Indignação contagiosa

São hoje muitos os países, em todos os continentes, em que imensas massas populares  inundam ruas e praças para exercerem o direito  à indignação. O fenómeno faz lembrar a revolta dos escravos e a queda do Império Romano: contagioso, imparável na sua confrontação com uma globalização perversa, de finanças sujas que pisam a pés os mais elementares direitos humanos e pretendem impor ditaduras que nada ficarão a dever à crueldade de outras que, na primeira metade do século passado, queriam obrigar ao pensamento único, ao racismo criminoso e outras lástimas de minorias acusadas, com razão, de explorarem o povo em seu proveito.

Os indignados são a consciência ética de cada país. Todos juntos, representam a consciência ética do mundo. Deus deu-nos o livre arbítrio e uma grande responsabilidade: somos nós, e apenas nós, a escolher os valores e os princípios que constituirão o sentido da nossa vida. Se usarmos mal a liberdade de escolha, provavelmente teremos mais dinheiro e mais poder, mas perdemos a nossa alma e desperdiçamos a nossa vida. Serão pesadas as contas que teremos de dar pelo mal que fizemos, aos homens e à natureza, o bem que deixámos de fazer. Uma pessoa sem princípios nem moral, é  desgraçada. Muitas pessoas nessa condição constituem uma élite negativa, e desgraçam o mundo. São as élites negativas as mais ávidas de poder e às quais devemos guerras, fomes, injustiças e crueldcade.

Nós, portugueses, já sentimos o peso dessas élites no passado, já sofremos a ditadura, a conivência cobarde com fascismos e nazismos,   a participação numa guerra estúpida em territórios explorados até ao osso pelos grupos económicos que hoje querem fazer a chuva e o bom tempo na nossa terra. E por ter sido assim, em 1974/75 soubemos recusar uma outra ditadura emanada do leste europeu e responsável por milhões de mortos e prisioneiros sujeitos a todas as torturas.  Estamos de novo confrontados com uma élite negativa de direita que, nos últimos dois anos, destruíu o tecido económico do país, empobreceu Portugal originando um desemprego como não há memória, está a espezinhar a educação e a cultura, está a liquidar a soberania da Pátria no mais completo e nauseabundo servilismo perante uma União Europeia, também ela tomada de assalto por uma élite negativa. Para nós, a indignação é mais do que um direito: é um dever. Deus não nos perdoaria se omitissemos ou nos vendessemos.

O que se passou nas últimas semanas é reles e baixo, é de gente sem princípios nem moral. Fariseus que batem com a mão no peito dentro do templo para que todos vejam, e que têm o mais completo desprezo pelo seu povo.  Não ganharão, porque os indignados são muitos e sabem usar a internet e outras tecnologias e porque, acima de tudo, têm razão e moral.

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