Orçamento para a Educação: esquerda e direita

evrNão é fácil encontrar palavras para escrever sobre o orçamento apresentado pelo Governo. Parece-me que os nomes atribuídos à mãe do Pedro Proença nos jogos do Benfica serão insuficientes para qualificar esta gentinha medíocre. E, como vem sendo habitual, a Educação é o sector com o maior corte: 700 milhões.

A esta hora a cambada larangista que passou do primeiro parágrafo estará a pensar que não há dinheiro para mais, que tem de ser, que vivemos acima das nossas possibilidades. Claro que também estão a reflectir sobre o BPN e o BES e as empresas do Relvas e do Coelho.

Mas, lamento informar, estão enganados. É mesmo possível fazer diferente e, ao mesmo tempo, fazer melhor.

Em Vila Nova de Gaia andou um senhor que fez o que queria e ainda lhe sobrou tempo para ajudar meio mundo a tratar da respectiva vidinha. A dívida consolidada da autarquia é, depois do pesadelo,superior a 318 milhões. Mas, mesmo com esta dificuldade, foi possível, num ano reduzir o prazo de pagamentos a fornecedores de 206 para 111 dias o que é fantástico para a economia local. O passivo foi também reduzido em quase 33 milhões.

A Câmara de Eduardo Vitor Rodrigues conseguiu ainda baixar várias taxas municipais (derrama, imi, água) e investir na Educação: para além do alargamento da oferta dos livros escolares ao 2º ciclo, a Escola a tempo inteiro tem hoje uma dimensão única por estes lados. As escolas estão abertas das 7h30 às 19h30. É claro que este projecto pode colocar várias questões (o mais discutido a alternativa hiper-escola / hiper-rua) , mas estamos a falar, de um enorme investimento na Escola Pública e na qualidade do serviço prestado, até porque, como sugere David Rodrigues, estamos a falar de docentes qualificados.

Parece-me, pois, que é possível fazer diferente e fazer melhor porque um concelho da dimensão de Gaia é um território já com algum significado. É tudo uma questão de prioridades e, estou convencido, que por cá, ninguém se importará de exportar o modelo para o todo nacional. Não estamos e não podemos estar condenados a viver na miséria e a aposta na Escola Pública é a única que nos poderá tirar deste buraco onde a direita nos quer colocar.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Relativamente a tudo o que escreve e com o que concordo em absoluto preocupa-me, com toda a frontalidade, a postura de quase encolher de ombros relativamente à falta de julgamento de muitos bandidos tal como esse senhor que espoliou Vila Nova de Gaia e que se preparava para fazer o mesmo no Porto. Esse e outros casos, são verdadeiros CASOS DE POLÍCIA e a gestão danosa e incompetente ou incompetentemente danosa, deveria ser julgada em tribunal. Refere o articulista que …”É tudo uma questão de prioridades…”. Pois é, mas essas prioridades, não são as reais. São as induzidas pela referida gestão danosa ou, se preferir, o mal menor. E esta é a triste sina deste País onde um bando de corruptos nos vai deixando sem margem de manobra e nos empurram para a gestão das poucas prioridades que nos restam ou se quiser, para o “mal menor”. Os prejuízos do BPN e do BES, são cobertos pelo erário público, mas os malandros e os vigaristas que nos conduziram ao buraco, saem incólumes e até burros nos chamam (e teriam razão, se a Justiça funcionasse e eles continuassem em liberdade). É este sistemático encolher de ombros perante os crimes que se sucedem, conduzindo na prática ao branqueamento dos gravíssimos actos contra o interesse e o erário público que me revolto e por isso, com todo o respeito, não engulo a mágica frase : “É tudo uma questão de prioridades…”. Pois provavelmente terá mesmo que ser, mas é fundamentalmente tudo uma questão de incapacidade da Justiça e uma clara protecção de um verdadeiro bando. Como o sábio povo diz: “Tão ladrão é o que rouba como o que fica à porta”


    • Viva,
      concordo com quase tudo, nomeadamente com a sensação de impunidade que alguns gozam. É verdade que há momentos em que parece que a justiça até funciona, mas em muitas outras ocasiões a sensação é bem pior. De qualquer modo, no caso de Gaia, parece que a zanga das comadres (leia-se dentro do PSD) levou a PJ à Autarquia e agora é deixar a Justiça funcionar. Espero que neste caso, seja a Justiça BOA 🙂

      JP

  2. niko says:

    acha que vai ser feita justiça,? pelos arquivamentos a que estamos a assistir ,leu o que aconteceu as faturas falsificadas de milhões na madeira ,arquivado.

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