Secretário de Estado do Turismo assume integrar um governo a prazo

Adolfo Mesquita Nunes, secretario de estado do turismo, Lx.

É um daqueles episódios caricatos que, não fossem os intrometidos dos jornalistas, não teria passado de um momento de confraternização entre o hoje reconduzido Secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, e o deputado socialista João Galamba. Mas, lá está, a RTP apanhou-o a jeito e a declaração fica para a história, com uma nota de honra e coragem para o centrista, que teve a capacidade de assumir que o governo hoje empossado não passa de uma mera formalidade e que se encontra literalmente a prazo. Isto, claro, caso o PS pretenda sobreviver enquanto partido. Porque se depois de todos os esforços para despachar este governo de volta para a São Caetano à Lapa e para o Caldas se lembrasse agora de recuar, suspeito que assistiríamos ao nascimento do PASOK português.

Voltando à frase do dia, disse Mesquita Nunes ao colega Galamba:

Daqui a 15 dias és tu que subirás esta escadaria.

Fonte do CDS ainda tentou dar a volta ao contexto e convencer os jornalistas de que se tratava de uma pergunta e não de uma afirmação. Em todo o caso, pergunta ou afirmação, a intervenção de Adolfo Mesquita Nunes é muito clara e ilustrativa do sentimento que se vive entre os membros do novo governo: a sua situação é precária e a queda do governo uma questão de dias. Haja alguém com consciência no meio de tantos contadores de contos para crianças.

Comments

  1. Joaquim Amado Lopes says:

    Não se preocupe, João, que há de certeza muita gente no Governo que tem plena consciência da falta de senso, de ética, de respeito pela democracia e de sentido de Estado que grassa no PS de António Costa, no BE e no PCP.
    Vamos ver se, quando forem de novo chamados a dizer de sua justiça, os eleitores também mostrarão ter consciência disso.

    Para já, o PCP já deixou bem claro que a “maioria de esquerda” só existe para impedir de governar quem venceu as eleições e para aumentar a despesa pública. Não existe para apoiar a garantia de António Costa de que um Governo PS irá respeitar os compromissos internacionais.

    • Nightwish says:

      Porque é que o Joaquim dá mais importância aos compromissos internacionais do que ao povo? Isso enche-lhe o prato?

      • antonio santos says:

        Epá… Mas ainda não percebeste que não produzes o suficiente para pagares os deveres nacionais? Nem se quer falo dos compromissos internacionais.

      • Joaquim Amado Lopes says:

        Nighwish,
        Pode explicar-me como é que não cumprir os compromissos internacionais enche o prato a alguém e durante quanto tempo?
        Use a Grécia como exemplo para a sua demonstração.

        E obrigado por confirmar que uma aliança entre PS e BE+PCP não é possível. Afinal, se o PS não dá importância ao povo…

        • Ui? Não eram vocês que diziam que Portugal não é a Grécia? Qual o motivo de tal comparação?

          Sim, porque o coligação importou-se mesmo muito com o povo português. Que o diga a expansão da pobreza e da emigração. Enfim…

          • Joaquim Amado Lopes says:

            João Mendes,
            Portugal não é a Grécia precisamente porque não recusou cumprir os compromissos internacionais. Viu-se o que aconteceu enquanto a Grécia insistiu no disparate e o que está a fazer quando percebeu que a realidade não se verga à vontade deles.

            E quem é que se importa mais com o povo? Quem quer dar-lhe mesa farta por uns poucos meses e fome por muitos anos ou quem mantê-lo razoavelmente alimentado por muitos anos?

          • Mas você acredita mesmo que a situação da Grécia e de Portugal alguma vez foram iguais? Ou come a propaganda toda que lhe dão?

        • Nightwish says:

          Depende dos compromissos, não cumprir o TO e a asteriestupidez, por exemplo, permitia que o país pudesse crescer.
          Não posso antes usar a Islândia e a Argentina para demonstração?

          • Islândia e Argentina? Tudo comunistas que se alimentam de crianças 🙂

          • Joaquim Amado Lopes says:

            Nightwish,
            Use o que quiser (desde que seja aplicável) mas ao menos tente demonstrar alguma coisa. Não me recordo de o ter feito uma vez que fosse pelo que não espero que vá além de bocas ou de “interpretações criativas” de factos e números que não entende.

          • Nightwish says:

            A Argentina, que ia implodir depois de rejeitar mais colonialismo americano, está agora economicamente melhor que os seus vizinhos, incluindo o Brasil.
            A Islândia, que ia implodir depois de suspender os pagamentos daquilo que devia para eliminar dívida ilegítima, está muito melhor do que qual país que tenha aplicado austeriestupidez para se endividar ad-eternum.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            A Argentina está “melhor do que o Brasil” por mérito da Argentina ou por demérito do Brasil, que atravessa uma crise grave?
            E tem ideia do que aconteceu quando a Argentina fez default à dívida, em termos de investimento estrangeiro, financiamento e inflação (40% em 2002)? É isso que defende para Portugal?

            Quanto a a Islândia estar “muito melhor do que qual país que tenha aplicado austeriestupidez”, compare o ponto de partida e o deficit desses países com a Islândia.
            Quer maior estupidez do que defender o default da dívida ao mesmo tempo que se aumenta o deficit (o que implica maiores necessidades de endividamento)?

            Se responder, responda com números e o que significam em vez de com bocas típicas de trolls acéfalos, como de costume.

          • Portanto o ponto de partida da Islândia não é comparável com outros países como o nosso mas o ponto de partida da Grécia já pode ser. Uau!

          • Nightwish says:

            A Argentina está ou não está melhor que os vizinhos por deixar de aceitar a colonização? Não disse que foi fácil ou rápido, mas acabou a prazo por ser a solução certa.
            E qual seria o défice da Islândia se pagasse se tentasse pagar o que supostamente devia devido ao total falhanço da banca aplicando austeridade em cima? Não nos goze. Vá lá dar mais uns milhares para salvar a banca e diga que privatizar a banca é que era mau.

            Endividamento é para ser controlado com uso da inflação, quem não percebe isto não percebe nada.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            João Mendes,
            Acha mesmo que o ponto de partida da Grécia está mais distante do de Portugal do que o da Islândia?

            .
            Nightwish,,
            “Endividamento é para ser controlado com uso da inflação, quem não percebe isto não percebe nada.”
            O que esta sua afirmação deixa evidente é que não faz ideia do que é a inflação (o que não é surpresa).

            Quando apresentar algum argumento valerá a pena responder-lhe. Entretanto fique a ser troll sozinho.

          • Claro que acho. O buraco que os gregos herdaram do PàF e do PS lá do sítio é incomparável com aquele que alguma vez tivemos!

          • Nightwish says:

            A única pessoa que vem para aqui insultar os outros com a sua ideologia de escola primária é o senhor. Passe mal.

          • Nightwish says:

            E digo-lhe o mesmo que a qualquer direitista revolucionário, vá aprender economia.

    • Aprecio a futurologia Joaquim Amado Lopes. Aguardarei para ver se a profecia da desgraça se confirma.

  2. antifascista says:

    este ainda os tem no sitio ,por muito que lhe custe admitir .

  3. Konigvs says:

    Não deixa de ser muito irónico. Um governo que tornou a vida da maioria dos portugueses instável e precária, que disse que a porta da rua era a serventia da casa, acabe por ele mesmo, não derrotado e arrumado para canto nas eleições, mas vá acabar numa morte lenta, instável e muito precária tal como havia feito aos outros.

  4. ZE LOPES says:

    Nestas coisas de turismo o Adolfo prefere umas “férias ativas” a um “resort”…

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  1. […] da Costa, ministro da Saúde daquele que poderá vir a ser o governo mais curto de sempre – é pelo menos essa a convicção do Secretário de Estado Adolfo Mesquita Nunes e de milhões de portugueses que votaram contra os fanáticos da austeridade – foi o […]

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