Nuno Crato e a unidade da língua portuguesa

http://patxocashome.blogspot.be/2011/07/falam-de-nuno-crato.html

© Paulo Alexandrino (http://bit.ly/Zu5l3l)

Segundo a TSF,

O gabinete do ministro da Educação entende que as declarações de Nuno Crato numa entrevista a uma revista brasileira foram mal interpretadas.

Numa nota, o gabinete de Nuno Crato notou que há expressões no português do Brasil que não coincidem com o português usado em Portugal.

Ainda bem que na RCM n.º 8/2011 se lê

Ao Governo compete criar instrumentos e adoptar medidas que assegurem a unidade da língua portuguesa e a sua universalização, nomeadamente através do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e da promoção da sua aplicação.

Portanto, a pergunta era a seguinte: se um ministro de Portugal não consegue transmitir as suas ideias a uma das mais conceituadas revistas brasileiras, porque “há expressões no português do Brasil que não coincidem com o português usado em Portugal“, então o Acordo Ortográfico de 1990 serve exactamente para quê?

Nota: Os meus agradecimentos a João Roque Dias, pela indicação do apontador da TSF.

Comments


  1. Na mouche!

  2. antonio cristovao says:

    pensava que o N.C. seri mais prudente e não fazia declaraçoes a uma revista declaradamente anti latina. ate parece uma delegaçao do TeaParty


  3. Não houve falhas de interpretação. A Veja é famosa entre os brasileiros por distorcer o conteúdo veiculado dos seus entrevistados. Como as declaraçães de Crato coincidem com a linha editorial da Veja, à repórter bastou-lhe omitir algumas coisas (comos os prazos concretos dados pelo ministro) para apimentar ainda mais as afirmações do ministro e de convencer o seu público (classe média brasileira) que o sistema público de ensino brasileiro (que, segundo me dizem, o sistema público português é o céu na terra ao pé dele) não necessita de melhorias, nem de sindicatos, ainda deve ser mais subfinanciado do que é agora e que a iniciativa no ensino cabe aos privados. A questão é mais ideológica do que linguística e a declaração do gabinete do ministro é mais para dourar a pílula. O senhor Valada, mai-lo Roque Dias, o Emiliano e o Graça Moura é que parecem uns D. Quixotes a lutar contra moinhos de vento, como se não houvesse coisas mais interessantes contra as quais lutar; por exemplo a reforma do ensino que está a ser levada a cabo. Ah, que me desculpe o senhor Valada, todos aqueles cavalheiros são conhecidos pelas suas posições políticas à direita, inclusive um deles à extrema direita, dessa mesmo que sai por pelas ruas com bastões de beisebol a bater nas pessoas. http://contrafactos.blogspot.be/2013/06/o-que-disse-o-ministro-nuno-crato-veja.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+ContrafactosArgumentos+%28ContraFactos+%26+Argumentos%29

Trackbacks


  1. […] Lost in translation, certamente. Para a próxima Nuno Crato não prescindirá dos serviços de um intérprete de confiança. […]


  2. […] do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 2090, a entrar em vigor em 2109, através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2111. Exactamente: 2111. Ainda falta muito […]


  3. […] confesso, com alguma expectativa, os próximos episódios desta telenovela da “unidade da língua portuguesa” e “[d]a sua universalização” ou da “unidade essencial da língua portuguesa” e do “seu prestígio internacional” […]

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