Dai-lhes um Hitler, senhor, no aniversário

Crianças judias expulsas de escola nazi

Crianças judias expulsas de escola nazi

Educai-os senhor, que eles só sabem o que ensinam é o título de uma prosa de Mário Amorim Lopes, suponho que a sua estreia no mundo do humor negro. Grosso modo é o que pensa Nuno Crato, pelo menos no Brasil.  A cena é assim:

Por causa do clima e outras cenas de cada terrinha, o Mário Amorim Lopes acha que o ensino deve ser bué de descentralizado. E autónomo. Vai daí, cada escola que trate da sua vida, diz que é uma espécie de heurística, bora lá curtir uma de experimentalismo.

O detalhe de para se escrever um programa dar um certo jeito nomear um grupo de trabalho presidido por uma autoridade científica, normalmente vinda de uma universidade, acompanhada por quem percebe de didáctica da respectiva disciplina e já agora por professores com experiência de leccionação (nem sempre é assim, mas devia ser), é o tal detalhe, vamos ao importante.

O importante é que algures na C+S de Alguidares de Baixo se juntem os três professores de uma dada disciplina e experimentem. Excelente ideia, também se devia aplicar ao sistema de saúde. Os dois médicos que trabalham no Centro de Saúde local também podiam meter o bedelho nalgumas especialidades, sei lá: um fazia umas cirurgias, o outro dedicava-se nos momentos de ócio a descobrir um novo tratamento para as cataratas, e os enfermeiros bem que podiam ficar com coisas mais simples, como as infecto-contagiosas e os cancros. Com jeito e habilidade todos juntos ainda faziam uns transplantes.

Pode correr mal? que se lixe; Alguidares de Baixo é longe, os bisavós dos putos nem sabiam ler nem escrever e foram felizes.

Os melhores serviriam de exemplo, os piores seriam reformados. Mas o sistema evoluiria.

Ficando o país entretanto com uns miúdos que tiveram o azar de nascer perto do laboratório errado, e provavelmente com a família ligeiramente diminuída, já é tempo de se acabar com estas modernices da esperança média de vida, que diabo, são pobres, morram mais cedo.

Agora, o mais importante, o modelo de financiamento. Discricionário – diz ele. Ajudar os que verdadeiramente precisam (hoje poupo comentários à ladainha habitual de os ricos terem de borla o que até podem pagar e quanto a quem mama os lucros das escolas, nem piu). Cada família com um puto, um cheque. Um cheque, escolhe a escola. E viva o mercado.

A impossibilidade de existirem duas escolas num meio pequeno, ou seja mais de dois terços do território nacional, deixo de lado, continuo generoso. Vamos às cidades. Eu tenho um catraio e um cheque e quero aquele colégio que tem uns resultados porreiros nos ranquigues, ou como é que isso se diz. Chego lá, inscrevo-o deixando um certificado com as desgraçadas notas que o desgraçado tem tido numa escola pública que nunca inventou nada a bem do ensino, e passados uns dias recebo uma carta: por falta de vagas a inscrição do seu educando não pode ser aceite. Diacho, tenho um amigo, com um puto fino, estudioso, e esse aceitaram-no.

os alunos pobres estão reféns da sua própria condição, podendo somente sonhar, mas não alcançar, uma escola que os permita singrar e não sangrar.

A vida é muito complicada. Claro que a ideia é óbvia: segregar os alunos, sangrar os socialmente indesejáveis e fazer singrar os certinhos, arrumar tudo e todos em prateleiras; logo de pequenino se aprende a levar com o pepino. Se és pobre e bom aluno até te podes safar, é tão giro ter um pobrezinho na sala do nosso Gustavo, ele até o convidou para os anos e tudo, mas o pai é um horrível e não deixou a criança vir, mesmo depois de eu lhe ter dito que estava dispensado de trazer prenda, nós sabemos que o subsídio de desemprego não chega para tudo.

Mas lá garante o Mário Amorim Lopes que muito pelo contrário:

No colégio privado que esteve em primeiro lugar nos rankings públicos nos últimos anos, 80% dos alunos entra com 3 anos, idade que, diria, é difícil perceber se estamos perante um narcotraficante de cariz hooligan em part-time na Frente Nacional e com honoris causa no KKK, o que levaria a escola a rejeitá-lo.

Como se explica a um fedelho, ainda para mais imbuído de tão assassinas utopias segregacionistas e portador de tal ignorância, que pobre que é pobre e rico que é rico já se distinguem aos 3 anos de idade? O guterrismo, com o qual faz um trocadilho de profundo  nojo e pesada ignorância, explicava-lhe a diferença. António Guterres, as saudades que eu tenho de um democrata-cristão,  percebeu em que mundo vivia fazendo trabalho social nos bairros de lata de Lisboa. É o cheiro, Mário Amorim Lopes, o cheiro não engana.

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Comments

  1. celesteramos.36@gmail.com, says:

    Mas estão a falar de olaria a fazer tanto “tacho” de barro ??


  2. Ou um Estaline , um filho da mãe tão grande
    ou pior que Hitler

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