Resistir ao totalitarismo económico [o discurso da Presidente do Parlamento grego]

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«A dívida grega não é um fenómeno meteorológico, antes foi criada pelos governos precedentes, mediante contratos manchados pela corrupção, por comissões, luvas, cláusulas leoninas e juros astronómicos, de que bancos e empresas estrangeiras beneficiaram, fazendo de uma dívida privada uma dívida pública, e assim salvando bancos franceses e alemães, bem como bancos privados gregos, e condenando o povo grego a viver nas actuais condições de crise humanitária, enquanto mobilizando e gratificando os órgãos da corrupção mediática encarregues de aterrorizar e de enganar os cidadãos. Esta dívida, que nem o povo nem o Governo actual criaram ou fizeram aumentar, é desde há cinco anos usada como instrumento de subjugação do povo por forças que agem a partir do interior da Europa, no quadro de um totalitarismo económico.

A Alemanha comporta-se como se a História e o povo grego tivessem contraído dívidas junto dela, como se pretendesse um ajustamento de contas, realizando a sua vingança histórica pelas suas próprias atrocidades, aplicando e impondo uma política que constitui um crime não apenas relativamente ao povo grego mas também contra a própria Humanidade – no sentido penal do termo, pois trata-se aqui de uma agressão sistemática e de grande escala contra uma população, com o objectivo premeditado de produzir a sua destruição parcial ou total.» | Zoe Constantopoulou, ontem [13 de Julho de 2015] no Parlamento grego

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«Minhas senhoras e senhores, caros colegas,

Nos momentos como este, devemos agir e falar com sinceridade institucional e coragem política. Devemos assumir, cada um, a responsabilidade que nos cabe.
Protegendo, como a nossa consciência nos obriga, as causas justas e os direitos sagrados, invioláveis e não negociáveis do nosso povo e da nossa sociedade.
Salvaguardando a herança legada por aqueles que deram a sua vida e a sua liberdade para que hoje possamos ser livres.
Preservando a herança das novas gerações e das vindouras, bem como a civilização humana, o mesmo acontecendo com os valores inalienáveis que caracterizam e dão sentido à nossa existência individual e colectiva.
O modo como cada um opta por decidir e agir pode variar, mas ninguém tem o direito de zombar, degradar, denegrir ou usar com uma finalidade política as decisões emanadas de um processo e de uma decisão difícil e consciente, intimamente ligados ao cerne da nossa existência.

Seremos todas e todos julgados pelas nossas atitudes e decisões, pelos nossos sim e pelos nossos não, pelos nossos actos e pelas nossas omissões, pela nossa coerência, pelas nossas resistências, pela nossa abnegação e pelo nosso desinteresse.
Desde há cinco meses que o Governo, que tem por tronco a Esquerda e por coração as forças anti-memorando, se entrega a um combate desigual, nas condições de asfixia e de chantagem contra uma Europa que traiu os objectivos inscritos nos seus Estatutos, a saber, o bem-estar dos povos e das sociedades, uma Europa que utiliza uma moeda comum, o euro, não como meio para alcançar o bem-estar social, mas como alavanca e instrumento de subjugação e de humilhação dos povos e dos governos rebeldes, uma Europa que está em vias de se transformar numa prisão de pesadelo para os seus povos, apesar de ter sido construída para ser a sua casa acolhedora comum.

O povo grego confiou a este Governo a grande causa da sua libertação das malhas do memorando, do torno vicioso da sua colocação sob tutela e sob vigilância, impostas à sociedade sob pretexto de uma dívida – uma dívida ilegal, ilegítima, odiosa e insustentável, cuja natureza – tal como o demonstraram as conclusões preliminares da Comissão para o apuramento da Verdade sobre a Dívida Pública – era já do conhecimento dos credores desde 2010.
Uma dívida que não surgiu como um fenómeno meteorológico, antes foi criada pelos governos precedentes, mediante contratos manchados pela corrupção, por comissões, luvas, cláusulas leoninas e juros astronómicos, de que bancos e empresas estrangeiras beneficiaram.
Uma dívida que a Troika, com o beneplácito dos precedentes governos, transformou fraudulentamente, fazendo de uma dívida privada uma dívida pública, salvando assim bancos franceses e alemães, bem como bancos privados gregos, condenando o povo grego a viver nas actuais condições de crise humanitária, enquanto mobilizando e gratificando os órgãos da corrupção mediática encarregues de aterrorizar e de enganar os cidadãos.
Esta dívida, que nem o povo nem o Governo actual criaram ou fizeram aumentar, é desde há cinco anos usada como instrumento de subjugação do povo por forças que agem a partir do interior da Europa, no quadro de um totalitarismo económico.
A despeito da moral e do direito, a Alemanha ainda não honrou até este dia as suas dívidas para com a pequenina Grécia resistente, cuja atitude heróica a História reconheceu. Tratam-se de dívidas de ultrapassam a dívida pública grega e representam um montante de 340 mil milhões de euros, segundo os cálculos emanados da Comissão de Justiça do Tribunal de Contas, que foi criada pelo governo precedente, data em que a alegada dívida pública grega foi estimada em 325 mil milhões de euros.

A Alemanha beneficiou do maior apagamento de dívida do pós-Segunda Grande Guerra, a fim de poder reerguer-se, com o patrocínio generoso da Grécia. Esta mesma Alemanha emprestou protecção a responsáveis por empresas culpadas por actos de corrupção, realizados em parceria com os governos precedentes e os seus partidos políticos, tais como a Siemens, que a Alemanha protegeu, subtraindo-os todos à obrigação de apresentação perante a justiça grega.
Assim, a Alemanha comporta-se como se a História e o povo grego tivesse contraído dívidas junto dela, como se pretendesse um ajustamento de contas, realizando a sua vingança histórica pelas suas próprias atrocidades, aplicando e impondo uma política que constitui um crime não apenas relativamente ao povo grego mas também contra a própria Humanidade – no sentido penal do termo, pois trata-se aqui de uma agressão sistemática e de grande escala contra uma população, com o objectivo premeditado de produzir a sua destruição parcial ou total.
A que infelizmente há que acrescentar, apesar do seu dever de procurar estar à altura das suas responsabilidades e do momento histórico, a cumplicidade dos governos e das instituições perante esta agressão.

Minhas senhoras e meus senhores, caros colegas,
Sujeitar o povo e o Governo a condições de asfixia e à ameaça de uma violenta bancarrota, pela criação artificial e premeditada das condições para uma catástrofe humanitária, constitui uma violação directa de todas as convenções internacionais que protegem os direitos do Homem, da Convenção da ONU, das convenções Europeias, e até mesmo dos próprios Estatutos do Tribunal Penal Internacional.
A chantagem não é uma fatalidade. E a criação e aplicação de condições cuja finalidade é a de suprimir o livre arbítrio, não permite a ninguém poder falar sobre “liberdade de escolha”.
Os credores chantageam o Governo. Agem fraudulentamente, apesar de saberem desde 2010 que a dívida não é sustentável. Agem conscientemente, uma vez que reconhecem nas suas declarações a necessidade de conceder uma ajuda humanitária à Grécia. Uma ajuda humanitária por que razão? Para alguma catástrofe natural imprevista e inesperada? Um sismo imprevisto, uma inundação, um incêndio?
Não. Uma ajuda humanitária que é a própria consequência das suas escolhas conscientes, calculada para privar o povo dos seus meios de subsistência, fechando a torneira da liquidez, como forma de represália pela decisão democrática do Governo e do Parlamento de organizar um referendo e de dar a voz ao povo para que pudesse ser ele a decidir o seu futuro.
O povo grego honrou o Governo que teve confiança nele, bem como o Parlamento que lhe deu o direito de tomar nas suas mãos a sua vida e o seu destino. E disse um NÃO corajoso e confiável,

NÃO às chantagens,
NÃO aos ultimatos,
NÃO aos memorandos da subjugação,
NÃO ao pagamento de uma dívida que não foi por ele criada e de que não é responsável,
NÃO a mais medidas de miséria e de submissão

Esse NÃO, os credores obstinam-se com persistência a querer transformar num SIM, com a cumplicidade pérfida de todos os que são co-responsáveis por esses memorandos e que tiraram proventos deles: os que criaram a dívida.
Esse NÃO do povo ultrapassa-nos a todos e obriga-nos a defender o seu direito a lutar pela sua vida, a lutar para que não mais viva uma vida pela metade, ou uma vida de servidão, e para ter orgulho em tudo o que vai deixar aos seus sucessores e à Humanidade.
O Governo é hoje objecto de uma chantagem, a fim de levá-lo a aceitar tudo o que não quer, que emana não de si próprio e que agora combate. O primeiro-ministro falou com sinceridade, com coragem, franqueza e de forma desinteressada. É o mais jovem primeiro-ministro e é também aquele que, ao invés de todos os seus congéneres, mais lutou pelos direitos democráticos e sociais do povo e das novas gerações, que representou e representa a nossa geração e lhe dá esperança. Presto-lhe e continuarei a prestar-lhe a minha homenagem, pela sua atitude e pelas suas escolhas. Mas ao mesmo tempo, posta perante a minha responsabilidade institucional, enquanto Presidente do Parlamento, considero que não posso fechar os olhos e fazer de conta que não percebo a chantagem.
Nunca poderia votar em favor da legitimação do conteúdo do acordo, e penso que isso também é válido para o primeiro-ministro, que é hoje objecto de uma chantagem que usa contra ele a arma da necessidade de sobrevivência do seu povo. E julgo que também o Governo e os grupos parlamentares que o apoiam pensam desta forma.
A minha responsabilidade para com a História desta Instituição, assumo-a respondendo “presente” no debate e na votação de hoje. Penso, assim, ser mais útil ao povo, ao Governo, e ao primeiro-ministro, às gerações futuras e às sociedades europeias, expondo à luz do dia as verdadeiras condições nas quais o parlamento é chamado a tomar decisões, recusando a chantagem, em nome da alínea 4 do Artigo 120 da Constituição grega.
O povo grego é o segundo a ser vítima de uma tal agressão emanada do interior da zona euro. Foi precedido por Chipre, em Março de 2013.

A tentativa de impor medidas que o povo rejeitou em referendo, usando a chantagem do encerramento dos bancos e a ameaça da falência, constitui uma violação brutal da Constituição, ademais de privar o Parlamento dos poderes que lhe são atribuídos por essa mesma Lei Fundamental.
Cada uma e cada um tem o direito e o dever de resistir. Nenhuma resistência na História foi fácil. No entanto, pedimos o voto e a confiança do povo para enfrentar as dificuldades e é face a essas dificuldades que devemos agora ser bem sucedidos. E fazendo-o sem medo.»

Tradução do Grego de Yorgos Mitralias (revisto por Patrick Saurin) e do Francês por Sarah Adamopoulos
Fonte: CADTM

Comments


  1. Palavras verdadeiras, sim,,, e como fica o povo que votou OKI e que sabe que, à partida; vai ser vítima de mais chantagem no emprego, na saúde, na educação? Uma nação não se mantém com chantagens! pedir ao povo heleno que compreenda que estão a ser chantageados, e que mesmo assim têm que fazer um acordo não é, em si, uma chantagem? Qual é o povo que pode lutar pelos seus direitos num ambiente de desesperança, falta de apoio laboral ou mesmo falta de paixão pela vida? A paixão pelos ideais não conta? Só conta a dívida? porque é que continuam a responder a negociações com chantagistas? porque se mantêm nesse barco?

    • Pimba says:

      Mantém-se no barco porque Roma e Pavia näo se fizeram num dia, e às vezes é necessário dar um passo atrás para dar dois em frente.
      Agora é tempo de resistência. As guerras näo duram semanas, da última vez os gregos só demoraram 3 meses até serem invadidos pelos alemäes, e depois resistiram por dentro.
      Tsipras já conseguiu uma grande vitória, que foi näo o conseguirem apear do cargo para lá meter “tecnocratas” ou “coligac,öes nacionais” a administrar o pacote austeritário, além de que, e isso é o mais importante, já se abrem brechas no Eurogrupo, BCE, e até FMI para restruturar/perdoar parte da dívida grega, portanto estará para breve.
      A guerra será longa, väo haver mortos, mas no fim o BCE emitirá dívida europeis, os Quislings PassosCoelho e Rajoy e quejandos caíräo. A Merdkel sumir-se-à, e o Schäuble cairá… da cadeira, passe a expressäo!
      Forc,a Tsipras, forc,a Grécia!


  2. Saltar do barco agora, era morrer afogado !!!

  3. joão lopes says:

    shauble assinou a certidão de obito da UE.com o colaboracionismo de muitos.inclusive portugueses.ponto final paragrafo.

  4. Rui Moringa says:

    Fomos literalmente sodomizados como o pa(c)to da anedota.
    É preciso dizer não a esta pouca vergonha. E a forma de o fazer é votar, votar mesmo.
    Nunca deixeia de votar mesmo que fcasse algumas vezes frustrado com o destino dado à política pelo partido em que votei.
    Nas próximas vou votar PCP. Não sou comunista.


    • Estava quase a concordar consigo e de repente lembrei-me que o “Kamarada” Jerónimo pode levar até S. Bento outra vez o PSD/CDS como há 4 anos…não esqueça, que eu também não esqueço.
      Idem para os “meninos/as” do BE…


      • O PSD não presta e estaremos de acordo neste ponto. Porém, se o governo PS não tivesse caído, teríamos no poder um tal Sócrates. Sabe quem é? Um homem que com ilicitude se locupletou à custa dos portugueses. Portanto, Jerónimo, actuando como actuou, provocou o menor dano possível. E isto sem prejuízo de considerar Passos Coelho como um mentiroso, incompetente e evadido fiscal e contributivo.


        • Carlos Oliveira, tal como eu, você não sabe se José Sócrates se locupletou ou não à custa dos portugueses. Sabe apenas que é suspeito disso – e que os indícios que a acusação tem feito chegar, com ilicitude, à comunicação social não fundamentam sequer a suspeita, muito menos a acusação – que já tarda – e menos ainda a condenação. Os factos são estes, por muito que lhe custe.


        • Até ao momento não há provas nenhumas.
          Como pode afirmar uma coisa que nem os juízes ainda encontraram?


    • Não é caso único, Rui Moringa. Muita gente que eu nunca imaginei que votasse PCP me tem dito que o fará nas próximas eleições. Claro que muitas destas pessoas vão ter medo à última hora e votar PS, ou no partido dos animais, ou em branco. O que é exactamente a mesma coisa, para efeitos práticos, que votar PSD/CDS.

      Eu já decidi: vou votar contra o neoliberalismo seja qual for o rótulo que ele traga colado. As contas, fá-las-ei na altura, de acordo com as sondagens e com os partidos que têm hipóteses de eleger deputados no meu círculo eleitoral. Se tiver que ser o PC, pois que seja o PC: afinal de contas, como ainda ontem assinalou na televisão o insuspeito António Peres Metelo, é o único partido que tem tido razão desde o início sobre a adesão de Portugal ao Euro.


      • O problema é que o PC anda há 40 anos de derrota em derrota até à liquidação total…
        O PC, fala, fala mas não faz nada.
        O único voto em conjunto com todos os outros deputados, foi a ida dos restos mortais do Eusébio para o Panteão Nacional.

        • joão lopes says:

          o PCP nunca foi derrotado,ou visto por outro ponto de vista,o PCP foi derrotado,da mesma maneira que os PIG(s) são derrotados todos os dias pelo mesmo de sempre:a alemanha.p.s.-o PCP foi o unico partido portugues que critcou sempre a criação da moeda unica.não sou PC,mas desta vez vou votar neles…


      • CDU, CDU (azul) desde 1976 que o PCP não concorre sozinho.

  5. Rui Moringa says:

    Está bem, Zé.
    Já escrevi que não sou comunista e dificlmente serei uma vez que o PC aponta para um certo “totalitarismo dostrabalhadores”.
    Contudo, veja que é o único partido que tem uma proposta para saírmos do euro. Veja-se que eles falam em nacionalismo. Eu sou um nacionalista porque quem não gosta de si (portugueses) como pode gostar dos outros e dialogar com eles em igualdade?!
    A obra dos outros partidos está á vista…
    Outra circunstância: Os dirigentes do PC têm demonstrado serem homens desapegados de mordomias e outra vaidades.
    Os tempos não estão para vaidades…

    • Nightwish says:

      O PC não tem proposta para sair do Euro, tem uma proposta para uma discussão alargada sobre o problema, nem dizendo que sim nem que não.
      Alguns discursos do BE, por outro lado, indicam que tal seria uma clara hipótese.
      Mas planos só vejo o de Louçã e Ferreira do Amaral.


  6. Zé, lê com atenção o que disse à pouco um dos fundadores do teu Partido Socialista

    “Depois da ignóbil chinesice de Costa, abandono o PS, e é já”

    por B.C. e J.P.H. Hoje59 comentários

    Fotografia © Arquivo/Globalimagens

    Alfredo Barroso, fundador do PS, vai desfiliar-se por causa das declarações de Costa que frente a uma plateia de chineses elogiou as mudanças que aconteceram no país nos últimos quatro anos.

    Alfredo Barroso, um dos fundadores do Partido Socialista, anunciou que vai desfiliar-se do PS por sentir-se envergonhado com a”inqualificável chinesice” de António Costa. Barroso referia-se às declarações do líder do PS durante numa homenagem que lhe foi feita no passado dia 19 de fevereiro pela comunidade chinesa radicada em Portugal. António Costa agradeceu a ajuda chinesa a Portugal, não só dos emigrantes no país mas dos empresários em geral e, numa frase que já se tornou viral – com a ajuda da oposição do PSD e CDS – pareceu elogiar as mudanças que aconteceram no país ao longo dos últimos quatro anos, sublinhando que a situação é hoje “bastante diferente” do que aquela que se verificava quando o Governo de Sócrates pediu o resgate aos credores internacionais.

    O eurodeputado Nuno Melo recuperou as declarações de Costa, que passaram no canal chinês CCTV, num artigo de opinião, colocando depois o vídeo na sua página do Facebook.

    Alfredo Barroso explica assim a sua saída do PS: “Já chega! Nunca me passou pela cabeça que um secretário-geral do PS se atrevesse a prestar vassalagem à ditadura comunista e neoliberal da República Popular da China, e se atrevesse a declarar, sem o menor respeito por centenas de milhares de desempregados e cerca de dois milhões de portugueses no limiar da pobreza, que Portugal está hoje melhor do que há quatro anos. A declaração de António Costa é uma vergonha!”.

    O fundador do Partido Socialista que ainda esta semana vai enviar a carta com a desfiliação – “enviarei à direção do PS (hoje tenho vergonha de escrever por extenso Partido Socialista) uma carta muito simples” – garante que não irá aderir a outro partido. Mas vai apoiar e votar no Bloco de esquerda.

    Alfredo Barroso diz ter a certeza de que “a ‘ralé’ que tomou conta do ‘aparelho’ do PS é capaz de se atrever a desenvolver contra mim miseráveis campanhas”.

    Considerando que a chinesice de António Costa é um tiro de canhão no coração do PS, Alfredo Barroso escreve que “agora só falta mesmo o PS apoiar como candidato a Belém o advogado de negócios António Vitorino, que vai ser o próximo presidente da assembleia geral da «chinesa» EDP e membro do respetivo conselho geral, presidido pelo ignóbil Eduardo Catroga. Ah, é verdade, e porque não, já agora, apoiar o inefável Jorge Coelho como candidato a primeiro-ministro?!”
    DN 26/2/15

    Nota: Alfredo Barroso só se esqueceu de dizer que para a miséria em que vivem milhões de portugueses em nada contribuiu o PC ou o BE.


    • Adelino!
      Lê com atenção:
      Não sou PS como pensas e não danifiques essa cabecinha a pensar o quer que seja.
      Boas férias …


      • “Estava quase a concordar consigo e de repente lembrei-me que o “Kamarada” Jerónimo pode levar até S. Bento outra vez o PSD/CDS como há 4 anos…não esqueça, que eu também não esqueço.
        Idem para os “meninos/as” do BE…”

        Zé, o comentário acima é a lengalenga dos xuxas desde o PEC 4. Acho que não há dia que não leia a mesma coisa, por vezes com roupagens diferentes. Não tenho forma de saber de onde vens nem para onde vais; uma coisa eu sei “a mim não me levas tu”


  7. Portugal (Leia-se: PPC e companhia quase ilimitada), como as ovelhas do rebanho teve medo de um lobo (dívida pública grega) que mata uma ovelha porque tem fome, mas confia no pastor (Troika, etc.) que leva todo o rebanho ao matadouro.
    O governo grego, apoiado numa justiça parecida com a nossa, deixou impunes os bandidos que roubaram sem vergonha todo o povo. E depois queria ter força moral para enfrentar os dragões. É certo que isto não seria possível sem cedências.
    Mais grave é o facto de Portugal se ter colocado ao lado das posições dos credores(?) quando mesmo países como a França e a Itália podiam ter feito a balança tombar para o lado da verdade caso tivessem sentido da parte de governos como os da Irlanda, Espanha e Portugal uma postura inequívoca de apoio à Grécia. Perdeu-se uma oportunidade histórica para mudar o rumo desta Europa podre. Uma vergonha indigna de um país que tanto contribuiu para o desenvolvimento do mundo moderno.
    Estúpido mesmo foi ver que, quando até potências mundias como a China e os EUA estavam contra a pressão do grupo de párias de que fazem parte os mesmos países que na II Grande Guerra criaram o pacto que levou ao holocausto, o nosso país sempre tomou a postura subserviente e miserável que mostrou ao mundo a verdade de um povo que não tem espinha dorsal.
    Envergonho-me de pertencer a um povo que não soube dar a mão a quem precisa para ceder aos interesses dos mais fortes sem ter sequer dado luta. E não me digam que o povo não tem culpa!
    Quantos portugueses viram na rua em manifestação de suporte ao povo grego? E na verdade, quem foi que ao longo (pelo menos) dos últimos 40 anos sempre colocou no poder a caterva de ignóbeis criminosos que têm sacado e sugado toda a riqueza do país para a entregar de mão beijada aos interesses corporativos e financeiros da banca e da indústria alemã?
    Se a Europa foi durante milénios o motor moral do planeta está agora em fim de vida. Por muito que me custe, tenho que dar razão ao reaço do Henrique Raposo quando diz, no seu livro “Um Mundo Sem Europeus”, que a Europa está morta!
    E o mundo diverte-se num gáudio sem precedentes a ver os palhaços caquéticos da velha Europa em procissão de joelhos. Talvez cheguem a Fátima!
    Que figura! E ainda há quem se atreva a sair de casa e não ter vergonha na cara. Pobre e coitado Portugal!
    Mas não se apoquentem que isto vai tudo acabar como sempre: Deuschland über alles!

  8. Rui Moringa says:

    Adelino,
    Queira aceitar, não é “Zé, lê com atenção o que disse à pouco”, mas sim “Zé, lê com atenção o que disse há pouco” .


  9. Rui, obrigado. Foi gralha.

  10. Rui Moringa says:

    Sim, eu presume isso.
    Já me aconteceu e vai acontecer, apesar de ter muita prática.

  11. Alexandre says:

    Para abrir a cabecinha do moringa, aconselho uma visita ao Concelho de Loures onde o PCP governa em conjunto com o PSD e tenha uma conversa com os trabalhadores dos SIMAR. Talvez lhe contem as perseguições por parte da administração do Bernardino


  12. Um exemplo de demagogia ainda para mais desculpabilizando por sonegação da responsabilidade que o actual grupo de garotos que governam em Atenas , dos prejuizos que causam ao povo por não terem acautelado os problemas bancarios perfeitamente previstos e falados e Janeiro. A culpa claro de tudo é da Merkl, infelizmente quem paga a fatur são os do costume: o povo. Que sorte não termos eleito aqui os conrespondentes ao Siriza; pelos menos vamos ao banco e há la dinheiro. Como houve grande aumento de compra de carros novos a crise está a fazer grandes estragos, na narrtaiva catastrofista da seita das PPPs.

    • Nascimemto says:

      Olha lá ó meu totó se estes são “garotos “,os que governaram a Grécia são “ADULTOS”? E os que corromperam ( forças armadas, por exemplo…) foram o QUÊ? ADULTOS??? É pá, vai dar banho ao cão…

    • Nightwish says:

      Há muitos portugueses para quem é indiferente se há dinheiro no banco, uma vez que não têm conta.
      Mas pronto, as lojas que andam em promoções o ano todo deve ser por causa da recuperação económica.


  13. Cristof9

    Sobre o aumento dos carros novos de que fala, notícia o pasquim:

    Vendas de carros disparam à custa dos rent-a-car

    3/7/2015, 0:47

    Vendas de ligeiros de passageiros cresceram 33% no primeiro semestre do ano, face a igual período de 2014, segundo a ACAP. O turismo deu uma ajuda: mais de um quarto dos carros vendidos são rent-a-car

  14. Rui Moringa says:

    Alexandre,
    Não tenho a ilusão de tomar o PC como o melhor partido do país.
    De qualquer das formas agradeço a sua “notícia”.
    Evitando a generalização, também lhe posso dizer que os trabalhadores, na sua maioria, sofrem pressões e algumas “perseguições” que às vezes só estão na cabeça do perseguidos.
    Não ignore que qualquer partido com maioria e no caso de isso poder acontecer com o PC muita gente ficaria a passa mal, inclusive, tabalhadores. O poder é uma “coisa” tramada…
    a minha opção pelo PC tem como obejectivo colocar em cima da mesa política a saída do Euro.
    Em Portugal apenas referendamos o aborto. MEteram-nos no Euro sem apelo nem agravo.
    Agora quem controla o BCE e a emissão de moeda manda nos outros. Não aceito ser mandado por alemães. É uma opção.
    Admira-me que o CDS que tanto pugna pela identidade e soberania nacional esta questão do Euro não lhes cause engulhos. Negócios?!!!
    Eu sou português e acho que devemos ter uma moeda.
    Os acordos que fazemos e são prejudiciais devemos denunciá-los ou refazê-los. A tal UE decide muitas vezes à margem do tratado. E quem decide é quem tem dinheiro e sobretudo quem manda no BCE apesar de se dizer que é uma estutura independente. Eu não sou daqueles que dizem que stem vergonha de serem portugueses. Também não me deslumbro com os grandes feitos dos estrangeiros e também não menosprezo ou desvalorizo o que somos e o que fazemos.
    Compro portugês se puder e evito dar dinheiro a estrangeiros sempre que faço compras.
    Sou trabalhdor. Vivo do meu trabalho como milhares de portugueses. Não diabolizo os empresários, mas ultimamente o que se trata é de vigarice a coberto de leis, ou seja vigarice legalizada.
    Por isso acho que um PC mais forte é muito importante.

    • Nightwish says:

      “Admira-me que o CDS que tanto pugna pela identidade e soberania nacional esta questão do Euro não lhes cause engulhos.”
      O CDS também diz que é cristão mas não liga nada ao Papa. É o que dá ser o partido do tacho.

  15. pSalaberth says:

    Em anos anteriores a força opressora das armas era recebida com rápida e forte resistência na luta pela liberdade. Hoje, a força opressora do dinheiro é bem mais insidiosa, e a resistência necessária demora porque entretanto vai sendo compensada e anulada. Afinal não temos armas apontadas a nós. E as notícias nem sempre são más… E podemos sempre optar por esperar que sobre algum para o nosso bolso…
    O dinheiro fez-nos moles. Sem espinha. A nossa classe política reflecte bem essa atitude.A discussão sobre política que vejo nesta secção de comentários só serve para levantar poeira desnecessária e redundante. Não há política em Portugal. Há paus-mandados e clientelismo. Basta!

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  1. […] A poucas horas da votação das medidas prévias de austeridade, a presidente do Parlamento grego voltou a apelar ao Governo para que não aceite a chantagem dos credores para um acordo em que já nem o FMI acredita. Leia aqui o discurso de Zoe Konstantopoulou na semana passada a justificar a abstenção na proposta, traduzido pelo blogue Aventar. […]

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