Daniel, Sancho Pança de Monco Caído

SylvesterPoderíamos estar aqui a inventar a emergência de mutações ideológicas e travestismos opinativos na personalidade do comentador Daniel Oliveira, numa espécie de pirueta mental de 180º. Mas é muito pior que isso. Regra para muitos, não sei se para ele: quando mais mediático, mas nulo e susceptível de licitação. O que se passa neste momento com ele, isto é, com o que vai derramando no Arrastado e no Espesso, é a completa absorção retórica da retórica solipsista que todo o curral socratesiano vem repetindo desde há dois anos nos blogues que a ele-sócrates fidelizaram a cerviz dobrada e o monco caído. Sim, os valupis, os jumentos e os diabo a quatro.

Primeiro alvo, e gratuito, aliás: o Presidente. O lastro socratista insiste em que ele inventou as escutas feitas pelo anterior Governo a Belém, coisa, teoria, factóide que apenas prejudicou o PSD, mas já não interessa para nada a evidência da monstruosa mistificação em que assentou toda a campanha eleitoral do PS, a qual, em 2009, forneceu um segundo take minoritário a um Governo esgotado, campanha empurrada com milhões de euros, com Figos para a fotografia, com planos para o redesenho editorial da TVI enquanto a negrura das contas públicas era varrida para debaixo do tapete de modo assistido, media comprados, para mais tarde nos explodirem na cara, falhanço após falhanço dos números do défice em 2010.

Daniel, Sancho Pança mais recente do quixotismo socratista, diz a mesmíssima coisa que os blogues pretorianos daquele, ao ponto de parecer a quem, como eu, o lê que já não lê uma cabeça livre, embora oca, de influxos espúrios, mesmo de rupturas plausíveis e anúncios do Fim do Mundo em Cuecas, mas uma, mais uma-cabeça!, que se limita a derramar obsessiva e repetidamente o mesmo que o anónimo Valupi, para todos os efeitos, um anónimo castrado de qualquer coragem de se apresentar na plenitude da sua identidade, coisa que Sancho Daniel Pança não é, honra lhe seja. Insultar Cavaco e fazer dele o saco de toda a pancada retaliatória faz parte da ementa.

Tal retórica enquistada e repetitiva dos prostitutos intelectuais de Sócrates repete que Cavaco, na sua tomada de posse, apelou à revolta nacional contra os sacrifícios impostos pelos sucessivos PEC. Isto foi mil vezes escrito pelos valupis. Ora, Daniel aparece agora a dizer o mesmo, seguindo basicamente o mesmo esqueleto argumentário. Sucede que foi contra muito mais que somente aquele estado de coisas putrescentes e inúteis dos PEC aquilo para que Cavaco apelou. No dia 9 de Março de 2011, apelou contra a Mentira e a Descredibilização do Estado Português [hoje corrigida], apelou contra a Falsificação dos Números [hoje nada se desorçamenta nos Orçamentos], apelou contra os Negócios Ruinosos Sucessivos e Comissionistas [hoje revêem-se as PPP ruinosas do socratismo, não se assinam sucessiva e sofregamente novas PPP]. Apelou, enfim, contra o Amiguismo e o Favoritismo Instituídos como caminho natural do pseudo-socialismo socratista, chuveiro de dinheiro à fartazana a quem [empresas, opinadores, figuras influentes] subsidiasse o Partido, dissesse bem do Partido e do seu supremo líder, consolidando uma forma de absolutismo pelo absolutismo e de perpetuação no Poder mediante a construção mediática de ficções convicentes, circenses, lustrosas, de curto prazo, metesse o Barco Nacional a água que metesse. Hoje, todos, livre e abertamente, podemos votar contra o PSD, punir o CDS, pois não consta que estejam a gastar montanhas de euros com uma equipa de assessores especialistas em treta e maquilhagem e aparecem tão frágeis, tão descoordenados e em dissensão que, dir-se-ia, temos um Governo suficientemente humano para falhar no acessório e cumprir os mínimos que nos salvaguardem de maiores desgraças que as que já abundam.

Portanto, Sancho Pança-Daniel Oliveira, auto-evacuado, no papel, do BE, tu não foste apenas capturado para a órbita do Partido Socialista: entraste de cabeça para o antro maquiavélico de um certo Partido Socialista, hoje completamente à margem, marginal e derrotado, acantonado no seu radicalismo ressentido e esquerdista por conveniência. Porquê, pá? Por que seremos obrigados a ver-de debitar o sistema argumentário petrificado dos blogues socratesianos e não o que realmente te apeteça pensar?!

Deve ter valido a pena. Mais um Jedi ambicioso que perde a cabeça e se atira todo ao colo do Lado Negro da Força. Eu, que sou uma merda, um lixo, um blogger sem classe, eu, que nem sou de Esquerda, nem de Direita, merecia qualquer coisa menos previsível da tua parte, pá. Agora, além dos teus fantásticos perdigotos, tipo gato Sylvester diante do canário amarelo Tweety, à meia-noite de Sábado, já sei quem aí te ventriloqua e te automatiza a escrita [sem exorcista] quando calha.

Isso não se faz aos amigos, pá.

Comments

  1. Amadeu says:

    Devias mudar o nome para Papagaiossaurus

    http://youtu.be/Vpv-l3v5P2I

  2. Dora says:

  3. Dora says:

    “Insultar Cavaco e fazer dele o saco de toda a pancada retaliatória faz parte da ementa.”

    Palavrossaurius, há quem se insulte a si próprio e aos outros.

    Ao relacionar a 7ª avaliação da troika com NS de Fátima, insulta católicos e , simultâneamente, todos os que o não são.

    Não sei se ria, se chore.

    Já nem a NS de Fátima está a salvo desta nave de loucos varridos.

  4. nightwishpt says:

    Ao contrário de outros, o Daniel não anda a praticar o colaboracionismo a ver se lhe calha um papel no governo.
    Nem tão pouco, como você, a mentir descaradamente sobre governo nenhum, como se aquilo que afirmou sobre este governo tivesse algum pingo de verdade.
    O senhor faz claramente parte do grande grupo de portugueses que merece a situação económica onde está e estará até à reforma… ou, mais provavelmente, até à reforma dos filhos.

    • palavrossavrvs says:

      Não mereço. Mas é curioso como aqui não falta quem me deseje o pior possível só pelo que defendo, desconhecendo o que sou.

      Não sou vingativo e perdoo sempre aos que não sabem o que fazem nem o que dizem, amaldiçoando, não a realidade de sete varas em que estamos, mas o mensageiro. Por isso espero o melhor possível no bolso e na saúde do nightwshpt. Não lhe desejo o meu desemprego, nem a miséria do meu subsídio de desemprego ou das minhas perspectivas estritamente portuguesas, nem os meus apertos e dificuldades consentâneos com a Hora. Desejo-lhe no bolso de António Mexia para cima, com bónus e gratificações ao nível do primeiríssimo Mundo.

      É muito portuguesa a demonização do mensageiro e tresleitura da mensagem. Não posso fazer nada, mas também não me molesta em nada.

      • nightwishpt says:

        Eu não lho desejo, você é que o merece porque é pelo que luta.

        • palavrossavrvs says:

          Se você sabe o que eu mereço e interpreta com competência o aquilo por que luto, verá que luto por que não nos caia a miséria do Escudo, humilhações pré-bancarrota, começo de todas as misérias e de todos os dilemas, nem nos aconteça a recapitulação da linha metódica desastrosa dos Metralhas Socialistas, veja-se a linha errática e aflitiva do Hollande.

          Ana Gomes esta manhã defendia na Rádio que se taxassem os largos milhares de milhões de euros em offshores detidos por portugueses que assim fugiram ao fisco. Também defendo isso, essa quimera, esse conto de fadas no País de todas as só-nos-fodem. Tenho consciência da covardia dos Governos na hora de cobrarem pelo País, em defesa do pensionista, do contribuinte e do reformado, a massa brutal do que, ano após ano, é sonegado ao Fisco. Mas reconheça-se que nunca se procurou fazer tanto, tão abertamente, como agora.

          Por que é que o nightwishpers não organiza uma milícia indonésia para me vir suprimir e reeducar na linha argumentária certa?! O pensamento único deve ser o máximo.

          • nightwishpt says:

            Porque os portugueses são livres de escolherem chafurdar na pocilga durante o tempo que quiser.
            Você luta para que a banca, e nem sequer nacional, tome o poder de tudo e não seja responsabilizada por nada, que os trabalhadores sejam tratados como gado pago abaixo da preço de sobrevivência e que os serviços sociais sejam péssimos excepto para quem os pagar a empresas amigas dos maçónicos.
            É este o novo modelo para a Portugal e para a Europa. Mas ainda sonha que não, que o mercado é uma coisa que funciona, quando nem muitas vezes nem há escolha e quando há não há um mínimo de possiblidade de esta ser informada, mas que magicamente tudo funciona num mijo dourado vindo das classes superiores.
            Vá preparando os joelhos a ver se lhe calham migalhas

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