Sócrates: da Sciences Po à Superior Sul

socrates expresso

 

O que mais me espantou em toda a entrevista foi o espírito “ultra”. O tom de líder de claque. A sério.

José Sócrates foi Primeiro-ministro de Portugal. Com a legitimidade que o voto livre e universal concede. Um voto que, em determinadas circunstâncias lhe foi “dado” tanto por homens e mulheres de esquerda como de direita.  Uns mais que outros. Não sei se foi ou não vítima de enormes calúnias, de processos de intenção vergonhosos.

Recordo-me de dois momentos em especial que escrevi sobre o tema. No caso Freeport sublinhei as minhas dúvidas: custa-me a acreditar que alguém envolvido em semelhante trapalhada e negociata fosse, mais tarde, arriscar uma candidatura a Primeiro-ministro. Mesmo em Portugal. A segunda foi a famosa (e muito lisboeta) boataria sobre as suas preferências sexuais. Uma baixaria de todo o tamanho. De resto, combati com todas as minhas forças as suas políticas e a forma como governou o país. Ou seja, à política o que é da política.

Lendo a revista do Expresso surpreendeu-me, isso sim, a forma como apelidou os seus adversários: pulhas, fanáticos, conspiradores e hipócritas. Se Sócrates fosse um tripeiro e tendo em conta o espírito da entrevista, certamente que os insultos seriam outros e com direito a “piiiiiii”.

Nomeadamente, no caso do Schauble estou convencido que não seria “estupor” mas antes “cabrão” nem tão pouco “filho da mãe”. Quer dizer, a parte do filho seria igual, a “mãe” é que seria apelidada de outra forma… Em suma, linguagem própria de estádio de futebol.

E isso surpreendeu-me. A sério. Não me chocou ou não fosse eu da Areosa. A forma como generaliza no tocante à “direita” é de quem não conseguiu absorver todos os ensinamentos da filosofia política e dos professores da Science Po. Na direita existe gente boa e gente medíocre. Tal e qual como na esquerda. É verdade que não se espera, de um antigo Primeiro-ministro, uma linguagem de taverneiro. Porém, bem mais grave, é ver alguém que ganhou eleições com os votos de uns e outros, enveredar por um estilo “claque de futebol”.

O pior da mistura entre futebol e política não é o relacionamento entre dirigentes desportivos e dirigentes políticos (isso é normal aqui como em qualquer outro país). O que deve merecer, isso sim, total repúdio é esta visão do mundo a preto e branco. Nós somos os bons e os outros são os maus…

Estou certo que na Science Po existem disciplinas onde se ensina o oposto destas teorias. O problema é que, naturalmente, nem sempre estamos atentos a todas as aulas e nem todos os professores cativam. Deve ter sido esse o problema.

Quanto ao resto, foi uma entrevista de quem “anda por aí”. Apenas e só.

 

Comments

  1. nightwishpt says:

    O problema é que a besta tem toda a razão, mas muito poucos têm a coragem de o dizer. Se não andassem os outros todos em joguinhos políticos, se calhar tava caladinho.


  2. Reblogueó esto en fermin mittilo.


  3. Aquela entrevista não interessa a ponta dum corno. Não sou da Areosa…

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