O governo “maravilhoso”, cheio de embustes mil!

Andei vinte e oito anos (28!), até ao 25 de Abril de 74, a ler, criticar e lutar pela calada de dias e noites – efectivamente lutei em organização clandestina partidariamente independente. Vinte e oito anos, como diz a canção do meu contemporâneo, Paulo de Carvalho, é muito tempo!

Sem intuitos de ser herói, mas impulsionado pela amarga perda de amigos na guerra (Angola e Guiné-Bissau), pela miséria do povo de que o ‘Expresso’, sob o epíteto ‘O Último Verão’, relembrou nas páginas 20 e 21 da última edição, e por outras facetas deploráveis; recordo a feroz PIDE a perseguir, prender, torturar e, se necessário, matar quem ousasse combater o salazarismo – eu e milhares de cidadãos fomos qualificados de ‘comunistas’ com ódio e o ímpeto idêntico ao utilizado pelo trabalhador rural na aplicação do ferrete no gado; jamais me filiei em qualquer partido político.

Fui, sou e serei sempre um incondicional combatente contra a desigualdade social, bem como contra a corrupção dos governantes e periféricos que circulam à sua volta e também enchem os bolsos de dinheiros abundantes, fortunas avultadas em muitos casos, extorquidos internamente ao erário público ou em negócios realizados com o estrangeiro – a compra de submarinos, de carros de combate ‘Pandur’ e de outros equipamentos, materiais e serviços, de que as sociedades de advogados do regime formam um dos grupos mais beneficiados.

Capaz de respirar sem o efeito de substâncias psicodislépticas e recusando fidelizar-me ao dislate de propagandas do vácuo e do falso, é um dever sagrado contestar o panfletismo reles e a falácia dos poderes políticos e seus correligionários. Fi-lo no passado e faço-o no presente, com intransigência. Sem nenhum vínculo ‘rosa’ ou desresponsabilizar Sócrates, e duvidando das limitadas capacidades de Seguro, assumo ser adversário consistente do “maravilhoso” governo do Coelho ou de outro qualquer animal da mesma capoeira.

Estes 816 milhões de desperdícios de dinheiros públicos no BPN, em negócio dirigido por Maria Luís Albuquerque, seriam suficientes para desmascarar irresponsabilidade da actual Ministra do Estado e das Finanças, do seu antecessor e, claro, do PM que nos desgoverna – nos dolos e crimes do BPN, lembre-se, contam-se os ‘laranjas’ Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Daniel Sanches, Arlindo de Carvalho e outros protegidos de Cavaco que, com a filha, também enfiou os pés no lodaçal. Por pouco tempo, mas enfiou.

Vender Passos e Portas como políticos de sucesso, atribuindo-lhes méritos infundados, é mera falácia e descarado topete.

Ontem o BdP corrigia a previsão do PIB de 2013 para – 2,0% em vez de -2,3% – Gaspar começou por estimar – 0,9%, lembre-se – mas o BdP agora piorou os resultados previstos para 2014.

Também é importante destacar que o Banco Central Português admite que, em 2013, sejam destruídos 220.000 empregos. Para quem sabe, e está habilitado a fazer leituras integradas de previsões e dados macroeconómicos, essa expansão do desemprego vai reflectir-se negativamente na procura interna, nas receitas de impostos (IRS e IVA), da ADSE e da Segurança Social (quotizações e contribuições); em contrapartida, aportará ao Estado agravados desembolsos de prestações sociais no subsídio de desemprego.

O desempenho deste governo, incluindo as trágico-cómicas cenas das demissões, é próprio de uma equipa governativa de impreparados, dos quais o respectivo chefe é a cabeça de cartaz.

O chamado ‘compromisso de salvação nacional’, lançado por Cavaco, não é mera idiossincrasia do putativo presidente. A probabilidade do segundo resgate, com ou sem FMI, é elevada e não há palavras, ficções ou embustes que neguem este ‘pós-troika’.

A austeridade, que é como quem diz a pobreza e a miséria, atravessou-se na vida das famílias portuguesas por anos a fio. Quem a defende deveria estar nos primeiros lugares da fila de indigentes e ser relegado para os últimos atendimentos.

Comments


  1. Como é que se chama a música?

  2. edgar says:

    Cavaco Silva quer que sejam os coveiros a ressuscitar o defunto…

  3. Fernando says:

    Pelo amor de Deus, então o Carlos é desse grupo de gente má que insiste em não pintar a realidade de cor de rosa!?
    É verdade, há países em depressão, outros em recessão e outros a caminho, níveis de desemprego do nível da grande depressão dos anos 30, e a economia global (incluindo os Bric) está a abrandar… é verdade… Mas não é razão para que o Carlos insista em ser pessimista, um pouco mais de fé nas boas intenções e competência de Passos Coelho, Cavaco Silva, UE, FMI, Goldman Sachs, e todas as bem-aventuradas elites pois eles foram bafejados pela graça divina!

    • Carlos Fonseca says:

      Nunca tive a mínima fé em tais instituições e personagens. Sou um optimista exigente.


    • Concordo com o seu comentáro sobre a banca , que é a maior podridão em todo o mundo , bate todos os records de corrupção e de outros negócios obscuros e nisto tanto está a esquerda como a direita envolvidas .

  4. adelinoferreira says:

    Como é costume Carlos Fonseca, post
    acertivo e a não deixar dúvidas. Apenas
    discordo do parágrafo abaixo,porque
    eles não são uma equipa de impreparados, mas pelo contrário,bem
    preparados para fazer Portugal recuar
    à”primavera marcelista”: O desempenho deste governo, incluindo as trágico-cómicas cenas das demissões, é próprio de uma equipa governativa de impreparados, dos quais o respectivo chefe é a cabeça de cartaz

    • Carlos Fonseca says:

      Caro Adelino, nem sempre podemos estar de acordo. É minha convicção de que, na generalidade e o PM em especial, esta gente não tem conhecimentos e perfil para serem verdadeiros estadistas. São esse tipo de subproduto político em que as ‘jotas’ são especialistas. Seguro pertence também ao mesmo lote.

  5. adelinoferreira says:

    Para quen não costuma passar por lá, aqui fica
    o registo de hoje, de Pacheco Pereira:

    O NAVIO FANTASMA (16)

    É surpreendente a facilidade com que uma classificação, que não é mais do que uma classificação, traduzindo interpretações de quem a usou originalmente, implicando intenções políticas que são, como todas em democracia, de uma “parte”, logo longe de serem ou deverem ser  incontestáveis, se torna a coisa em si. É o caso da classificação das actuais conversações, pactos, entendimentos acordos, seja lá o que for e o que der, como sendo de “salvação nacional”.  
    Este tipo de classificações são meta-políticas em democracia, prendem mais do que libertam, impedem a discussão, impõem caminhos únicos e estiolam o espaço público. O país pode de facto precisar de um acto de emergência, de uma aliança excepcional, de entendimentos sem precedentes, de uma diferente exigência temporal nos acordos entre partidos, mas não pode ser encerrado num acto de “salvação nacional” que, por assim se classificar, se coloca à margem do debate e do escrutínio democrático. Na realidade, o verdadeiro objectivo deste processo é minimizar o papel das eleições no processo democrático, colocando os portugueses e a soberania do voto popular sob a tutela de acordos  que, ao usarem a grandiloquente expressão de “salvação nacional”, diminuem a democracia. Na verdade, quem é que pode estar contra a “salvação nacional”?
    JPP 
    à(s) 17:23

    • Carlos Fonseca says:

      Já tinha lido. Pacheco Pereira, quando quer, é acutilante e profundo na crítica. Sou leitor do ‘Abrupto’.

  6. M. Martins says:

    Não há dinheiro para pagar sub. férias aos fp e pensionistas mas Cavaco pode gastar 160 mil dele pelo capricho de dormir na Selvagem. O zé paga claro! à moral e ética dizem nada. Está na hora de mostrar a porta da rua a esta gente.

  7. jose vidal says:

    Uma elação poderemos tirar, não chega a força do discurso, talvez seja necessario mudar de “tom” !!!! e quiça trocar a “pauta”…. Em numero somos o dobro.


  8. Concordo plenamente avancemos todos . .

  9. Maria João says:

    Há uma coisa que eu não consigo entender… Talvez o Cavaco me possa explicar: como é que somos salvos por quem nos condenou?

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  1. […] numa crise brutal, o desemprego e a dívida continuam a aumentar e a economia está estagnada, com tendência para piorar. Por estes sinais, ficamos a saber que os governos responsáveis por este descalabro são de […]

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