Tempos politicamente interessantes…

Bem interessantes politicamente os tempos que se avizinham. Ao contrário do que pensa o Jorge julgo que o papel do actual Presidente da República é praticamente irrelevante, prestes a sair de cena, certamente com honrarias mas sem honra nem glória. Os protagonistas são outros, com o PS a concentrar as principais atenções. Não pela resposta aos apelos dos partidos à sua esquerda, que até António Costa descartou imediatamente na 1ª declaração após serem conhecidos os resultados eleitorais do passado Domingo. Álvaro Beleza primeiro e Francisco Assis depois, trataram de marcar território, questionando a liderança e defendendo a viabilização do programa do governo minoritário da actual coligação no poder, através da abstenção na votação para o Orçamento de Estado 2016.

Ironicamente o PSD que temeu António Costa vê na sua manutenção o principal aliado, adivinhando nuvens ainda dispersas num horizonte que pode não estar assim tão distante, oferendo ao PS a presidência da A.R., que Ferro Rodrigues estará disponível para aceitar e certamente outros cargos e lugares de nomeação num acordo tácito cuja existência será muito provavelmente negada por todas as partes…

A estratégia dos contestatários da actual liderança socialista passa por impor ao Partido que apoie Maria de Belém nas presidenciais. Por sua vez a liderança parece apenas disposta a descartar Sampaio da Nóvoa, em primeiro lugar para evitar uma colagem politicamente perigosa a um B.E. em ascensão, em segunda para não arriscar uma derrota interna face aos apoios que a antiga ministra colhe nas bases do partido por compreensíveis razões de afectividade que pouco ou nada têm a ver com os interesses na cúpula. Mas Assis já veio defender que um Congresso apenas se deveria realizar após as presidenciais 2016. O que tem algumas vantagens, primeiro queimar António Costa fragilizado no rescaldo das legislativas em lume brando, depois em caso de vitória de Marcelo Rebelo de Sousa, relembrar que a anterior liderança de António José Seguro havia ganho autárquicas e europeias, face às derrotas de António Costa nas legislativas e presidenciais. Na possibilidade de Maria de Belém causar uma surpresa e derrotar a pitonisa do regime, tal vitória não seria vista como resultado da estratégia ganhadora do actual secretário-geral, bem pelo contrário.

Curiosamente ou talvez não, as presidenciais também animam as bases laranjas confiantes na vitória do seu candidato, causando preocupação a Pedro Passos Coelho. Sabido que Marcelo não morre de amores por Paulo Portas desde a indigestão após uma célebre vichyssoise, ainda tentaram convencer Rui Rio a avançar, mas após falhar o objectivo de alcançar a maioria absoluta, o actual líder social democrata não tem força política para se atravessar impondo um nome ao partido, quando as hostes e aparelho já se mobilizam. Colar-se ao candidato para reclamar um quinhão da vitória na noite eleitoral será o melhor que podem conseguir, mas conhecendo o longo historial político de Marcelo Rebelo de Sousa, que apenas alinha consigo próprio, talvez a prazo a sua vitória venha a colher mais benefícios no Largo do Rato que propriamente na S. Caetano à Lapa.

Comments

  1. Nightwish says:

    E enquanto andam os responsáveis a brincar aos jogos partidários, lá levamos mais uns aumentos de impostos.

    • Nightwish says:

      E à economia, ainda não vi ninguém a conseguir justificar a precarização, a pobreza e a destruição do estado social com números.


      • Numa economia aberta e competitiva são todos precários. O que julga que acontecerá na Auto-Europa se a WW caísse? E para que a WW não caia, deverão os contribuintes pagar à semelhança do que erradamente tem sucedido com a Banca? E se por hipótese que até nem acredito a WW caísse qual seria o risco sistémico? Aumentar vendas da concorrência?
        Qual a alternativa? Nacionalizar a indústria e voltar a tempos idos? Não pretendo conduzir um Trabant, quer?..

        • Nightwish says:

          Claro que sim, claro que sim… aliás, quanto mais precários e mais horas trabalham, mais produzem, não é assim? Quanto mais desamparados deixarmos os desempregados melhor para a economia, por certo, por certo.

          • JgMenos says:

            Ó Nightwish já te passou pela cabeça que os patrões estão interessados em trabalhadores eficientes e que sê-lo é o melhor seguro contra a precaridade?
            É claro que se a função for pública a coisa sai mais fácil…


          • Quanto melhor e competitiva a economia, menos desempregados, certo? E que mais quer um desempregado que conseguir emprego?

          • Nightwish says:

            Nem tornar toda a gente precária torna a economia competitiva, nem todos os empregos são melhores que o desemprego. Principalmente quando é uma forma de o estado pagar pela precariedade, como este governo faz.

          • Nome Obrigatório says:

            “Quanto melhor e competitiva a economia, menos desempregados, certo?”

            “melhor” e “mais competitiva” são termos vagos.
            se especificares, posso tentar responder à questão.
            mas imagino seja uma pergunta de retórica, com uns chavões pelo meio para dar um ar sabichão a um vazio.

          • Nightwish says:

            O que falta é alguém que venha explicar economia elementar, depois esta ignorância desaparece.


  2. Nos EUA país muito “competitivo”: A receber subsídio de desemprego são cerca 8 milhões; e ainda há dezenas de milhões que vivem na pobreza extrema. Deve ser excesso de competitividade na economia


  3. Devia ser obrigatório aos eleitores, verem todos os episódios da serie que dá na Sic aos sábados :House of Cards, antes de poderem votar nas eleições.

    • Nightwish says:

      Para descobrirem as semelhanças com o Coelho, o Relvas e o Cavaco?


  4. Devia ser obrigatório todos os fascistas escreverem só no Blasfémias…