O caminho que temos

beira_alta
No dia que alguém acima do que compreendemos decidiu que não continuarias mais connosco na forma visível, fiz esta fotografia do vale do Mondego e do seu caminho de ferro. Sendo certo que só ele (Deus e o caminho de ferro) sabe de onde vem e para onde vai (e nós nada sabemos), tem sido para mim o símbolo da maior certeza humana – a incerteza.
Quando te vi há algumas semanas, estava longe de querer pensar que o bicho mau te haveria de prostrar, a ti, homem de lutas. Não fazia sentido isso acontecer.
Nós, os desta casa onde – quis Deus! – nos houvéramos de cruzar faz tempo, ficámos mais pobres sem ti (temos nas pessoas dos nossos maiores tesouros). Talvez quando eu regressar a Portugal me aperceba o que realmente aconteceu, e realmente aconteceu. O João José Cardoso, o Cardoso de Coimbra, o gajo da luta, o Cardoso morreu. Vais-me desculpar, gajo, mas não vou apagar o teu número da minha agenda: temos muita conversa para pôr em dia. Por acaso, agora está a chover.