A esquerda no poder

Ouço dizer, muitas vezes, que se a esquerda tivesse chegado ao poder, o país teria entrado numa crise brutal, com o desemprego e a dívida pública sempre a aumentar, com a economia a estagnar e muitos outros episódios do apocalipse.

A não ser que esteja distraído, o país está numa crise brutal, o desemprego e a dívida continuam a aumentar e a economia está estagnada, com tendência para piorar. Por estes sinais, ficamos a saber que os governos responsáveis por este descalabro são de esquerda, como é óbvio.

Diante da necessidade de um governo de salvação nacional, penso que está na hora de o país virar à direita, permitindo que o PCP e o BE passem a governar o país. Só assim será possível emendar aquilo que os esquerdistas irresponsáveis do PSD, do PSD e do CDS andam a fazer há vários anos, num infindável processo revolucionário em curso, propiciador de instabilidade, com o Estado ao serviço de alguns privilegiados, à semelhança, aliás, do que aconteceu em muitos países do Pacto de Varsóvia.

Comments

  1. Albino Oliveira says:

    Uma pergunta apenas, tão singela que merece resposta: qual o país onde os “PCP e BE”governam que está melhor que Portugal? Logo que saiba a resposta prometo emigrar para lá e, para não ir sozinho pago a viagem ao autor do artigo.

    • António Fernando Nabais says:

      Albino, não desperdice dinheiro comigo, que não estou interessado em emigrar, mas vá e escreva-nos a contar a sua experiência. O que me interessa é igualmente singelo: há três partidos que têm dividido o poder, em Portugal, há mais de trinta anos, com os resultados que se vêem. Pedir-lhes que tratem da salvação nacional faz tanto sentido como contratar para nadador-salvador alguém que já tenha contribuído para afogar pessoas.


      • Ora, se a quimio e a radioterapia não funcionaram, está na hora de tentar o cianeto e o arsénio.

        A comparação é mais essa…

        • António Fernando Nabais says:

          O Mário baralha-se com as metáforas: o PS, o PSD e o CDS não são tratamentos, são doenças. Se quiser prolongar a metáfora oncológica, são o cancro da democracia portuguesa. Quanto ao resto, gostaria muito que os partidos de esquerda fossem cianeto e arsénico para o capitalismo selvagem e para os interesses privados que têm sugado o Estado, sempre com a conivência dos partidos que o Mário vê como tratamentos. Até certo ponto, dou-lhe razão: aquela malta trata-se bem.


          • Os partidos da extrema-esquerda, e aqui a parte da extrema é importante, porque não são partidos da esquerda republicana ou democrática, mas sim partidos de franja, com um grau de autocracia refletido pela sua constituição (PCP, PSR, UDP), são cianeto e arsénio para qualquer definição de sociedade que envolva alguma liberdade, por muito pequena que seja. E elixir da juventude para uma Cuba ou Coreia do Norte.

            E naturalmente que eu não vejo o PSD/CDS/PS como tratamento, daí usar a metáfora oncológica, pois por vezes o tratamento mata mais do que a doença. Aliás, eu duvido que algum partido seja a solução do que for, até porque a solução não está no Estado, mas nas pessoas e nas empresas da sociedade civil.

            O verdadeiro tratamento é a remoção do tumor — o Estado.

  2. sinaizdefumo says:

    Não falta pr’aí quem diga que este governo é socialista como por exº o seu amigo Vítor a quem v. passou um bigode aqui atrasado. Bem mas na sua coligação de direita falta o anexo do PC.

  3. Hugo says:

    Amigo Nabais, quem pegou no País logo a seguir ao 25 de Abril? Quanto tempo se aguentou até pedir um resgate ao FMI? 🙂 Um abraço e continua a escrever. Mesmo não sendo sempre da tua opinião, gosto sempre de ler!

    Já agora, para que fique claro, as minhas opiniões não valem nada… mesmo nada. Só ando por aqui, porque não tenho mesmo mais nada para fazer.

    • António Fernando Nabais says:

      Caro Hugo, os anos que se seguiram imediatamente ao 25 de Abril não podem servir para avaliar o governo de ninguém, tal era a confusão. Desde 1976 que o poder tem estado, alternadamente, nas mãos dos mesmos partidos que andam, agora, a reunir-se. E que não haja confusões: o PS só é de esquerda, e pouco, quando está na oposição. Como partido de poder, está demasiado dependente dos poderes financeiro e económico para defender, verdadeiramente, os interesses dos cidadãos. Se te garanto que os partidos de esquerda vão resolver tudo ou ser completamente diferentes? É claro que não, mas o que me interessa, no mínimo, é variar, que estes, entre Soares, Cavacos e respectivos filhotes, já lá estiveram tempo suficiente e conseguiram transformar-nos num país completamente desequilibrado, sendo que esta crise é, apenas, uma manifestação mais aguda desse desequilíbrio. Venham outros, que estes já tiveram oportunidades suficientes.

      • Hugo says:

        Estou completamente de acordo contigo. É verdade. Se calhar, até tens razão. Venham outros, que estes já tiveram oportunidades suficientes. Mas achas que existe alternativa? Achas que BE e PCP tem algo válido. Muito sinceramente, acho que deixar o € e desvalorizar a moeda não é solução. Continuar a defender prolongamentos de subsídios de desemprego, Rendimentos mínimos, subsídios para isto e para aquilo… Senão repara, para continuarmos com esta despesa, é preciso ir lá fora pedir dinheiro, e senão pagarmos a dívida, não nos emprestam, e senão nos emprestam, então não poderemos continuar a gastar desta maneira. Sempre me ensinaram a não gastar mais do que o que tenho. No entanto, penso que estes senhores que nos andaram a desgovernar, não deviam ir para comentadores televisivos, mas sim para a cadeia.
        A solução, a meu ver seria bem mais simples, mas infelizmente não lhes é permitido formar um governo, sem terem um partido político… ou seja, a solução seria colocarem o Paulo Morais, José Gomes Ferreira e Medina Carreira a governar por 4 anos, e mandar prender a restante cambada que nos arruinou.
        Já agora, o que se passou no imediato pós 25 de Abril, foi aumento de salários desgovernados e a fuga do grosso empresarial para fora do país… O que ficou? Fábricas falidas, e Mário Soares e restante cambada!
        Um abraço

  4. MAGRIÇO says:

    Nunca percebi como quem precisa de trabalhar para sustentar a família, que contribui para aumentar o património dos banqueiros e accionistas e continua a viver com dificuldades, pode defender os que o exploram. A revolução de Abril foi em 1974, e em 1976 foi eleito Mário Soares para um governo constitucional, e a partir daí o poder tem sido exercido alternadamente por PS e PSD. Mas para alguns espíritos formatados por 48 de Salazarismo, 2 anos de adaptação à liberdade é que são os responsáveis por 37 anos de delírios de liberalismos oportunistas! A fórmula “Deus, Pátria e Família” continua sagrada para a ignorância e para a incultura.


    • vai para a coreia do norte ou para cuba, aí não há explorados.
      e vem esta cavalgadura que nada percebe zurrar sobre ignorancia e incultura.
      já que és tão esperto cria tu uma cooperativa e faz-la dar lucro… se fores capaz. Não serás.


  5. Como tenho dito o nosso problema não é partidário , nem de esquerda , nem de direita .
    É de pessoas , de seriedade e competência . mas parece que os portugueses só gostam de seleccionar corruptos e depravados . É a nossa triste SINA – síndroma de
    inteligência não adquirida .

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