Direita e Esquerda

É da natureza das coisas. Um dia ia acontecer. À direita, estão de acordo em tudo.

“Como registo inicial de interesses, deixem-me dizer que não acredito na dicotomia entre esquerda e direita”, CGO, no Aventar

“A representação binária do Parlamento configurada na oposição direita/esquerda é destituída de qualquer tipo de solidez doutrinária ou política.” Assis, no Público.

Aliás, a defesa de trabalho com direitos, a defesa da escola pública em oposição à aposta no cheque ensino, a valorização do sistema nacional de saúde em oposição às seguradoras e aos bancos na medicina privada, são meros detalhes. Nada disso existe. Esquerda e direita é tudo a mesma coisa. Só é pena que os eleitores não pensem assim. Tirando isso, é motivo de sorriso aberto esta convergência entre as direitas.

Nota adicional: do Face de um amigo, retiro esta ideia: “Nos tempos que por estes e outros lados correm, parece-me adequado e operacionalmente útil considerar que a dicotomia entre esquerda e direita o é entre os que defendem que os caminhos do desenvolvimento social e da democracia se plasmam num ou noutro dos seguintes caminhos (em ambos, com a prioridade a decrescer no sentido da leitura):
– “Finanças -> economia -> política -> cidadãos”;
– “Cidadãos -> política -> economia -> finanças”

Comments

  1. Carvalho says:

    Só uma questão: o que está este aborto do Assis a fazer num partido que se chama “Socialista”? Não estava melhor naquele dos nazis?

  2. Konigvs says:

    Mais à esquerda ou mais à direita todos os partidos defendem o mesmo sistema: dinheiro/propriedade/trabalho.
    Uns (sempre a maioria) defendem-no por forma a dar o máximo possível aos patrões/ricos e espezinhar os trabalhadores e as classes mais desfavorecidas, pessoas estas que “só têm direito a viver se pagarem” (Ferreira Leite).
    Outros, a minoria, defendem o trabalho com unhas e dentes mas com direitos.
    E o problema é esse, vivemos em democracia que na prática significa literalmente estar sob “o poder do dinheiro” e não nenhuma utopia do poder do povo, pois o povo está sempre pré-condicionado mesmo sem saber.
    E nenhum partido, nenhum movimento, eu pelo menos não conheço, defende o fim da escravização do ser humano.
    Oito horas por dia. Saímos de noite, de noite chegamos a casa. Uma vida inútil, totalmente desperdiçada, muitas vezes na companhia de pessoas que nada nos dizem, e longe daqueles que gostaríamos de estar. Esta não é, de todo, esta a minha conceção de sociedade baseada na exploração dos mais fracos e dos que não tiveram as mesma oportunidades. O trabalho é o maior cancro da sociedade atual. E nem de propósito, ontem, o meu colega de trabalho, com quem passo oito horas por dia (e em nenhum casamento as pessoas passam oito horas por dia juntas) e ele, que é bem mais novo que eu, me dizia que já está farto desta rotina de todos os dias. Do acordar, do ir aqui e ir acolá, do entrar na empresa à mesma, do fazer todos os dias a mesma coisa, do ir almoçar e do esperar que chegue a hora de ir embora. Farto do chegar a casa e tomar banho e jantar, e ir dormir, porque no dia seguinte lhe espera um dia exatamente igual.
    Milhões de escravos, milhões de vidas desperdiçadas, em que as pessoas não têm tempo sequer para si, quanto mais podem ter tempo para os maridos/esposas/filhos/amigos.
    Inventaram-se os carros – coisa boa não é? – sim, agora com os carros podemos perder mais duas horas no caminho de casa para o trabalho, de manhã, e mais duas horas depois do trabalho. As pessoas são verdadeiros mortos-vivos, nas suas rotinas diárias. Mas o o mais curioso, é que, se perguntarmos a dez pessoas na rua: “e se deixássemos de trabalhar?” vão-nos responder “e querias viver do quê”? Porque o escravo já nasce pré-condicionado para aceitar a sua condição de escravo. “Eu devo ser muito feliz porque tenho um emprego em ganho o salário mínimo, apesar de quase não conseguir viver com ele. Coitados é daqueles que estão desempregados. Que sorte que eu tenho!”. E ano após ano, década após década, século após século, a escravatura do trabalho, e a multiplicação de consumidores se perpetua.
    E é por isso que nenhum partido nunca me há-de representar, pois nunca nenhum partido há-de ser louco o suficiente para defender a liberdade, mas a liberdade a sério, total, começando por por se manifestar contra a escravatura do trabalho.