O Movimento que lava mais branco

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O denominado Movimento “Revolução” Branca é coisa que cheira a esturro. A ver se nos entendemos: neste momento não há candidaturas autárquicas, as eleições ainda agora foram marcadas e nem uma lista foi entregue nos tribunais.

Depois de o serem há um prazo para reclamações, e pelo menos um partido já avisou que reclamará contra todas as candidaturas encabeçadas por gente que pensa a política autárquica como uma profissão. Daí haverá recurso para o Tribunal Constitucional, que terá um prazo breve para se pronunciar. Espero que o faça de acordo com o óbvio e os princípios básicos do republicanismo.

Entretanto temos folclore. Uns juízes decidem sobre o que não existe a partir de queixas de quem não se candidatando não tem nada que meter o bedelho no assunto e sobre intenções de candidatura sem qualquer valor formal. Em democracia é assim, quem discorda vai a votos, tanto mais que existe a possibilidade de candidaturas autárquicas independentes (muito dificultadas, mas existe).

O dito Movimento “Revolução” Branca que se  candidate, ou então ficamos pelo discurso salazarista anti-partidos. Convém lembrar que o Estado Novo também foi produto de uma Revolução Nacional, que lavou bem branco as responsabilidades da direita no afogar da República. E basta ver o vídeo de apresentação para perceber que isto é mais do mesmo. Nem o Carl Orff e o seu execrável homicídio da Carmina Burana falham.

Comments


  1. Entre a 1.ª republica e o estado novo venha o diabo e escolha…


    • Rui Ramos também lava mais branco.


      • seja lá quem for o rui ramos.
        Eu até nem concordo com a limitação de mandatos, pelo menos discordo da proibição de candidatarem-se a outra autarquia.
        E continuo a dizer a 1ª republica foi tudo menos uma democracia. Provavelmente cometeram-se mais assassinatos politicos na 1º republica que no estado novo… é como escolher entre duas frutas podres.


        • Fui ver. O Estado novo cometeu crimes e era uma ditadura, a primeira republica cometeu crimes e só por anedota se pode dizer que fosse uma democracia. Duas frutas podres.


  2. O que me parece de realçar, em todo este processo, é a enorme hipocrisia que revela.
    !º – Uma lei antidemocrática que impede cidadãos de se candidatarem (sem terem cometido qualquer crime) apenas pelo facto de terem desempenhado funções anteriormente durante um certo período de tempo.
    Obviamente que, em democracia, são os cidadãos que decidem, se entenderem que o candidato fez um bom serviço, durante o tempo que exerceu os mandatos e pretendem que continue, votam nele, se não não, nada mais simples.
    Mas, como os iluminados entendem que o povo não tem maturidade para votar sabiamente, então criam leis para evitar que o povo “se magoe” RIDÍCULO!

    2º Uma lei que foi (propositadamente?) mal feita permitindo as interpretações que melhor se ajustem aos interesses de cada partido ou particular em cada momento específico.
    Para cúmulo ainda entenderam que não fazia falta qualquer clarificação, quando tal foi questionado!.

    3ª Um presidente da república, um governo, uma assembleia da república, um provedor de justiça, etc. etc. que deixam arrastar um processo quando teria sido extremamente simples enviar atempadamente a lei para deliberação definitiva pelo Tribunal Constitucional, acabando de vez com este circo.

    4º Uma Constituição que não prevê a actuação autónoma do Tribunal Constitucional o qual só pode deliberar quando questionado por quem tem esse direito e apenas no que estes entendam questionar.

    • Hugo says:

      O problema não é povo não ter maturidade, o problema é o povo ser imbecil e ir atrás das promessas de facilidades dos candidatos. E o que não falta para aí são exemplos: Isaltino condenado por corrupção em Oeiras ganha em Oeiras; Fatinha suspeita de corrupção em Felgueiras ganha em Felgueiras; Avelino condenado por peculato no Marco não ganha no Marco, mas quase que ganha em Amarante; PS leva o país à bancarrota e dois anos depois já leva 35% de intenções de voto nas sondagens… É preciso limitação de mandatos e em alguns casos limitação do direito de eleger e de ser eleito.


      • “limitação do direito de eleger”, já tivemos, 48 anos (e a bem dizer vinha de trás). Não correu lá muito bem, mas há quem aprecie.

        • Hugo says:

          Não haja dúvida que agora corre às mil maravilhas. O problema seria implementar. Quanto à limitação da capacidade de ser eleito, seria muito mais fácil: era começar na limitação de mandatos e acabar na incapacidade de ser eleito quem foi alguma vez condenado por mau uso de dinheiros públicos.


          • Não discuto com quem defende abertamente o fim da democracia. Posso responder, mas contigo sou capaz de já ter esgotado a adjectivação apropriada.

          • Hugo says:

            Não me interprete mal. A democracia manter-se-ia. Simplesmente seria exercida por quem efectivamente teria responsabilidade para o fazer. Mas como é impossível determinar quem tem essa responsabilidade de quem não a tem, a medida seria impraticável. Infelizmente.


          • Desde Atenas que isso tem um nome: oligarquia. Busca, busca. que a net explica-te o que é. Um manual de História do 7º ano também serve.

          • Hugo says:

            Mas, se bem me lembro, na Grécia Antiga essa divisão era feita com base nos critérios de género (mulher não vota), nacionalidade (estrangeiro não vota) e classe (escravo não vota). Não garantia que as pessoas votassem irresponsavelmente. Na altura funcionava porque eram critérios objectivos – injustos aos nossos olhos, mas objectivos. Definir um critério objectivo que determine quem tem responsabilidade para votar ou não é impossível e por isso – e só por isso – é justo que se mantenha um sistema onde todos votam – até aqueles que claramente não tem capacidade nem responsabilidade para tal. Está a ver como eu não sou tão má pessoa quanto isso é até é possível manter uma conversa inteligente (com troca de argumentos) comigo?


          • Lembra-se mal. Oligarquia e democracia ateniense não são a mesma coisa.


  3. Presumo que conheça a lei eleitoral, neste caso, autárquica?
    Pois não parece. Se mesmo assim, ainda não percebeu porque teve de ser assim, pergunte.
    Olhe que não é mau conselho. Se começar a perguntar está a alargar o âmbito do seu conceito de democracia, que é muito estreito, diga-se. Não é preciso ir logo a votos. Basta perguntar!
    E deve-se respeitar os pressupostos do princípio da separação de poderes. Logo, quem responde às dúvidas de interpretação ao os tribunais.
    Mas é provável que esteja enganado …

  4. Hugo says:

    Aliás, tudo o que não venha do BE e do PCP é de desconfiar, porque neste mundo a preto e branco só há ou esquerda ou fascizóides corruptos e lambuças. E continuando na senda metodológica da classificação de revoluções, depois da comparação do 25 de Abril com a Maria da Fonte (foram revoluções populares), temos a comparação entre Revolução Branca e Revolução Nacional (presumo que seja por terem o termo “revolução” no nome). É certo que uma é feita dentro dos limites da lei, por advogados (e não só) e em tribunais democraticamente criados e outra foi feita pela força das armas contra um regime estabelecido, mas o que é que isso interessa. Pergunto-me agora, sr. professor: debaixo deste(s) ponto(s) de vista, 25 de Abril e 28 de Maio serão a mesma coisa? Fica a dúvida.

    Quanto aos acontecimentos citados no post (para que não me acusem de violar a constituição do blogue), tanto a atitude do MRB, como a atitude do BE, são de louvar. Representam movimentos em prol da legalidade e legitimidade democrática dos actos eleitorais e como tal devem ser apoiados por todos. Tendo em conta que ambos têm os mesmos objectivos – cumprir a lei eleitoral e acabar com a dinossaurada que empesta as câmaras – era bom que ambos se juntassem ou se apoiassem mutuamente em vez de se lançarem críticas uns aos outros, buscando o protagonismo da iniciativa.

  5. Luís Santos says:

    Sobre o Movimento Revolução Branca, não opino porque não conheço, embora ache estas ações meritórias.
    Sobre o Sr. Cardoso, depois de admitir não se importar com corrupção e compadrio, não me admiro por esta sua opinião. Ainda assim, lamento estar do mesmo lado da barricada do ti Alberto João.

  6. Maria Ferreira Fernandes says:

    “Nunca duvide de que um pequeno grupo de cidadãos ponderados e empenhados possa mudar
    o mundo. De facto, são os únicos que alguma vez o fizeram.” Isto está escrito na página do Movimento Revolução Branca e o JJ Cardoso ignorou-o. Preferiu achincalhar com o vídeo foleiro. O Movimento Revolução Branca, que tem uma imagem pública na net mal cuidada – concordo – tem tido uma prática interventiva de cidadania e de respeito pela democracia mais eficaz do que mandar bitaites num blog.


    • O vídeo não é só foleiro, é mesmo fascista, qualquer aluno do 9º ano dá por isso.
      E o resto também, mas isso merece muito mais que ser discutido numa caixa de comentários. Agora que percebi onde andam entretidos os nossos fascistas, e perante o que está a acontecer no Brasil, podem crer que tratarei disso.

      • Hugo says:

        Qualquer aluno seu, acredito, porque você vê fascismo em tudo o que mexe. Revolução Francesa: luta do povo contra os fascistas da Maria Antonieta; Gloriosa Revolução: luta do povo inglês contra os fascistas do Jaime II (?); Revolução Industrial: luta do povo contra os fascistas que não queriam dar trabalho ao povo; Revolução Neolítica: luta do povo sedentário contra os fascistas dos nómadas. Big Bang: luta do povo contra o universo fascista…

  7. AACM says:

    oh Cardoso…..dz la o que pensas tu da limitacao de mandatos ? SIM ou NAO e porque ?

    Vou adorar comentar……..


    • Se o link não funciona, bem que podias ter avisado. Já corrigi, é este:

      http://aventar.eu/2013/04/15/limite-de-mandatos-republica-e-bom-senso/

      • AACM says:

        Estou de acordo contigo….assumo sem problemas……mas gostava de fazer-te tres perguntas: quais os partidos que produziram esta lei de limitacao dos mandatos ? qual a opiniao dos partidos com acento parlamentar sobre esta polemica ? porque te incomoda tanto o movimento RB, logo tu, um apoiante incondicional da democracia e da pluralidade de opiniao ?…..obrigado


        • Ainda bem que estamos de acordo, às vezes tem pelo menos a sua graça. Respostas:
          – a lei que eu saiba foi aprovada por todos menos PCP. No 31 da Aramada passam a vida a bater no Rangel porque foi um dos seus redactores.
          – desconfio que neste momento só o BE defende a lei, o PS ri-se e o CDS ainda mais, mas calados.
          – não me andava a incomodar, começou a preocupar, e muito, hoje de manhã quando comecei a ler o que por ali anda.
          Mas isso, merece outro tratamento, com tempo e calma.

        • F. Alves says:

          Um apoiante incondicional da democracia e da pluralidade de opinião???
          Talvez queira ler os comentários e a forma como o Senhor Cardoso responde, e especialmente a censura que aplica….
          Aqui vai um exemplo:
          http://aventar.eu/2013/06/19/a-jssd-e-os-sindicatos/

          • AACM says:

            Caro F.Alves, nao estou quase nunca de acordo com as opinioes do JJC, mas de censura nao o podemos acusar, pelo simples facto de que a sua e a minha opiniao estao livremente expressas neste espaco. A diversidade de opiniao nao pode nunca ser confundida com censura……estar em desacordo nao signfica censurar e isso o JJC nunca o faz.

          • F. Alves says:

            Não era a isso que me referia, mas sim ao facto de que o “JJC” tem por hábito eliminar comentários dos quais discorda, e penso que a isso posso chamar censura


          • Esta casa tem regras para comentários. A brigada dos jotinhas que não faz mais que me atacar pessoalmente, nos meus posts, passa a ir para o lixo.
            O lixo mete-se no lixo. Querem trocar ideias? força.
            A campanha organizada nos blogues onde escrevem professores é outra coisa. E por enquanto é assim, porque lidando com desajeitados ainda se arriscam a verem nomes reais, fotografias e o mais que for preciso de cada um aqui expostos.
            Último aviso.

          • Glokta says:

            Não é com ameaças que se discutem ideias…


          • Claro que não. É com a conta de mail jjcgostadepilas1000@gmail.com
            que acabaste de usar agora. Essa tendência de projectar nos outros os nossos gostos pessoais, vem sempre ao cimo.

  8. jorge (fliscorno) says:

    Sobre este tema DE vs. DA, registo que os deputados podiam ter esclarecido a questão e em menos de uma semana nova lei estaria publicada: um dia para fazer a lei, um dia para o presidente a aprovar e 3 dias para publicação no DR. Perfeitamente suficiente nesta democracia fast-food.

    Bastava um deputado.

    Mas não o quiseram fazer. Antes, optaram pelo calculismo político, uns pela contestação judicial que se antevia, outros pela oportunidade de manter alguns dinossauros e ainda outros como forma de ganhar argumentos no combate eleitoral.

    Grandes deputados. E no entanto, são pagos para legislar. Quem diria.


  9. Conheço o MRB por dentro e posso assegurar que não tem qualquer intenção de se candidatar a lugares políticos, nomeadamente ao nível local, nem tem ligações com qualquer partido político. O MRB já emitiu um desmentido, disponível no seu espaço Facebook, relativamente ao título enganador do Jornal i, que afirma que tenciona concorrer a eleições. O MRB circunscreve as suas actividades ao que está dentro dos poderes dos cidadãos e dessa maneira mostrar aos portugueses o que é possível fazer com os direitos que têm. Também luta por mais direitos, nomeadamente de representação política, que estão em falta quando comparados com os direitos dos demais europeus.


  10. Muitas vezes tenho dúvidas se João José Cardoso é assim tão
    democrático , sobretudo quando faço comentários negativos so-
    bre a Banca , na sua vertente corrupção , versus banqueiros e
    funcionários bancários , grandes praticantes dos jogos de falta
    de honestidade e fui bloqueado durante muito tempo .
    Quase estive para deixar de particpar no Aventar , blog que até
    gosto pela diferenciação de suas opiniões , que em alguns ca-sos grosseiras e ofensivas , mas no fundo a sociedade é isto tu-
    do . É bom que continuemos a expor as nossas ideias e opini-ões no Aventar , que apesar de tudo admiro , mais que não se-ja. para que a política que nos desgoverna , à esquerda e à direita , não caia para o lados corruptos que nos têm explorado
    e nisso creio que estamos todos de acordo .


    • Fernando, foi editado e bloqueado enquanto insistiu em escrever tudo em maiúsculas, como de resto ainda assina. E sabe isso muito bem.
      Precisamente porque em democracia escrevemos todos em igualdade de circunstâncias. Maiúsculas é batota.

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