Dos manifestantes esquisitos

Vejo por aqui grande indignação pelos figurões que pontuam a fila da frente da manifestação de Paris. Compreendo. Mas vejam a questão de outro ponto de vista e imaginem quanto lhes custa, a eles, serem obrigados a “vir comer à mão”. Esta manifestação consagrará valores que alguns destes crápulas desprezam. Mas tiveram de vir. Porque hoje, os valores da liberdade tomaram conta da maioria das consciências. E de tal modo isso aconteceu que até estes – por defesa da sua sobrevivência política – vergaram a cerviz. Vale pouco? Parafraseando: As pequenas vitórias valem pouco, mas quem as despreza é louco.

Comments


  1. O PM de Israel, um dos principais terroristas de Estado do mundo, encabeçava a manifestação, ao lado do Hollande.
    Um pouco ao lado, o PM inglês, o espanhol e outros.
    Lá para trás, meia-dúzia de filas lá para trás, o Passos Coelho, ali colocado pelo protocolo francês, que o considera o PM do país das criadas e porteiras.
    Só que o Passos Coelho não está ali em nome pessoal e sim a representar o povo português.
    Eu detesto o Passos e posso detestá-lo à minha vontade. Mas os filhos da mãe franceses têm de o respeitar, porque ao desrespeitá-lo é a todos nós que desrespeitam.


    • É por causa de situações assim que detesto protocolos. Além do mais nenhuma razão do mundo faz com que o Passos Coelho me represente. Tendo em acreditar que qualquer outro ex-PM português teria sido obsequiado com um lugar melhorzinho… Vá-se lá saber porquê…

  2. Rui Moringa says:

    jmc,
    Compreendo o sentimento com que escreve, mas não concordo consigo porque:
    Olho para as personagens nas filas e não entendo o tal protocolo. O presidente do Mali está ao lado do Sr. Hollande porquê? Não alcanço;
    Melhor fora que o PM não fosse lá, poderia mandar o Vice-PM que esse chegava-se à frente mesmo que lhe dessem um lugar atrás. É mais vivaço.
    Pessoalmente e respeitando os milhares de pessoas que foram manifestar-se sem protocolo, vejo um processo de propaganda para impressionar as hostes internas e os estados apoiantes directa e indirectamente das operações terroristas.
    Olhe não se zangue com os franceses. Teria de fazê-lo com castelhanos, chineses… E timorenses. Talvez haja mais, mas não vale a pena. Ficariam os castelhanos que são uns oportunistas. Mantêm Olivença e querem mais área económica exclusiva marítima junto às Selvagens. Cheira a petróleo?!
    Andaríamos sempre zangados…Faz mal à saúde.


    • Rui Moringa:
      É verdade, tem razão e acabo por concordar consigo. Mas (ainda) me custa ver os portugueses ser sempre relegados para trás de toda a gente; e sempre servis, de dorso curvo, a agradecer o desrespeito.
      Mas claro que tem razão, não vale a pena zangarmo-nos por isso. Andaríamos sempre zangados e, se calhar, até nem merecemos melhor do que a maneira como nos destratam.

  3. Nightwish says:

    O sucesso da manifestação de hoje em Paris, com dois milhões de pessoas juntas no mesmo espaço, demonstra que os terroristas ladram muito, mas mordem pouco. Tinham hoje um grande e importante alvo, que poderia ser um marco enorme para a sua campanha e que fizeram? Nada.
    E assim é que está bem. Porque abusos da liberdade fazem parte da democracia e são os riscos que aceitamos para que possamos viver uns em paz com os outros.


    • Sim, sim, fogo de vista! A verdade é que caricaturas do Maomé não vão aparecer tão cedo. Quem tem cu tem medo… Até rima!…

      • Nightwish says:

        Só por acaso apareceram num jornal belga e num jornal alemão. Mas deixe lá isso… Vamos é fazer como a NSA e guardar as comunicações de toda a gente para memória futura.

  4. Marquês Barão says:

    O senhor Hollande recolheu muitos sapatos para se calçar.


  5. Esta manifestação, qualquer que seja a forma como a olhemos, foi um formidável grito de apoio à liberdade de expressão e só por isso aprecio ver ali um representante de Portugal, mesmo que relegado para um plano secundário. Sinceramente gosto muito mais de ver Passos Coelho nesta manifestação do que gostei de ver Durão Barroso na cimeira da Lajes, onde foi decidido o ataque ao Iraque. A vergonha que eu senti nessa altura e continuo a sentir!…


  6. 4 milhões de pessoas desfilaram marimbando-se para tais empecilhos.
    A pesar da gritaria nas TVs.
    (reparem que os jornais quase não falaram no caso).

    O povo passou por eles sem sequer lhes dar os bons-dias.

  7. niko says:

    E como dois franceses mobilizaram tantos milhões.

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