há 100 anos, dos miguelistas oitocentistas, esteve com Filipe I em quinhentos e com João de Castela em 1385, para não entrar em exemplos mais anacrónicos que fariam de Afonso Henriques um homem de esquerda, mui avant la lettre, e entrando inexoravelmente no disparate. Claro que quando digo isto levo porrada, da direita que se nega e da esquerda muito ortodoxa nas suas filiações. C’est la vie.

Foi pois com inebriado prazer e profunda admiração que li este artigo do Filipe Faria. Palmas, bis, encore. Haja pois coerência e alguém da direita que corajosamente saia do armário.

PS – Eu sei que isto à esquerda tem os seus esqueletos, embora pela parte que me toca não passem de uns tarsos e falangetas. O problema aqui é simples: quem não se liberta criticamente do seu passado, claro que leva. Só se perdem as que caírem no chão.

Comments

  1. palavrossavrvs says:

    Pá, acredito no poder da síncrise, sem ter de me definir por um lado ou outro, Direita ou Esquerda, de aspirar à felicidade nas sociedades. Repara como a ganância é ambidextra.

    Era impossível fazer instantaneamente uma transição ideológica e discursiva do demagogismo socialista a um conteúdo [qual?] cultural de Direita.

    Recomendo aliás aos Partidos agora no Governo que vale mais ficar calado ou apostar todas as fichas na fundamentação político-cultural que Poiares Maduro começa a fornecer, fornecendo inteligência e humanismo ao ultra-teorismo gaspariano e à secura nihilista passos-coelhiana.

    • adelinoferreira says:

      Ó Joaquim a inteligência do Maduro, pelo
      que tenho (ouvideo) não vislumbro, já o
      Humanismo,muito menos!
      Desculpa se já estavas a dormir!

    • nightwishpt says:

      És tanto de esquerda como eu de direita.

  2. Ausente Irreverente says:

    Eu, mecanicamente falando, associo a “esquerda” e a “direita” politica a um pistão e a uma cambota. Não trabalham um sem o outro. E eu, sonhador e bom cliente desta oficina desarrumada, suja e dispendiosa, la’ vou pagando as contas na esperança de que o meu mecânico um dia substitua aquelas duas confusas e oportunistas peças por uma vela de pano. Assim sei que se há vento ando, se não há fico parado. Mas ao menos não sou enganado nem sustento o parasita do mecânico.


  3. http://www.economist.com/blogs/freeexchange/2012/09/financial-crisis
    Why not to expect recovery anytime soon
    Sep 3rd 2012, 16:32 by L.P. | LONDON

    SIGNS of weakness in advanced economies seem to have taken some by surprise. In America, GDP growth slipped in the second quarter of 2012 to a revised figure of 1.7% after growing at a rate of 2% in the first. In Britain, the economy is contracting at 0.5% a year based on latest data, adding to an increasing sense of frustration felt towards the government for failing to ensure a faster recovery.

    But perhaps we are suffering from memory lapse. To understand the effects of an economic crisis, you have to go back to its roots. A new study by Alan Taylor draws attention back to the causes of the 2008 financial crisis. Through a series of tests run on a sample of 14 advanced economies between 1870 and 2008, Mr Taylor establishes a link between the growth of private sector credit and the likelihood of financial crisis. The link between crisis and credit is stronger than between crises and growth in the broad money supply, the current account deficit, or an increase in public debt.

    muito interessante…

    • nightwishpt says:

      Claro que sim, um sistema financeiro baseado na dívida em que só uns perdem o pouco que têm é insustentável.


  4. é só farrapada, filhos da puta mesmo!

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.