Ah! As Virgens!


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Não deixa de ser costume comigo, mas, apesar disso, estas situações têm sempre o dom de me tirar do sério. Explicando melhor, estou, desde há muito tempo, habituado a estar do lado da barricada que menos aceitação tem pelo “mainstream”. Até gosto porque, normalmente, o dito “mainstream” jura a pés juntos que é muito “main”, mas, na verdade, a sua representatividade resulta mais dos decibéis e dos favores da comunicação social, do que da pura aritmética. E pelo facto de apregoarem aos ventos que representam a maioria, é-lhes oferecido, em bandeja de ouro e sem real préstimo que o justifique, o “double standard” (isto de meter muitas coisas em inglês, fica sempre bem). É assim com o futebol, com os benfiquistas a arrogarem uma enormidade de adeptos e a conseguirem um tratamento muito mais favorável como é assim na política onde a esquerda (até a mais radical) obtém, da parte dos arautos, permissividade, privilégios e parcialidade.

Vem isto a propósito de um deputado ter ontem “twittado” (não é bem em inglês, mas passa) uma laracha qualquer acerca do futebol. E, crime dos crimes, chamou aos habitantes das terras onde o clube (habitualmente) perdedor se encontra instalado, pasme-se, “magrebinos”! Podia-lhes ter chamado “mouros” (eu a propósito de futebóis, até chamo outras coisas) Mas não, chamou “magrebinos”! Aqui-d’el-rei! “Magrebinos”?? Isto é coisa que se chame a alguém??

Logo se levantou um coro de “virgens” ofendidas (bem, virgens não acho que sejam, mas não digo o que me vem à cabeça porque se para “magrebinos” é o que se viu, imaginem bem como seria se eu pusesse em causa a castidade dessas donzelas imaculadas). Não pode ser! Isto é inaceitável. Um deputado da nação? Um candidato a uma autarquia?

O facto da maior parte dessa fúria provir, muito mais, da humilhação da derrota do que, propriamente, de sentimentos justos e legítimos que, putativamente (não, isto não é uma indirecta às virgens), foram violentados (continua a não ser uma indirecta), não é para aqui chamado. O importante é que um gajo do “puarto” e que não é de esquerda ter dito uma coisa daquelas e ter posto, imediata e automaticamente, em causa a unidade nacional. Aliás, todos nós sentimos, cerca das 20 e 30 de ontem, o nosso solo Pátrio a estremecer e o Norte a afastar-se do Sul. Hoje quem fez a autoestrada entre Porto e Lisboa, reparou, com certeza, que já não eram 300 e poucos quilómetros a separar as duas cidades, mas p’raí 400 ou 500.

Interessa alguma coisa que tenha sido uma “chalaça”? Não, porque o homem é deputado. Interessa alguma coisa que a propósito lhe tenham chamado “nojento, “gordo”, “paquiderme”, “estúpido”, “imbecil”, “filho da p…” (ainda não é uma indirecta) ou que o tenham ameaçado, primeiro, com a morte e depois com as mais sanguinárias agressões (detecto aqui algum anacronismo, mas enfim)? Não porque o homem é candidato a uma autarquia. E para mais, na tabela oficial dos vitupérios e dos ultrajes, todos aqueles epítetos são classificados como leves ou não graves. Já “magrebinos”, é uma injúria da classe “AAA+” cuja penalização mais leve nunca poderá ser inferior ao desterro “ad aeternum” (expressões em latim apesar de estarem em declínio, ainda, dão alguma “pinta”) para as profundezas do continente antártico.

E quando é a sério, chamar “escurinho” a um Senhor da troika? Ou dizer que “por muito menos que isto foi morto o rei D.Carlos”? Ou na mesma plataforma (twitter), uma jornalista chamar FdP a uma Ministro? Ou atentar contra o estado de Direito ao defender revoluções? Nã! Isso não tem qualquer relevância. Não tem qualquer importância. São coisitas e só por má fé é que podem fazer disso um caso. Aliás, e logo à partida, é preciso ter em conta que quem disse essas coisas, é gente de esquerda e como tal, por inerência do “cargo”, é gente de bem. Provavelmente, até são benfiquistas. E aí, o direito à imunidade é, duplamente, absoluto.

Já em registo futebolês, em clima de festejo e em tom de “laracha” chamar aos benfiquistas “magrebinos”, isso é imperdoável.

Por acaso, pergunto eu, não se querem ir pôr num p… mamífero bunodonte, artiodáctilo, não ruminante?

Comments

  1. nightwishpt says:

    ” como é assim na política onde a esquerda (até a mais radical) obtém, da parte dos arautos, permissividade, privilégios e parcialidade.”
    Sim, o que não falta na CS é gente a dizer que a austeridade não funciona (bem, agora parece que já lá chegaram alguns), que a banca não pode mandar na economia, a defender os serviços públicos, a falar contra as privatizações e contractos de rendas milionárias, no falhanço completo do euro, na desintegração europeia…
    Muito gostava eu de ver essa CS, em que canal é mesmo?

  2. Manuel says:

    Ò Garcez, recebes-te um telefonema da besta do amorim para lhe vires defender a bacorada? Quer-se-me parecer que sim. Em qualquer pais decente este tipo já estava demitido. Não passa de um incendiário ao serviço do traidor iberista do Meneses e do seu projecto divisionista do pais, é isso que esta besta do Amorim é.

  3. Carlos de Sá says:

    “atentar contra o estado de Direito ao defender revoluções”, diz vossemecê. Qual Estado de Direito? Aquele onde vossemecê mama umas gotas da teta orçamental, enquanto o resto da quadrilha saqueia o país para entregar o saque aos banqueiros e aos amigos, a troco de umas migalhas? Estado, talvez; de Direito, jamais. Por isso qualquer revolução será legítima, mesmo que registe “danos colaterais”.

  4. Jorge Ferreira says:

    Uma coisa é certa. Não sei se ele faz parte de algum grupo pela “pureza da raça” mas que é racista…. lá isso… não me restaram muitas dúvidas… e ter um candidato a uma câmara municipal e putativo político, racista, é sempre uma novidade interessante na original democracia à portuguesa.

    • Nascimento says:

      O Carlos é tão, mas tão, “inteligente”……ai, ai,..tadito. E não é, que há “coisas”, que o tiram do sério? hahahhhah….banhinho ao cão, e ao tareco,tá?

  5. Gostei do post! Bastante!

  6. E porque magrebino será insulto? Santo Agostinho era magrebino e Lucius Severo também e foi imperador em Roma! Sou benfiquista. Pela área geográfica onde nasci não posso ser magrebino mas mais do tipo xhosa ou zulu. De qualquer forma os chinocas do dragão têm todo o direito de se sentirem muito satisfeitos (eu no lugar deles sentir-me-ia), e os benfiquistas só têm que baixar a cerviz e prestar vassalagem a quem ganhou. O imperador Chin deve estar satisfeito.

    • Jorge Ferreira says:

      Sim, claro. As montanhas são altas, a água é húmida e o céu azul. De facto a natureza apresenta-se no seu melhor. O imperador Chin deve estar mesmo muuuiitoo satisfeito. E eu nem gosto de futebol.

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