Aritmética imbecil à moda do PàF

Patético no Observador

A captura de ecrã em cima, aparentemente retirada de uma qualquer caixa de comentários da Fox News do PàF do Observador, e que já leva um considerável número de partilhas no Facebook, é ilustrativa do nível primário e paleolítico a que desceu a propaganda desesperada do universo pafista. Temos o papão comunista, a profecia da desgraça, a tão em voga instigação do medo e chega-se mesmo ao ridículo de simular uma coligação PàF + CDU + BE para CLARIFICAR que 56,83% da população NÃO QUER os socialistas no poder ao passo que, 6 pontos percentuais abaixo, APENAS 50,87% não quer a coligação Tecnoforma + Irrevogável no poder. Notável.

É compreensível: passar de maioria absoluta para relativa num Parlamento maioritariamente hostil não deve ser fácil. A ideia de estar a prazo ou a possibilidade de perder o monopólio do tacho – o que de resto parece explicar a dança de cadeiras de adjuntos e chefes de gabinete do Governo para lugares de poder permanente denunciada ontem pela RTP – são motivos mais que suficientes para causar o pânico na PàFlândia. Todos sabemos que isto sem tachos se torna mais difícil e não hão-de faltar os Sérgios Sousa Pinto e os Franciscos Assis do PSD a pedir a cabeça de Passos Coelho caso a coisa não corra como esperado. Mas quando se engolem palermices destas, não nos podemos admirar com a aceitação que este tipo de aritmética imbecil possa ter entre as claques. O entendimento entre PS, CDU e BE pode até não dar em nada mas eles estão mesmo a dialogar. E juntos representam mesmo a maioria do Parlamento. Querem um copinho de água para ajudar a empurrar o sapo?

Comments

  1. Cláudio Silva says:

    Como disse o Jerónimo, está a saltar o verniz democrático a muita gente!

  2. Joaquim Amado Lopes says:

    João Mendes,
    O comentário que reproduz é uma resposta aos que defendem a ideia (essa sim, imbecil) de que todos os que votaram PS, todos os que votaram BE e todos os que votaram CDU preferem um Governo PS+BE+CDU a um Governo PSD+CDS ou até a um Governo PSD+CDS+PS.

    Em primeiro lugar, há cada vez mais dirigentes do PS(!) a manifestarem-se contra a coligação PS+BE+CDU. Extrapolando para os militantes do PS (que, supostamente, terão todos votado nesse partido) e para os eleitores que “flutuam” entre PSD, a abstenção e o PS, é mais do que evidente que uma parte significativa dos 32,38% do PS não são a favor de uma coligação PS+BE+CDU.

    Como até a direcção do BE diz que só aceita apoiar/integrar um Governo PS+BE se esse Governo governar com o programa do BE, isso significa que nem sequer os 32,38% de votos no PS podem ser contados como a favor de um Governo PS+BE (com o programa do BE, que parece ser a única forma de esse Governo se formar).
    Ou acha que foram assim tantos a votar no PS a querer que este governe com o programa do BE?

    Em segundo lugar, se a lógica é “todos os que votaram num partido querem esse partido no Governo” e “quem não votou num partido não o quer no Governo” para concluir que 100%-38,34%=61,66% não quer a PàF no Governo então 100%-32,38%=67,62% não quer o PS no Governo, 100%-10,22%=89,78% não quer o BE no Governo e 100%-8,27%=91,73% não quer a CDU no Governo.

    De qualquer forma, na entrevista à TVI de ontem, António Costa disse taxativamente que, com as condições que o BE impõe (acordo apenas para o primeiro Orçamento de Estado e “renegociação” unilateral da dívida), não haverá Governo PS+BE.

    • Nightwish says:

      O argumento é uma imbecilidade porque não estamos em 1975. O argumento é uma imbecilidade porque se vota para eleger deputados. Se querem que se vote contra ou a favor de mais qualquer coisa muda a merda do sistema de voto.

      • Joaquim Amado Lopes says:

        Nightwish,
        Está portanto a dizer que é perfeitamente legítimo que os deputados eleitos pelo PS que não queiram ver o BE nem o PCP no Governo apoiem (votando a favor ou abstendo-se) um Programa de Governo e um Orçamento de Estado apresentados pela coligação PSD+CDS.

        • joão lopes says:

          o cds é um partido que anda a reboque do psd,não fosse isso e e tinha meia duzia de deputados…e quer á força ir para o governo,porquê?


          • porque de outra forma volta a ser um táxi. um táxi velho que já não pode sequer transitar no centro de Lisboa 🙂

        • Nightwish says:

          É evidente. Sujeitando-se às consequências.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            Curioso. “Consequências” só veio a propósito quando se colocou a hipótese de deputados do PS viabilizarem o Governo da coligação que ganhou as eleições, não quando se falou de o PS se coligar ao BE e ao PCP.

          • Nightwish says:

            Porque estávamos a falar do cenário específico em que os deputados do PS votam contra as decisões do partido. Quando o BE tiver mais votos, pôr-se-à a questão contrária.
            Evidentemente, em qualquer situação, quem votar contra o partido sofre as consequências, que nem sei quais são. Provavelmente deviam ser poucas para lhes dar maior independência, mas temos o sistema que temos, se o quiser mudar, dependendo da solução, terá o meu apoio.

    • José almeida says:

      A sua argumentação é absurda e está inquinada de desespero. Não existem resultados de intenções. As eleições já acabaram, e existe um parlamento. O governo que sair deste parlamento é que conta e não a vontade individual dos votantes. Como a situação actual é “diferente” e o PS detém a rédeas da decisão. Porém, se face aos resultados eleitorais não houver um governo de esquerda, o pais entrega-se definitivamente a uma oligarquia minoritária que só conseguiu este (mau) resultado à custa de propaganda e promessas de uma recuperação que na realidade não existe. Já não falta muito para que tudo fique claro, mas… com o PS, prognósticos só mesmo no fim do jogo.

  3. Fernando Antunes says:

    O Observador foi criado para este mesmo fim: reduzir o debate político a uma discussão quase primária, a ‘argumentações’ que desafiam qualquer sequência lógica. Este exemplo faz parte da normalidade, nada mais. Tento não ler caixas de comentários em muitos outros órgãos de informação, porque acho deprimente. Mas enfim, a imbecilidade no seu sentido amplo e a doutrina conservadora do “There Is No Alternative” andam e andarão sempre de mãos dadas, pois uma não pode existir sem a outra.

  4. Nome Obrigatório says:

    “APENAS 50,87% da população não quer a PaF a governar”

    exactamente.
    agora, se fizerem favor, a porta é ali.
    boa noite.

  5. Hugo says:

    Tentar entrar na cabeça dos eleitores e perceber se os votantes PS querem uma aliança com o PC/BE ou não é um exercício de pura especulação. Como diz um comentário acima, se alguns notáveis do PS são contra a aliança com o PC/BE é provável que alguns votantes PS pensem o mesmo. Calcular que percentagem quer ou não essa aliança é impossível. A única coisa objectiva que se pode retirar das eleições é que o eleitorado quer um governo PSD/CDS apoiado por uma maioria relativa no parlamento. Se isso é bom ou mau, se dá estabilidade ou não, é irrelevante. Foi a vontade expressa nas urnas pelo eleitorado que terá que arcar com as consequências da sua escolha.

    • Fernando Antunes says:

      A vontade expressa nas urnas não permite aos PàFes aprovarem uma única lei no parlamento se a maioria não aprovar. As únicas consequências da escolha do eleitorado é que o PàF não pode fazer népia sem consentimento das forças maioritárias.

      Percebeste agora? Ou ainda está difícil?

      • Hugo says:

        Não permite à PàF nem permite a mais ninguém, porque ninguém tem maioria absoluta no parlamento (já que o PC e o BE já vieram dizer que não aceitam pactos de legislatura). Mas se foi isso que o povo quis, é isso que o povo tem. Ou a democracia e as eleições só são muito boas quando convém? Há de me dizer em que parte da Constituição (a Portuguesa, não a Cubana ou Norte-Coreana) está escrito que o governo empossado tem que ter maioria absoluta no parlamento.


        • No mesmo sentido pergunto-lhe: onde está escrito na CRP que o partido mais votado tem forçosamente que formar governo?

          • Hugo says:

            Não está. O PR até pode empossar como PM o deputado do PAN se quiser. Em todo o caso, conceda-me que dar o poder a uma força partidária que obteve menos votos que outra será uma enorme desvirtuação da eleição e da democracia (isto claro na eventualidade de não haver acordos pós-eleitorais entre os partidos representados no parlamento).

          • Nightwish says:

            Não concedemos porque é uma patetice.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            “onde está escrito na CRP que o partido mais votado tem forçosamente que formar governo?”
            Não está. Mas a Catarina Martins acha que sim.
            http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/politica/detalhe/be_diz_que_constituicao_e_clara.html


        • Então antes de puxar do papão da Coreia do Norte, aguarde para ver se os partidos à esquerda chegam ou não a acordo.

        • Nightwish says:

          O povo quis que o Páf tivesse 38% de votos, portanto, que não fizesse o que lhe apetecesse.
          Tal como queria o programa do PSD em 2011 e não teve uma única linha, e não queria 19 violações da constituição, mas a direita achou que sim.

      • Fernando Antunes says:

        Em que sentido é que não permite a mais ninguém???? Permite aos grupos parlamentares que chegarem a acordo. Ponto.

        No limite permitiria também ao PàF governar com o PCP e com os Verdes ou com a Catarina Martins se pudesse chegar a acordo com eles. Não sendo capaz de chegar acordo nem com o PS, pergunto-te onde é que estão reunidas as condições para a PàF governar! It’s democracy, stupid. Ou dialogas com os outros partidos ou ficas a ver os outros a governar.

        Compreendido?

  6. Hugo says:

    A desgraça já está a passar do nível de profecia para o nível de previsão. Basta olhar para o que aconteceu na Grécia com a atitude “die with your boots on” do Syriza.

    • José almeida says:

      O que está em causa é se deste parlamento sai um governo a favor desta política de extorsão da classe média para baixo, ou se vem um governo que impeça essa política. O PS decidirá o que bem entender. Não fale na Coreia do Norte, isso já nem de golpe baixo serve. Isso é um vomito, e se houver um governo de esquerda em Portugal, aconselho-o a imigrar, porque foi o mesmo que fez quem não aguentou viver estes últimos anos em Portugal. Quero recordar que já não existe a URSS nem sequer a China maoista. Estas eleições foram em 4 de Outubro de 2015, não em Portugal. Percebeu? Não me parece…..

      • Hugo says:

        Não foram em Portugal? Então de facto não percebi nada. Piadas à parte, o que está em causa não é a política do próximo governo, mas sim formar um governo de acordo com a configuração do parlamento decidida pelo eleitorado e no fim de contas 38% quis a PàF, 30% o PS, e 20% o PC/BE. Tendo em conta as últimas declarações dos visados, pensar numa coligação PS/PC/BE não passa de um wishful thinking muito grande. Neste caso, o governo da PàF enfrentará o parlamento com uma maioria hostil? Assim seja, não era a primeira vez que tínhamos um governo de maioria relativa. Apresente as suas propostas e deixe o parlamento aprová-las ou recusá-las e agir em conformidade.

        • José almeida says:

          Queria ter dito:

          Estas eleições foram em Portugal, percebeu?

          Volto a repetir que, não havendo maioria, os cenários para governo saem do parlamento e não do resultado eleitoral. O PAN pode propor um primeiro ministro que reúna consensos e um programa que “passe” no parlamento. Já me fiz entender?

          Eu sei que a PaF não quer governar sem o PS, porque o que aí vem é muito duro, mas não o pode obrigar. O Costa só se poderá salvar se fizer um governo de esquerda. Todas as outras hipóteses para ele são ruinosas em termos de projecto pessoal.
          Aproveitando o título (ridículo) do autor do Post, o saco de gatos pode transformar-se num saco de felinos astutos, e isso é …..?

          • José almeida says:

            Peço desculpa por ter referido o outro deste Post, João Mendes, porque estiva a comentar a ideias do Nuno, que são em tudo semelhantes às apresentadas por J. Manuel cordeiro, no seu Post do “….saco de gatos”.

            Fica a correção.

  7. Pinto says:

    Algum dos iluminados que estão a defender acordos do PS com o BE ou com a CDU já se deram ao trabalho de ler os seus programas políticos? É que se essa escumalha conseguisse aprovar nem que fosse metade daquilo que defendem não imigravam 500k mas sim 5 milhões para fugirem da fome…