Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros

Inês Gonçalves

Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública.

Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar…

Ando há 12 anos na escola, na escola pública.

Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam.

As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica.

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores!

Talvez resida aí a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro!

Onde mora a preocupação com o futuro dos meus filhos? Dos meus netos? Quem a tem?

Onde morava essa preocupação quando cortaram os horários lectivos para metade e mantiveram os programas?

Onde morava essa preocupação quando criaram os mega-agrupamentos?

Onde morava essa preocupação quando cortaram a acção social ou o passe escolar?

Onde mora essa preocupação quando parte dos alunos que vão a exame não podem sequer pensar em usá-lo para prosseguir estudos pois não têm posses para isso?

Não somos reféns nessa altura?

E a preocupação com o futuro dos meus professores? Onde morava essa preocupação quando milhares de professores foram conduzidos ao desemprego e o número de alunos por turma foi aumentado?

Todas as atrocidades que têm sido cometidas contra nós, alunos, e contra a qualidade do ensino que nos é leccionado não pode ser esquecida nunca mas especialmente em momentos como este!

Os professores não fazem greve apenas por eles, fazem greve também por nós, alunos, e por uma escola pública que hoje pouco mais conserva do que o nome. Fazem greve pela garantia de um futuro!

De facto, Crato tem razão quando diz que somos reféns, engana-se é na escolha do sequestrador!

E em relação aos reféns: não são só os alunos; são os alunos, os professores, os encarregados de educação, os pais, os avós, os desempregados, os precários, os emigrantes forçados… Os reféns são todos aqueles que, em Portugal, hipotecam presentes e futuros para satisfazer a “porra” de uma entidade que parece não saber que nós não somos números mas sim pessoas!

Se há momentos para ser solidária, este é um deles! Estou convosco.

Encontrado no facebook

Comments

  1. Parabéns pelo texto! Já fui aluna e agora sou professora e venho agradecer-te as tuas palavras sábias e o teu olhar atento ao que te rodeia.
    Um abraço.
    Patrícia

  2. O ensino devia ser totalmente gratuito, e não o é porque o dinheiro é gasto no privado e noutras coisas que não interessam, e que o governo é fascista por isso é que quer destruir o ensino público.

  3. José Campinho says:

    Sou professor. Aposentado, mas professor… E como eu gostaria de ter sido professor da Inês e ter contribuído para a formação e consciência cívica que revela no seu texto! E poder ir por aí abaixo e dizer àqueles que maltratam da maneira que todos vemos os professores e dizer-lhes que tenham vergonha e que deixem de manipular a opinião pública com a treta dos “reféns” e dos “escudos”… E ao Sr. Ministro da Educação dizer-lhe que, afinal, se tem revelado uma deceção… Quem o viu e ouviu, em tempos idos, no «Plano Inclinado» e o vê e ouve, agora, sempre que tem uma nesga nas televisões, só pode concluir que o valor da coerência (que eu sempre procurei incutir nos meus alunos) não encontrou terreno fértil por aqueles lados!…
    Mas testemunhos como os da Inês Gonçalves, pelo que dizem e, sobretudo, pelo que sugerem, são gratificantes para quem é e/ou foi professor de uma forma consciente.
    Por isso parabéns à Inês e a todos aqueles que contribuiram para que ela tenha a formação e a consciência cívica que revela.
    José Campinho

  4. Antigamente, textos como este eram apelidados de pura demagogia.
    Actualmente, felicitam-se os adolescentes que, tão novinhos e tão completamente formatados, pensam “inside the box” e sentem orgulho nisso.
    Enfim, resta a esperança, ainda que vaga, de que um dia abram os olhos…
    Indesculpável, porém, é o aproveitamento interesseiro que os adultos fazem deste textozinho pueril.

    • António Fernando Nabais says:

      Pronto, Isabel: só falta demonstrar a puerilidade do texto.

      • Está à vista, caro Nabais, está à vista! Eu, com essa idade, também escrevia textos aparentemente cheios de “democracia e liberdade” (até porque estávamos no pós 25 de Abril). Pena é que fossem apenas o eco, ainda que vestido de genuíno entusiasmo, do que ouvia dizer às minorias “fervilhantes” da altura.

        • albanocoelho says:

          Não li esses seus textos da juventude mas duvido que fossem piores do que as patetices pseudo-espirituais e pedantes que escreve agora. deixe lá a miúda em paz e vá-se entreter com a sua meditação zen, mais os cristais e demais parafernália “new-age”…

          • Ó caro Albano, que tenha ido espreitar ao meu blog compreende-se pois a curiosidade não é só felina, também é humana.
            Agora, que confunda filosofia ocidental e oriental com new-age, reflexões pessoais (coisa que certamente V. Exa. será incapaz de fazer!) com meditações, e, principalmente, que tenha conseguido ler sobre cristais no meu blog, coisa que lá não existe, isso sim, é digno de nota!
            Portanto, das três, três: é V. Exa. absolutamente árido e estéril no que toca à cultura, e não estou a falar de nabos e afins, é V. Exa. ignorante de modo geral e abrangente, e é V. Exa. um grandessíssimo mentiroso!
            Faça-me um favor, não volte ao meu blog. É que, com a sua presença lá, às tantas começam para aí a dizer que o blog é mal frequentado…

          • Eu sei que não lhe chego aos calcanhares, mas não digo que são os outros que são parvos, quando eu é que sou o parvo.

        • A puerilidade está à vista, mas só quem acusa a vê. Enfim, outros acharam que a Inês nem existe. Já não se pode ter 18 anos.

          • Cruzes, João José! Esse seu “acusa” até me fez saltar na cadeira. Não estou de todo a acusar.

            No entanto, pensando melhor no comentário do Nabais mais acima e agora no seu, se calhar não deveria ter usado a palavra “pueril” e sim a palavra “inocente”…

            Pois é, eu aos 18 anos era comunista, três anos antes tinha ganho um prémio na escola porque o meu professor de educação visual, muito, muito comunista, engraçou com o teatro de fantoches que fiz sobre a reforma agrária sob o lema “A terra é de quem a trabalha”. Nessa altura, creio que era bem mais inocente do que pueril. Depois fui abrindo os olhos e, bom… não interessa… sim, definitivamente, a palavra correcta para definir o texto da Inês é “inocência”.

          • E porque será inocente? menorizar uma rapariga de 18 anos não é de adulto, tende mais para a senilidade precoce, Desculpe lá mas não tenho pachorra para esse discurso.
            Os meus alunos são muito mais maduros e cultos que a minha geração, que até é a sua.

          • Inocente porque a vida lhe ensinará que as coisas não são bem assim! E sim, a minha geração é a sua. Vai o João José dizer-me que o seu pensamento actual é o pensamento que tinha aos 18 anos? Não é. Nem o seu nem o de ninguém.

          • Não, não é. Aos 18 tinha muito mais juízo.

          • Ainda bem. Há sempre excepções à regra. Eu, pelo contrário, fui sempre aprendendo ao longo dos anos e tenho consciência de que, apesar de já trabalhar aos 18 anos, tinha muito menos juízo do que tenho agora.

          • Acabaste por desaprender!

          • Você está a insinuar que os comunistas são inocentes, mas o Álvaro Cunhal era bem mais inteligente que vossa excelência, portanto não vá por aí. Que já não concorde com os ideais comunistas é outra coisa. Inocente é ser fascista. Isso é que é ser inocente, e ignorante.

          • Ó caro Pedro, V. Exa. é tão limitado que nem que eu lhe explique chega lá. Tenha paciência, quando se é assim tão básico quanto V. Exa. um simples mosquito toma a dimensão de um elefante!

            Só para sua informação, eu não insinuo nada. Quando tenho qualquer coisa a dizer, digo-a claramente. As insinuações são mais para pessoas como V. Exa. que, periclitantes, sem saberem nada de concreto, gostam de meter a colherada em tudo para ver se mostram o que não são.

          • albanocoelho says:

            Aparentemente para a Isabel todos são básicos, incultos, ignorantes, áridos, estéreis e todos os outros impropérios que arremessa para todos os quadrantes… Só a distinta senhora é que é a “iluminada” e como tal, do “alto” do seu existencialismo pleno de “auto-conhecimento”, almas e alminhas e teísmo “new age” (se não o reconhece é problema seu), crê-se tão superior que se arroga o “direito” de criticar malcriadamente tudo e todos e aí de que a critique a si mesmo que seja ao de leve…
            É caso para perguntar se não deveria comportar-se mais de acordo com as ideias que prega…
            Não, a triste realidade – pois, esse conceito que lhe é estranho – é bem diferente. Diz bem o João José que não pachorra para quem discursa assim. Eu acrescento que parece estar com um distúrbio gástrico crónico – deve ser das salsichas Sicasal – que junto com um permanente estado mental delirante é uma combinação explosiva. A imensamente ridícula vacuidade do seu pensamento é um típico exemplo do efeito Dunning-Kruger.

          • E por favor estude os sinónimos, ó sua eminência Sr. Pedro Marques, para ver se no próximo comentário não faz tão má figura!

          • albanocoelho says:

            Então ainda por cima acha que é o Pedro Marques quem faz má-figura? A senhora por acaso não tem espelhos em casa? Pois, se calhar não… Perturbam-lhe a aura, não é?

          • 🙂 Patético, caro Albino, patético! De tão patético até faz pena…

          • E vejam lá se se deixam de parvoeiras. Parecem crianças assanhadas com problemas de auto-estima. Diga-me lá onde é que eu insultei, a si ou a alguém, que não me tenham insultado primeiro? Já não há pachorra para tanta imbecilidade.

        • Eu não a insultei, mesmo que me acuse de tal. Infeliz a sua cabecinha se acha isso mesmo. E depois eu é que sou o limitado.

        • Ana Barrocas says:

          Senhora Isabel
          Escrevia textos formatados quando tinha 18 anos. É uma pena porque é evidente que parou no tempo. Agarra com ambas as mãos a primeira treta que alegre o seu coraçãozinho invejoso e recusa-se a ver não só a lógica da argumentação como a elegância e simplicidade da escrita desta rapariga. É assim, a senhora Isabel não sabia pensar pela sua cabeça e, consequentemente, mais ninguém sabe.
          Atentamente
          Ana

    • micas says:

      Hahaha… 😀

    • xoka pik says:

      Muito bem!

  5. John Silva says:

    «Os professores não fazem greve apenas por eles, fazem greve também por nós, alunos, e por uma escola pública que hoje pouco mais conserva do que o nome. Fazem greve pela garantia de um futuro!»

    Pois é a mais absoluta verdade, fazem de facto greve pela garantia de um futuro: o deles! A «formação e a consciência cívica que revela» são realmente meritórios e revelam a educação dada na «escola pública»…

    Faço notar que transplantando um profissional do séc. XIX p/ o séc. XXI, aquele que menos estranharia a sua actual «profissão» seria o «professor». Afinal o que mudou nesta profissão?

    A verdadeira aprendizagem é autodidacta, e o futuro não passa por manter hordas de selvagens com presunções intelectuais a fingirem que «trabalham» como se comprova pelas experiências do MIT através da EdX.

    Um professor chega p/ milhões de alunos! Significa que não precisamos de varas inteiras de profs. mas sim de que o número destes mamíferos se reduza e se limite àqueles que realmente podem acrescentar algo ao actual estado de arte.

    Acrescento uma velha peça de sabedoria popular que tanto diz desta «corporação»:

    “Quem não sabe fazer ensina”!

    • António Fernando Nabais says:

      Isto é o que se chama a lei da Silva: um professor chega para o país todo. Silva a ministro já: para combater as varas de professores, não há como uma cáfila de comentadores.

      • John Silva says:

        “Quem não sabe fazer ensina”!

        • sónia says:

          Depreendo que nunca teve professores, não é?

          • John Silva says:

            Depreende mal. Tive-os, naturalmente, mas nunca me ensinaram nada… Aliás foi precisamente a mamã que me ensinou a ler, escrever e contar. Se tivesse a perspectiva de vir a aprender isto na «escola pública» ainda hoje estaria a escrever «paixe» e «papoilha». Só os simples creêm ainda servir a propalada «escola púlica» p/ “ensinar” ou “aprender” serve sim como método de socialização e reprodução social. E reproduzir, nesta infeliz circunstância, significa gerar mais cidadãos capazes de falir um país. Se de facto existe uma «geração mais qualificada de sempre» porque resulta isto num país falido? Ter 12º, licenciatura ou mestrado resulta em mais prosperidade, riqueza ou bem estar no país? Se isto significar apenas um certificado ou diploma que asserte a conclusão de um grau, não! «Formar» ou «qualificar» imbecis através de ignorantes, saídos há uma geração dos campos, resulta na reprodução da idiotice, como se comprova pelo pequeno detalhe de os gestores da coisa pública terem permitido que o Estado se tornasse insolvente.

            O famigerado «paradigma» mudou, todas as corporações terão de ser afectadas, veja-se bem quem de facto é prejudicado sempre nestas greves. É o Governo ou Passos Coelho que sofrem as consequências desta acção? Não! São os alunos os primeiros e mais prejudicados, lixa-se sempre o mexilhão! Que tentem agora a propaganda através da Inês é perceptível pelo facto de já terem perdido o apoio da opinião pública. Se já não há pachorra p/ impostos, aumentos e negociatas também p/ greves, manifs ou passeatas esta-se a acabar a tolerância.

            Demonstra isto o respeito que os promotores da greve têm sobre os seus demais concidadãos. No seu ponto de vista, são as suas barrigas e existências mais importantes que as dos outros. Tão importantes são que se arrogam o direito de se salvaguardarem, prejudicando os outros, querendo ainda convencer-nos de que o fazem por «solidariedade», pois no fundo estão a «proteger» aqueles que estão objectivamente a prejudicar.

            Este raciocínio maquiavélico contrasta agora mais acentuadamente contra o senso comum, ou diria mesmo, bom senso da maralha que repara no detalhe, de que quando há greve somos NÓS que nos prejudicamos, nunca eles!

            No fundo dois belos cavaleiros andantes que se batem indiferentes às faíscas que queimam a populaça que os assiste.

          • Lá está, uma excelente demonstração da falta que a escola faz às pessoas. A mamã não teve tempo de lhe ensinar por exemplo História (deve ter contado umas lendas tipo batalha de Ourique e certamente que decorou os reis de Portugal).
            É que tanta ignorância, somada a tanta imbecilidade, nem num analfabeto dos antigos se encontra. Mas anónimos em caixa de comentários é assim, despem-se com a maior das facilidades.
            Com tão miserável propaganda em defesa deste governo é fácil ser oposição.

          • John Silva says:

            E consegue dar exemplos, argumentar, demonstrar onde estou enganado? «Excelente demonstração da falta que a escola faz às pessoas» realmente o João José Merdoso consegue-o exemplarmente! Neste caso consegue ver no texto apologia «deste governo», talvez História seja consigo mas ler e interpretar já me parece fora do âmbito. «Anónimos em caixa de comentários é assim», mas não concorda que tenho direito à anonimidade?!!

            Serão p/ si alarvidades pois o raciocinio é simples, claro, e sem ambiguidade. É de dificil retração e não o conseguiu fazer. Partiu p/ um «ataque ad hominem» que define a vacuidade, não só intelectual, mas acima de tudo moral, de que padece um segmento importante da nossa sociedade.

            Não é preciso ter «escola», basta ser «cultivadinho».

          • Direito ao anonimato tens, ó cagalhoto, tal como me assiste o direito a não discutir seriamente com anónimos.
            E seriamente, verdade se diga, é difícil: quem usa todos os argumentos ideológicos da propaganda deste governo (falência do estado, combate às greves, etc. etc) e depois se arma em virgem, tem pouca seriedade.

          • John Silva says:

            Então porque respondes…?

          • Por muito que isto possa parecer insano, e apesar de manter a opinião de que o John Silva é mal educado e grosseiro (isto vem de outro post), sou obrigada, em coerência para comigo mesma, a declarar que concordo com quase tudo o que escreveu no comentário que começa por “Depreende mal. Tive-os,…” e termina em “populaça que os assiste.”.

            É possível, ou melhor, mais que provável, que me lancem aos leões devido a tal atitude. Mas para mim este é um dos aspectos importantes da dignidade e do respeito: não vou “condená-lo” apenas por um aspecto que considero negativo (a má educação) quando há outro aspecto que considero positivo (o bom senso que demonstrou no referido comentário).

            A partir daqui, quem quiser que interprete à sua maneira o que agora escrevi. É-me totalmente indiferente.

          • Ser-lhe completamente indiferente deve pertencer a esse fantástico mundo do auto-conhecimento. Os meus votos de uma boa continuação de sábado sob os augúrios da new age, quem precisa de religiões é assim.

          • Com a sua primeira frase, estou inteiramente de acordo. Com a segunda não estou porque o João José sabe perfeitamente que esse mundo das religiões não é o meu (já o pôde constatar em imensos comentários meus no passado!) . Porque tenho muito respeito por si e porque em bastantes coisas até concordo consigo, não vou levar a mal que me julgue uma despassarada da new-age, pois tem todo o direito à sua opinião.

            Os votos sinceros de um bom fim-de-semana!

    • micas says:

      Hahahaha….

    • Valha-me deus... says:

      Ó Silva, o que é que tu fazes? És do governo? Da troika? Ou levaste “bolos” na “primária”?

  6. margarida soares franco says:

    Quem “educa” são os pais, não os professores !!!!!!!!!

  7. Nuno Silva says:

    Cara Inês: Com todo o respeito pelo texto que escrevestes, até porque revela uma consistência ideológica e de escrita que já vai sendo rara nos dias de hoje, quero contudo referir que quando enuncias que foste ensinada a não ser somente um “boneco recitador” e depois, algumas linhas abaixo,argumentas com problemas tão mundanos como a constituição dos mega agrupamentos etc., trais-te a ti própria e à tua linha de raciocínio. Alguem que não é um “boneco recitador” tem a capacidade de ver mais longe, além do mundano e trivial… O problema não são os agrupamentos, o governo ou os professores. O problema vai muito mais além disso. O problema real é o estado a que todos nós deixámos que as coisas chegassem, à invasão da nossa cidadania, à partidocracia, à falta de humildade de de coragem cívica dos Portugueses que envergonham tantos e tantos heróis passados e que mancham a história do nosso “nobre povo”. Tenho agora 40 anos e como tu também andei sempre na escola pública, da 1ª classe à faculdade e o que me ensinaram foi muito e bom, mas há algo que ninguém me ensinou: O orgulho em ser Português e a capacidade de me afastar do rebanho de “bonecos recitadores” e pensar por mim.
    Por isso te deixo uma mensagem repleta de esperança em ti e na geração que representas: Não deixes nunca de sentires orgulho no teu país, pois uma coisa é um governo ou até o estado, outra coisa é a nação.Governos são eleitos e depostos,mas a nação é eterna. E tenta sempre pensar por ti. Frases e pensamentos feitos ficam muito bonitos mas nada acrescentam…
    Felicidades!!

  8. Maria Sousel says:

    Não sei porque respondem a certas pessoas. Não acham que é precisamente o que eles querem? Irritar, chatear e outras palavras terminadas em ar …Eu por mim também acabaria numa palavra em ar mas, sou mais educada que eles. Parabéns Inês, gostei do texto. Não te importes do que que queiram fazer dos garotos de 18 anos: acéfalos, fúteis e inconscientes…Enfim!!
    Maria Sousel

  9. beirão says:

    Toda a lábia da extrema-esquerda bloquista está aqui vertida nesta cartinha de uma quarta classe um tanto atrapalhada. O que a malta esquerdoide gosta ‘disto’!

  10. Boa noite eu não tenho um curso superior não sou professor,advogado ou engenheiro nao tenho o don da escrita nem da palavra, eu só tenho o 6º ano o antigo 1º ciclo pois já tenho 45 anos mas ainda sou do tempo em que os alunos tinham que cantar o Ino Nacional e rezar no inicio de cada aula, não quero dizer que tenha alguma simpatia pela velha senhora, antes pelo contrario, sempre fui e sou e continuarei a ser um desalilinhado ( rebelde ) tive professores que me marcaram, e que me ensinaram muito, mas devido ao facto de eu ter esta personalidade não tiveram os resultados desejados pois eu não gostava da escola, a minha grande escola é a vida, eu sempre tive um sonho que era ser camionista conduzir grandes máquinas por essa Europa fora, e realizei o sonho, posso dizer que viajei por toda a Europa só não entrei na Rùsia por isso digo a grande Escola é a vida a experiencia o conhecimento falo quase todas as linguas, bem falar falar não falo seria uma grande eresia mas comunico bem com todas e isso não aprendi na escola, aprendi com a vida, mas retrocedendo aos comentários anteriores que não foram poucos, fico preplexo como pode haver pessoas com tal mentalidade talvez todas com cursos superiores, são como os partidos politicos dizem mal só por que sim, ou estão na óposisão ou no poder por isto e por outras é que o nosso País está na encruzilhada que está é só bota abaixo ninguem se une num óbjectivo comum o bem de todos, será que nunca ouviram na maxima dividir para reinar tenham dó, o povo tem de se unir, senão o resultado está á vista de todos cada vez mais pobres, e tnham em atenção que é nestas altura que aparece um salvador qualquer ( charlatão ) que quando dermos por ele já estamos no abslutismo ( ditatura ) este é o perigo da desunião, e tenho dito.

  11. Adeus Passos, adeus Portas...já foram pelos ares! says:

    THEY WILL NOT FORCE US…
    THEY WILL STOP DEGRADING US…
    THEY WILL NOT CONTROL US…
    WE WILL BE VICTORIOUS…

    A questão essencial ninguém aborda…isso é que me assusta! Este povo está todo a dormir, o problema não são os professores, o problema é este governo que ultrapassa todos os limites da constitucionalidade democrática.Nós estamos à beira de uma ditadura meus amigos, NÓS ESTAMOS À BEIRA DE UMA DITADURA…Um Governo que legisla em função das suas necessidades e não das do País e do povo que o elegeu, está a ultrapassar todos os limites legais consagrados na C.R.P…. E todos os dias, todos nós, assistimos a esse comportamento, e impávidos e serenos. Se há aqui alguém que tem de abrir os olhos são todos aqueles que não são professores, porque o vosso dia também chegará…e garanto que haverá balas suficientes para vos fuzilar a todos. Já não é uma questão de classes, é uma questão de democracia. Um governo que faz o que está a fazer só está a pedir uma coisa, armas e violência nas ruas…e é isso que vai ter. Eu não vivi na ditadura, mas garanto-vos que não são estes fedelhos filhos da JOTAS que nunca fizeram nada na vida que me vão fazer viver numa. Lutarei pela minha liberdade e pelos meus direitos até ao fim…nem que tenha de ser com sangue.

  12. Carlos Rafael says:

    Ser professor neste país não é particularmente difícil, o que acho mal, porque não só permite que qualquer pessoa se torne professor (o que causa o excesso de professores) como se torna uma forma de escapar à dificuldade de escolha de carreira…
    bem vamos para professor que é fácil!
    claro que assim temos uma quantidade brutal de “professores” e aparentemente a maioria não se preocupa com os alunos.
    se um professor está disposto a prejudicar os alunos, independentemente da razão está a trair o seu propósito.
    quanto a culpa Nuno Crato por esta situação, o que é que impediria os professores (caso Crato cedesse) a repetir esta brincadeira no próximo ano?

  13. Jorge Martins says:

    É necessário fazer greve em alturas chave para serem protestos relevantes, como defende Mário Nogueira? Não duvido, mas acho que, sendo esse o propósito, fazia mais sentido protestar em alturas que interrompessem protestos apenas administrativos/burocráticos, que só prejudicassem o Governo e não terceiros, visto que os professores antes de mais têm como responsabilidade os seus alunos, a quem estão a falhar nestas atitudes.

    Por fim, ainda considero deplorável os insultos que os docentes que escolheram comparecer têm sido alvo, pois, se a greve é um direito, não a fazer também o é e as pessoas que optam por esta via e são julgadas e ofendidas estão a viver em opressão, o que retira qualquer razão aos protestantes.

    • Sim, o direito à canalhice existe, mas deve ser tratado pelo nome. Quanto à greve, está mal, em Agosto é que era.

      • Jorge Martins says:

        Portanto, é canalhice não fazer greve, mesmo que não se apoie a causa? Pois eu a isso chamo-lhe opressão. Mais valia em Agosto do que quando se prejudicam terceiros, mas os sindicatos (e, aparentemente o senhor) são de vistas curtas.

        • Em Agosto e ao Domingo. Deixe-se de hipocrisia e assuma-se: é contra o direito à greve, e quem protesta que seja corrido à bastonada. O resto é conversa de treta.

          • Jorge Martins says:

            Na verdade, eu sou o fantasma do Salazar encarnado e você desmascarou-me… Shhhh, não conte a ninguém, que ainda tenho de andar muito até chegar ao Palácio de Belém.

          • Jorge Martins says:

            P.S.: isto é sarcasmo

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