O Presidente da C.E.

Ângela Merkel estava preocupada. Aquela ideia de incluir na nomeação do presidente da Comissão Europeia a consideração dos resultados eleitorais do Parlamento Europeu nunca lhe agradara. E quando viu os candidatos, pior ainda. Começando no gá-gá luxemburguês até ao vermelho grego, passando por uma ecologista e o seu próprio rival interno, aquilo não augurava nada de bom. E agora, perante os resultados, como fazer? Estava nestas elucubrações quando recebeu como que uma revelação! Na verdade, embora os resultados dos vários candidatos fossem expressivamente diferentes, nenhum tinha tido verdadeira maioria, isto é, face ao parlamento, cada um deles tinha menos votos que todos os outros juntos. Só havia uma solução: legitimar um escolhido por uma bênção do alto e, já que as igrejas ficam muito caras e Ângela não sabia como falar com Deus, como faziam os antigos, só lhe restava ungir o escolhido com uma bênção mágica, como a que Merlin tinha brindado Artur, por exemplo. Então, ocorreu-lhe que o seu próprio nome tinha algo de celestial: Ângela! Quer dizer: Anja (lamento incomodar os eruditos que discutem o sexo dos anjos, mas esta é mesmo feminina). Ela própria podia, pois, outorgar a bênção legitimadora. Escolheu um nome que lhe agradava – nenhum dos candidatos, claro – e lá foi ela para a reunião do Conselho Europeu, rosnando “Eles vão ver, eles vão ver…”.

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